Querido Blogue,
Existem razoes várias para uma gaja entrar em pânico. O período que nao aparece, encontrar uma ordinária com o mesmo vestido numa festarola toda bué, ter vontade de chorar a meio de uma reuniao, a visita da Mae.
Vivemos sozinhas há anos, ganhamos o nosso ordenadeco com suor e ressaca, temos gajo, impostos a pagar e gato para alimentar, plantas, CDs e muita piada, mas esse telefonema “Ó filha, vou aí prá semana” da-nos cabo do sistema todo. Esquecemos que o nosso homem nos adora, que temos amigos, vizinhos e um futuro incerto na carreira e que até sabemos cozinhar. Voltamos aos dez anos e à sensaçao que já fizemos merda, nao sabemos é porquê.
Estará a casa limpa? Estarei limpa? E o gajo, terá tomado banho? Esconde os chiribitís e as garrafas de bisque, limpa o pó, arruma os sapatos. Esse quadro nao fica bem na parede. Nao devia ter cortado o cabelo assim. Fodasse que nunca mais chega. Estou gira, meu amor? Ai.
PARA QUE ?? Esta necessidade de aprovaçao nao sendo normal, pelos vistos é universal, o que nao remedia mas conforta. Geraçoes de gajas temem as respectivas maes, adoram-nas e criticam-nas na intimidade do sonho e da casa de banho e, mais importante, cagam-se de medo só de pensar que algum dia serao como elas.
Porque, amigas, nao se iludam, nós seremos como elas. No melhor e quase pró pior. Engordaremos e envelheceremos da mesma forma, foderemos os cornos às nossas filhas ao telefone, impingiremos os nossos gostos até na disposiçao dos panos de cozinha. Criticaremos a escolha do namorado, do carro e das férias, a educaçao do cao e a dieta pró verao. Poizé.
E porque Mae há só uma, a minha e mais nenhuma, eu quero ter um bebé com pilinha. Um homem que me idolatre para toda a vida. Que me tenha como modelo feminino e que compare todas as futuras namoradas comigo. Que me diga que sim a tudo e que me prefira sempre a mim.
(Só por causas das tosses: NAO ESTOU PRENHA)

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