Segunda-feira, Março 22, 2004

Querido Blogue,

Lisboa de ida e volta, bacalhau no Caracol, tardes de Tejo e gin tónico, encontros, croquete, bica e sumol de laranja, reencontros, ida e volta.

Adoravél emigraçao à lusitana, esta que nos faz usar lentes de melhoramento quando voltamos ao mesmo Portugal que nos desiludiu e envergonhou, e nao foi assim há tanto tempo atrás. Mas à porta do WIP pareço esquecer todas as decepçoes passadas e até começo a achar que os portugueses têm um ar mais inteligente que os espanhóis, mas se calhar o terceiro bisquinho da noite já me está a fazer efeito.
Ou entao nao é a bebida, mas sim a puta da cidade, Lisboa viciante e luminosa. O meu amor diz que sofre de Lisbonite Aguda e até combinamos um plano maléfico para nao ter que voltar nunca mais a Madrid.
Nem consigo reparar que Lisboa continua um estaleiro, que a única alteraçao estética está nos cartazes masturbatórios do Santana Lopes, que a bola é a treta do costume, que a percentagem de portugueses que vive no limiar da pobreza nao pára de crescer, que a verdadeira oposiçao ao PSD é o Pacheco Pereira, que Marokas está mais cheché que nunca mas ainda serve de guru aos esquerdalhos, que a classe média nao lê jornais ou que as críticas de cinema do Expresso sao tao ilegíveis como antes.
Lisboa nao deixa espaço para a lucidez nem para a boa conduçao. Dá-me por ficar nostálgica e obsessiva e até a vontade de dormir desaparece só de pensar que tenho de ler o Publico no Adamastor antes de ir almoçar com a malta para depois ir ter com a tia para logo ir à cinemateca antes de ir jantar com copos a seguir.

Merda para esta cidade, que nem fode nem sai de cima. Espero voltar um dia destes.

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