Segunda-feira, Fevereiro 23, 2004

Querido Blogue,

Fim de semana politicamente correcto com visita mensal à sogra. Fixe, digo eu ao meu amor, pensando nao na sogra, mas sim nas bicas e super-boques, simbolos inconfundíveis da grande patria portuguesa. E toca de duplicar seiscentos quilómetros em setenta e duas horas. Caso nao estivesse convencida, toma lá temporal macabro a pairar na Península Ibérica. Porquê ligar às indicaçoes da Protecçao Civil e do Instituto de Meteorologia? Estado de alerta para mim nao é nada.
Nao há sogra que me mereça.
Ida: Camioes, labregos, chuva infernal e o IP 5 que é obra do diabo, ou entao do filho da puta de um ministro qualquer que nunca chegou a acabar o curso de sinhoringinheiro. Sete horas a oitenta. Ultrapassa lá esse melga. Adoro estas curvas. No dia que me quiser suicidar já sei o que tenho que fazer. Vale-nos a francesinha ao fim do caminho e a certeza que nunca mais voltaremos a enfiarnos em itinerário tao merdoso.
Volta: Nao voltámos por IP nenhuma, preferimos atravessar a Peninsulo, via Galiza, e meternos de cheio em quatrocentos quilómetros de nevao interminável. Que bonito que é o inverno; o Pai Natal já pode ir a Lapónia e ser enrabado por uma rena paneleira. Sete horas e nunca mais chegamos. Tenho sono. Já nao te aturo, meu amor, se a tua mae te quer ver, que venha ela. Lembra-me que venda o cabrao do carro assim que chegar a Madrid.
Chegámos. Nao há maior prova de amor que um temporal na A6 espanhola. Para comemorar tamanha resistencia ao trânsito, ao tempo e a nós próprios vamos já dar verdadeira utilidade às correntes compradas para atravessar umas das cem serras ibéricas cobertas de neve.
Haja vontadinha de passar um fim de semana sossegada.

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