Terça-feira, Abril 06, 2004

(Post dedicado ao gajedo que pensa que a rititi tem pilinha)

Querido Blogue,

Nao parece, mas eu também tenho pensamentos profundos. Tao profundos que só costumo dar por eles quando visito o ginecologista, coitado. Porque quando uma mulher ouve coisas como “a menina tem germes nessa cavidade húmida e cavernosa”, o minimo que lhe pode acontecer é pensar nas catástrofes humanitárias no Ruanda, para nao maquinar a forma de suicidio mais rapido. Talvez me atire a um buraco, mas do metro.
A ginecologia é a profissao mais nojenta do mundo, penso eu de perna aberta e bata amarela, enquanto esse homem que nao me ama me enfia cavidade acima um instrumento diabólico e demasiado comprido para o tamanho da coisa. Pior que este trabalho, só lavar cus a velhos, que disso sei eu bem, quando alguma vez no passado me deu por exercer o bem em lares da terceira idade. E gratis.
Uma visita ginecológica é uma experiencia animalesca, nao pelos instintos que se despertam, mas sim porque mais me sinto uma vaca no veterinário que uma gaja moderna que paga impostos e vê filmes legendados (em Espanha!). Toca aqui, mostre lá essa mama, vire pró outro lado, agora a outra mama, só me falta que me mande ladrar para ver se está tudo bem.
Antes isto, digo-me recordando aquele doutor cheio de diplomas e beatices opusdei que tinha preparado para mim um inquérito à confessionário apostólico: a ultima vez que manteve relaçoes sexuais, já fez algum aborto, doenças venéreas presentes, que tipo de drogas usa, dasse, quantos parceiros e aonde. Vassemazéfoder ó homem de deus. Fui-me embora a correr antes que quisesse saber qual a minha posiçao favorita.
E isto duas vezes ao ano. E pagando. Para que logo falem mal dos traumas femininos.
Pagava para ver como um gajo ia voluntariamente a que lhes enfiassem um tubo pirilau acima.

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