
Muito livro do Dr Spock, muitas idas à pediatra-psicopata que me odeia, muitas aulinhas de preparação para o parto, mas ninguém me explica o essencial: sou muito má pessoa e pior mãe se o que quero (não, o que quero não), se o que preciso nestes momentos da minha vida é agarrar no meu Mr. Pinheiro, ir para uma ilha no Índico (por isso da distância) e entregar-me em corpo e alma aos prazeres adultos e altamente tóxicos e drogoindependentes que matam milhões de neurónios de uma só tacada e que nos deixam à beira do encefalograma plano durante o resto da semana? Já me podem comer a orelha com essa treta do instinto maternal, pá, que a mim não me enganam: por muitas horas que se passem de perna aberta em trabalho de parto uma gaja nunca deixa de ser essa adorável urbano depressiva com leve tendência a ficar alcoolizada depois de vários e despreocupados gins tónicos à beira do bar da piscina. Sim, amigos, estou com falta de carências. É fodido passar o verão à sombra da abstinência.
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