Domingo, Março 07, 2004

(Merda de teclado)

Querido Blogue,

“Näo te importe a raca nem a cor da pele,
Ama o outro como irmäo e faz o beeem…”

Ou entäo recomendo uma manhä bem passada na esquadra da Policia madrileña a tratar do “Permiso de Residencia”.
Na bicha de estrangeiros todos os estrangeiros somos iguais, atrás das grades de metal e sob a mira inquisidora das metralhadoras da policia estatal. “Mas eu comunitária!!!”, mas só se for da comunidade dos outros, que aqui vocês vêem todos ao mesmo, tirar o trabalho a honestos votantes de direita e engrossar as filas de espera nos hospitais, como nos recorda nos jornais a Presidenta da Comunidad de Madrid, a sempre genorosa e neo fascista Esperanza Aguirre (a mesma, que sendo Ministra da Cultura, elogiou os quadros da pintora de renome internacional “Sara Mago”).
Espanha está perdida, conclui a minha nova amiga venezolana, ao que o guineense da fila da direita responde que näo, que o problema está na burocracia e na desorganizacäo endémica deste povo apreciador de mortes em directo . A sueca de vestido verde nega-se a molhar o dedo para ser registada como uma criminosa qualquer “se me querem prender, que lhes custe trabalho procurar-me!! ” e vai-se embora cagando bem alto para a legalidade ou a falta dela. O casal peruano de metro e meio e tres criancas reprova esta actitude claramente protestante e marca logo uma ida ao padre da igreja do suburbio a cinquenta quilómetros de Madrid. Nada resolvido no fim desta odisseia, mas consolo-me com o meu mestrado em povoacöes mundiais e hábitos alimentares.
Com a minha ritice pegada este episiódio näo só me inspira para escrever como me leva directamente a enfrascar-me nessa noite de sexta no Bairro emigra de Lavapies, que pelo menos entre os meus novos amigos a igualdade está garantida.
Pena que me tenha metido do bar de fufas mais underground de Madrid e que toda a minha ideia de globalizacäo tenha ficado naquela esquadra da Rua General dos näo sei das quantas. Porque uma coisa é a cor da pele e outra bem diferente é o tamanho das mamas. E pelos vistos as minhas näo devem ser do agrado dos camionistas chamados Maria. Está claro que para a próxima tenho que ir primeiro ao Instituto Publico de Proteccäo à Lésbica para me näo me sentir täo descompensada neste ambiente de ódio concreto à gaja gira e depilada.
Mau para o ego, se nem as fufas olham para ti.

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