Quinta-feira, Março 11, 2004

Já me apeteceu mais ir para casa, esconder-me debaixo da manta e pôr-me a chorar em frente à televisao, a ver membros espalhados pela estaçao de Atocha.
Mas a morte nao será a alternativa.
Agora quero ir para Sol e manifestar-me. E chamar-lhes cabroes. Assessinos. A eles, à ETA, e nao a uma resistência árabe que serve de refúgio a essa esquerda que ainda acredita que os bebés vêm de Moscovo com um martelo debaixo do braço.
Vou-me embora e dizer-lhes que, está bem, que tenho um cagaço do caralho de andar de Metro. Mas vou continuar a faze-lo. É o que me faltava, gastar dinheiro em taxis. Que se fodam.
Sim, tenho medo de passear na Gran Via, mas cá estou eu, a parar-me em frente às montras e a escolher que vestido comprar para ficar mais bonita para o meu amor.
E como tenho medo de perder os meus amigos, vamos todos jantar fora no restaurante mais fashion de Madrid. Ficaremos grossos e iremos dançar. Amanha ressacaremos, mas por uma razao mais egoísta que a morte de mais de 180 pessoas.
Porque este atentado tambem era dirigido a mim. Por sorte hoje nao foi à porta da minha casa. Talvez amanha sim.
Por isso vou-me embora e continuar vivendo. A momento da morte talvez nao me corresponda a mim, mas sim posso decidir como levar a minha vida. E nao será com medo deles.

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