Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004

Querido Blogue,

A uma semana de fazer 29 anos, acordei hoje com uma sensaçao de profundidade invulgar. O meu amor diz-me que o que eu tenho é mimo e pouca vontade de trabalhar. “Levanta-te e deixa-te de fitas”. Claro, como sou eu que inauguro ainda de noite a casa de banho gelada!
Que razao tens, meu amor: O trabalho nem me liberta, nem me preenche, nem justifica a minha existência. Detesto trabalhar. Rezo no duche a Santa Rita para que o meu querido enriqueça rapidamente e eu possa dedicar-me às tarefas de dona de casa (deixando à Adriana a limpeza, o ferro e a cozinha). Eu já arranjava alguma coisa para me entreter, que hobbies e amigos nao me faltam. Mas já estou habituada a ser infeliz das nove às cinco. E mais uma vez, nao tenho nada para vestir. Detesto a minha roupa. Nao tenho meias. Engordei e nada me cabe. Acho que me vou meter na cama outra vez e fazer de conta que é sábado. Que alguem me venha buscar!

Grande merda pertencer à classe média. Porque eu até tenho jeito para ser dondoca - sentimento que se acentua no metro, enquanto sou empurrada, apalpada por uma massa de suburbanos anónimos feios e cheios de sono. Ora bolas, com o quentinha que eu estava na cama pegadinha ao meu Pinheiro. Esta gente cheira mal. Odeio Espanha.

Força, força, pode ser que hoje aprenda alguma coisa. Pode ser que a gripe do frango tenha infectado o gerente. Saio do metro a desejar ter algum mail simpático na caixa de correio. Eu sou capaz! Ou era, até ver um cartaz imenso com pessoas na praia, 24 graus, Canárias. Filhos da mae! Assim, nao dá! Volto para casa, dimito-me, caguei. Desisto.

Mas nao. Vou trabalhar, faço conversa, simpatizo com gente que nunca seria minha amiga noutra situaçao, engulo alguma merda ao almoço, faço de conta que trabalho enquanto a duras penas tento fazer a digestao.

Ainda bem que o meu amor me espera em casa. No quentinho do lar as coisas sao perfeitas. Nunca me deixes meu amor e por favor, ganha muito dinheiro para eu ser muito feliz. Adoro-te, já jogaste na lotaria?

Merda prá working class.

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