Sexta-feira, Junho 11, 2004

Nesta Espanha de peineta e nacionalismos provincianos com pretensoes europeias, Mr. and Mrs. Pinheiro preparam-se para a emigraçao semanal à Grande Alface. Que bonito que é amor e as malas que ficam pequenas com tanta sapatilha, chanata e sandalia que a menina tem. É o preço da beleza, meu amor, nao me queres ver sempre de téne branco e a pelugem no joelho por arrancar. Quando os homens perceberem que para cada dia sao precisas três tualetes o mundo será um lugar melhor, mais pacifico e tolerante (bolas, tenho que deixar de ouvir os discursos do Zapatero, tanta boa onda esta-me a deixar parecida com uma jornalista da Xis).
E que fartote que eu tenho destas terras, ainda bem que chegam as férias e Lisboa, sardinha e moça, mesmo que pejada de bifes e bandeiras lusitanas, nao sabia eu que éramos tao patrióticos, nem os bascos lhes dá para tanto.
É que quando nos dá para a elevaçao nacional nao há quem nos supere, até a Rosa Mota cantou a letra todinha toda do hino naquele triste dia em que se esqueceu de depilar os sovacos. Ganhou uma medalha e o patrocinio vitalicio da gilette. Depois admiram-se que os nossos desportistas estejam longe do mito erótico. Entre ela e os gémeos do atletismo, que deleite para o olho do cu, dasse.
Espanta-me como ainda há tanto povoa a seguir as desaventuras das cores pátrias via satélite e cartao de crédito. Entre os atributos físicos dos nossos atletas e a pontaria que temos para falhar todos os momentos históricos à pala de murros no estômago de arbitros e fatalidades messianicas, o melhor era começar já a reconsiderar os elementos das nossas equipas nacionais. Se nao ganham, pelo menos que nos alegrem o dia.
Nao se poderiam naturalizar umas bielorrussas, todas loiras e metroitenta, para a selecçao de hoquei-patins? Prevejo audiencias brutais, o ecra de plasma todo babado, ricas figuras dos Pereiras de Cantanhede. E se o Deco passou a nacional assim darrepente, porque nao fazer o mesmo com os modelos masculinos da agência Look de Londres? A bola teria muito mais encanto em vez de tanto Maniche e Costinha, bolas, que parecem escolhidos a dedo para tirarem a tusa às adeptas.
Valem-nos o Totti, o Pauleta e os deuses suecos, que com a estucha que nos espera mais vale que ganhem os melhores pares de pernas.

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