Segunda-feira, Julho 05, 2004

(Breve Cronica de Uma Pena Lusitana)

Mucho toro pá tan poco novillero, qué quieres que te diga, oyes, que um País como o nosso nao está preparado para tanto entusiasmo e pressao patriótica. Afinal, muita areia para esta camionete de caixa aberta, com as ilusoes de três semanas a perderem-se pela autóstrada de Madrid.
Valeu a pena, diz o editorial do Publico, que já tinha preparada uma ediçao especial de vencedores, nós o País de tanga e Cristianos Ronaldos que nao se importam de levar com um cartao amarelo com tal de mostrar o peito trabalhado no estrangeiro. Pois, valeu a pena, e até a sonsa de Judite de Sousa exigiu o protagonismo de presentar o TeleJornal da vitória. Olha, Judite, fodeste-te à grande, e com a mesma cara de cú que os mudos espectadores do estádio da Luz, tiveste o teu momento de gloria para engolires em directo a Patria com queijo feta.
Valeu a pena ter bebido dezenas de litros de cerveza em Chueca, rodeada de gays estupefactos perante quatro portugueses e um hino apelando às armas e aos canhoes e à saudade da terra longinqua, menina cala-se que incomoda os comensais do restaurante fino. Valeu a pena ter sonhado que por uma vez nós conseguiamos chegar lá sem ajuda dos fundos estructurais, contas aldrabadas e arbritragens à coreana.
E agora as bandeiras guardadas até ao Mundial, em vez de as sacar durante os Para-Olimpicos, unico campeonato onde os nossos cegos nos trazem medalhas mais do que merecidas. Mas quem liga aos coitadinhos de calçao curto, que para desgraças as minhas e ninguem gosta de ver um grupo de aleijados a correr detrás de uma bola de basquetebol. Mais vale um Figo a um coxo.
Valeu a pena e eu tenho cá uma tristeza filha da puta que nem sei explicar, que a gente merecia ter ficado com a Taça, caralho, nem somos má gente e até jogámos bem, sem os murros do costume. Valeu a pena, e eu ralada.
Que me digam que faço eu com a minha pena.




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