Querido Blogue,
Ainda bem que ontem foi o Dia Internacional do Grelo, desculpa ideal para decorar as paredes da sala com saquinhos de evax com asas, porque ser gaja é de facto uma coisa muito comemorativa. Mais ainda quando se tem um clitóris claramente subjetivo, o que me leva constantemente a delírios vários, sejam eles políticos, existenciais ou amatórios.
Porque eu acho que devo andar muito reaccionária ultimamente, a raiz dos meus textos sobre o fufedo e os seus congéneres florais. “Um dia destes, ainda poes de rastos a comunidade africana” diz-me o meu amor, mas aí é que ele sem engana. Muito me custou aprender a dançar o funaná do B.Leza. E sou totalmente a favor da secçao masculina da dita comunidade. (Ben Harper, nao te vás embora).
O que me preocupava ontem, enquanto meditava sobre a condiçao de mulher trabalhadeira, era a minha falta de definiçao política. O que chateia horrores, porque eu sempre achei que era mais moderno ser de esquerda. Aquela coisa da liberdade, igualdade, amor ao próximo e o caneco fica sempre muito melhor com um vestido giro do que ser contra o aborto e a favor de um ministro panasca. Mas devo andar distraida dos neurórios e nada me convence a estas alturas do campeonato. Direita/Esquerda, que dilema nestes dias de mediocridade e fatos cinzentos com um bocado de brilho.
E é que a política também tem a sua estética, e porque ontem era dia para isso, dei por mim a pensar que se os políticos fossem mitos eróticos a escolha seria mais fácil. Imagino as audiências da TV Parlamento se em vez daquele auténtico nojo visual que é o Sousa Franco, tivessemos a um Brad Pitt a defender o Orçamento de Estado. Assim como assim, a classe política também já nao diz nada jeito. Venha daí a selecçao italiana de water polo e alegremo-nos por uns instantes. Digamos BASTA à tirania na pila caída.
Em vez de deputados, quero concursos de Mr Castelo Branco. E já agora que ganhem o meu voto com um table dance. E obrigatoriedade de jeans justos nas partes importantes (que, senhores, nao sao nem os olhos nem as maos, falando que estamos em mitos)
Se as gajas queremos igualdade, sejamos exigentes.

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