Letizia, ou a insustentável leveza da anoréctica de classe média
Querida Letizia,
Nao podes imaginar a cooooontidade de gentinha pobre que me pede para escrever sobre ti, a gata borralheira dos telejornais, a sopeira que virou capa de revista de dentista. E eu, que até sou genéticamente republicana, que nao escrevo, nao e nao, mas é mentira, eu sou super mega faaaa das tuas madeixas loiras, sabes? E esse nariz? Amo imenso, tem é cuidado para nao adormeceres com a cabeça para a frente, ou morrerás com a penca espetada no estrernao!
Quem me dera ser assim como tu, protagonista da vida da Lady Di, também ela anorécticazinha mas sem ESSE vício de que toda a gente fala. Querida, a adicçao aos laxantes é uma coisa do mais asquerosa, sem style nenhum. Nao estás a ver a Carolina do Mónaco, vestida a rigor de Chanel, a cagar-se toda no Palácio da Ópera, assim, entre ballet russo e uma sova do principesco marido, pois nao?
Mas claro, as tuas influências monárquicas sao do pior: a da Suécia, que se vomita pelos cantos do Parlamento Europeu, a outra norueguesa, coitada, cheia de complexos de gente pobre e agarradinha da cabeça. E a da Holanda, corrore, a essa vaca nazi-argentina, quem lhe compra os vestidos?
Enfim, nao admira que assim nunca sejas a Presidente do Clube das Coroas Subsidiadas pelos MEUS impostos, que digo-te já, nao me importo nada de pagar, sempre que mudes imediatamente de fundo de armário. Esse fato do enterro de estado, de suicidio! E essas malas, querida, queima-as junto com a saia rodada que usaste no Congresso! Aproveito e dou-te o numero da minha querida cabeleireira.
A inveja é coisa porca, e eu por acaso até cheiro um bocado mal hoje, mas filha, há coisas que até a MIM me chocam.
Que todos os Ortiz sejam o honroso exemplo da classe média española trabalhadeira e sem complexos, que a tua mae sindicalista tenha sido apanhada a copiar (há dois meses) num teste de enfermagem, que o teu cunhado pintor venda exclusivas à Hola! sem ter vendido nunca uma merda de um quadro, pontos, a gente ainda engole por amor às revistas do curasón.
Mas que obrigues o coitado do Felipito Borbón (Borbón, querida, e nao Sanchez), enfim, que arrastes o futuro REI das Españas ao casório chunga, pobre e suburbano da foleira da tua prima em terceiro grau, ó filha, tem mas é juízo.
Assim andava o coitado, a fugir dos teus tios bezanas e descamisados que à força toda o obrigaram a comer cinco pratos de gambas congeladas, al príncipe que no le falte de ná! Mas tá tudo maluco?
Mas eu vou estar aí no dia 22, frente à têbê, Leticia! Leticia! Já agora, obrigada por te casares no dia de Santa Rita, a Santa dos Impossíveis! Eu cá encomendava-me a ela que pelo ódio que a malta te tem mais vale que andes divinamente protegida!
Jocas,
Rititi

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