Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004

(Confissoes a meio da manha sem pequeno almoço tomado)

Querido Blogue,
Eu fui uma criança feia. Feia que nem um cacho para ser honesta, que para isso o blogue é meu e digo o que me apetece. Entre os quatro aos dezasseis anos, uma verdadeira nódoa, o que me desculpa se algum dia me der na mona meter-me a serial killer.
Ser feia de criança é fodido: aparelho prás pernas, aparelhos prós dentes, devo ter sido a inspiraçao para o Forrest Gump. Valia-me ser mais espertinha, mas pouco mais.
Agora que me lembro, muitos amigas nao tinha, talvez porque estava matriculada num colégio para meninas, e porque as minhas colegas eram todas loiras, espanholas, bonitas e bastante cabras. Consola-me saber que umas engravidaram e agora pesam o dobro que eu. Outras foram despedidas. E outras encornadas. (Vai-se devagarinho, mas chega-se lá).
Eu cá nao tirei vantaginha nenhuma por ser feia, porque nao ganhei espírito criativo. Também nao me revelei nenhum génio da física quântica. Medalhas em ginástica rítmica, népias.
O máximo que consegui foi ter um exageradíssimo complexo, potencenciando assim o piorzinho que havia em mim. Toda a capacidade de invejar, de ser mesquinha e má pessoa é fruto desses nefastos anos.
O que me safou foi a adolescência e a descoberta dos cosméticos. E o dia em que tiraram o aparelho. E o encontro com os homens. E descubrir que as loiras precisavam de pintar o cabelo para ser loiras. E que as maes das outras eram viciadas no Bingo.
Nada como a tristeza dos outros para a minha alegria.


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