Este site foi concebido para ser visto num browser dentro dos limites da caducidade: infelizmente não é o caso do seu. Assim, a sua experiência de navegação será seriamente afectada. Sugerimos a instalação de um browser mais séc. XXI, se lhe for possível: http://www.mozilla.com/firefox . Mas qualquer outro serve.

Rititi

Rititi

INÍCIO

  • querido blogue houston we have problem

    Querido Blogue,

    Houston, we have a problem, que é o que eu me digo cada vez que um amigo me pede para conhecer uma nova namorada. Visto-me de heroína da Marvel e rezo a Santa Rita de Cássia para que seja feia, gorda e anã, uma nódoa de mulher, porque eu já não estou para que a vida me confronte com mais Super Gajas. Daquelas Super Giras, Super Altas, vedetas elas num mundo de gente baixinha nos ténis da Nike, Super Penteadas e Restauradas vinte e quatro horas por dia, Super Simpáticas e com ar de quem vai apresentar uma Gala na RAI 1, impecáveis elas num bar da moda e eu, a afundar-me na minha normalidade de quem apanha autocarros para ir trabalhar e espreme as borbulhas frente ao espelho em momentos de crise existencial. Super Gajas no seu mundo de pastel de nata e festas Super Divertidas, com o obvio domínio do físico e do baile do verão, aserejé, já, dejé. Descomprimem-me estas gajas e mais ainda quando tenho um período galopante, eu com a pele feita um nojo e as gajas com a cara de porcelana.

    O meu triste ego já não resiste a comparação física nesta altura do campeonato, muito me custam os soutiens reforçados que dissimulam a força da gravidade para que tenha que lutar de estômago vazio contra a lei da relatividade do tempo e das mamas dessas Super Siliconadas, com tops implacáveis para a minha sanidade mental e a libido do macho ibérico, que sonha com poder levar uma dessas bonecas insufláveis aos jantares com a malta do escritório. É que estas Super Gajas tiram-me do sério, sobretudo porque de tão diminuída que fico com o poder da perfeição cirúrgica, agarro uns pifos descomunais, de caixão à cova e do bar à cama em três tempos. Fica o caldo entornado, com Mr Pinheiro à solta e eu com um complexo de bêbada ao dia seguinte que nem te conto. O meu homem, obrigado que está pelos compromissos conjugais, diz-me que não, minha querida, a beleza é outra coisa e eu gosto de ti por natural, boa gente e doida varrida, coitado, a jurar-me de pés juntos que a ele as mamocas de borracha mais que excitar-lhe dão-lhe a sensação de balão de feira. O que faz o amor e a paciência infinita.

    Claro que isto tudo é inveja, que me corrói, para que mentir, por muito que me tentem convencer que a beleza está no interior assim que uma daquelas Super Estilizadas e Super Bronzeadas se cruza no meu caminho tenho uma vontade louca de me internar na Corporación Dermo-Estática, reconstruir-me de pés à cabeça e voltar ao mundo de peitoral renovado e exuberante beleza exterior, que nos momentos de complexos físicos não há cultura geral, amigos interessantes nem drogas sintéticas que me valham!

    Porque quando me assaltam as dúvidas estéticas e o suicídio intelectual está tão eminente, o que eu quero é saber andar de saltos altos, sentar-me com mini-saia, ter uns dentes eternamente brancos e um rabo sem celulite. Quero estar sempre morena e ter umas unhas inquebrantáveis, umas madeixas perenes e umas pernas eternas. Caguei para os clássicos da literatura universal e agora quero ser uma Barbie pós-moderna, aparecer nas revistas e que perguntem pelas férias!

    Que saiba o Mundo (e os meus amigos que trocam de gaja com uma frequência doentia) que eu ainda não estou preparada para as Misses, que me desestabilizam e provocam em mim urticárias interiores. E depois não há quem me ature!

    Ai, a inveja…



    Por Rititi @ 2004/08/30 | Sem comentários »


    rititi educa o povao 2 hoje na seccao

    A RITITI EDUCA O POVAO (#2)

    Hoje, na secção que todos os portugueses esperavam, a Rititi apresenta a Canção do Minete. Adorado por todas, ignorado por alguns, o Minete continua a ser esse grande desconhecido para o homem de pêlo na venta com terror à sensibilidade e ao banho diário.

    Senhores, eis a versão masculina do Minete, escrita pelo Pablo Carbonell, antes Torero Muerto e agora gurú da sanidade sexual da classe média!

    AY QUE GUSTITO PÁ MIS OREJAS

    Ay que gustito pá mis orejas,

    enterraíto entre tus piernas,

    y tu me dices ay! que te responda,

    yo todavía no te he escuchao, a tu pregunta.

    ay no te oigo bien,

    porque ando sumergido en tu miel.

    Ay que gustito pá mis orejas,

    enterraíto entre tus piernas,

    y tu me dices ay! que te responda,

    yo todavía no te he escuchao, a tu pregunta,

    lo más grande de esta noche,

    que se hizo de día,

    si saliera el sol, a mi me verías:

    como un conejillo entre tus piernas,

    bebiendo tu esencia, siguiendo tu senda,

    ay que gustito pa mis orejas.

    (…)

    Ay que gustito pa mis orejas,

    enterradito entre tus piernas,

    si soy agua tú me llevas,

    si soy parra tú mi reja,

    el horizonte es un muro,

    que me cabe entre las cejas!

    oy oy oy oy oy oy.

    (Raimundo Amador, in Gerundina)

    Já agora, uma nota da Samantha do Sex and the City: “Só faço broches porque espero um minete logo a seguir”. Nada como a cultura popular para esclarecimento das mentes!!!

    Ala, y ahora a disfrutar, chavalitos!!



    Por Rititi @ 2004/08/27 | Sem comentários »


    querido blogue camuflada de audrey

    Querido Blogue,

    Camuflada de Audrey Hepburn, óculos gigantes, chapéu obrigatório e vestido sixtie que te mueres, esta emigrada lusa em terras zapateras sai de casa com o inquebrantável propósito de descobrir o Madrid que importa realmente, o que faz bater o coração de qualquer agarrada ao cartão de crédito, o que tira o sono às histéricas da moda, o Bairro de Salamanca, que se uma gaja tem que se armar em Indiana Jones de saias, pelo menos que seja na zona da cidade onde habita a maior concentração de milionários por metro quadrado. Posso não ir de Chanel, nem com complementos da Dior, mas a mala é uma imitação perfeita da Prada e a mim ninguém me convence do contrário. Inspiração, expiração, a Calle Serrano é sua, se me vou infiltrar no mundo do glamour e êxito social, o primeiro a fazer é começar a tratar-me a mim própria por você. Rititi, vá, você é um must, força querida, um beijo, vá lá!

    Para começar, nada como um energético pequeno-almoço numa terraza com ar elegante e com um fortíssimo cheiro a naftalina, e eu a destilar staile e com a Telva debaixo do braço, essa grande revista das dondocas que ainda continuam a achar que o Aznar é o Presidente do Reino das Espanhas. Falando do Bigotes, olha a primogénita do gajo, agora que é mãe ainda está mais feia e mais pirosa, por muito vestido de Custo que vista ninguém lhe tira aquela cara de mula. Tento controlar a minha veia de esquerdalha, mas a chegada de três idosas com a cara do Franco tatuada no bíceps atormenta-me tremendamente. Pago uma conta que mais poderia ser o aluguer de um quarto no Ritz e saio a correr antes que me mandem directa para um campo de concentração para emigrantes do Terceiro Mundo.

    Depois de revisitar o passado, nada como um banho de glamour, lambendo montras na Ortega y Gasset, Armani para cima, Hermés para baixo, já gostavam as cagonas do Restelo ter a metade do charme das empregadas do Gianfranco Ferré. Olha o Duque de Feria, como-se-puede-estar-tan-bueno-por-favor, aqui não é preciso tapete vermelho e palhaçadas à Santana Lopes na Rua Castilho no Natal, que por aqui parece que esta gente levita de tanta elegância, dinheiro e saber-estar na vida, deve ser porque mijam Chanel nº 5, e essa não é a Princesa de Preslav, qualquer coisinha lhe fica bem, e não como as pendéricas essas que enchem as revistas portugueses, a Cinha, que pena, para sair de casa precisa de restaurador Olex para ter um ar apresentável. Quando eu for grande quero ser um manequim da loja da Sybilla.

    Mas por muito que eu queira imitar o ar altivo das ricaças espanholas, à mínima oportunidade a pequeno-burguesa que vive dentro de mim vem ao de cima e deixa-me em ridículo, aproveitando a minha passagem pela secção de roupa interior da Versace. É que afinal aquele poderosíssimo pequeno-almoço tem os seus efeitos nos meus maltratados intestinos e pimba, neste caso pum, uma bomba fétida a aromatizar uma das lojas mais caras da cidade.

    Que vergonha, que desplante, ainda bem que ninguém me conhece detrás destes óculos tamanho XXXL comprados na feira dos ciganos, que me engula a terra e pernas para te quero, foge para o Metro e espera que nunca venhas a ganhar a lotaria que te obrigue a ir comprar sapatos no Bairro de Salamanca.

    Não vale a pena forçar as classes sociais, dizem-me as minhas amigas fufas à frente de um balde de uísque e várias doses de tabaco marroquino, e tu, minha linda, não nasceste para ser capa da ¡Hola!

    Merda, merda e mais merda, que maneira de rebentar com os sonhos da working class.



    Por Rititi @ 2004/08/25 | 1 Comentário »


    querido blogue o povo ama me que eu bem

    Querido Blogue,

    O Povo ama-me, que eu bem que reparo nas mostras de carinho assim que ponho o pé direito na rua às oito e um quarto da manhã. Como a nova Lady Di da zona Centro madrilena, é assim que me tratam os populares, mais eles do que elas, claro, que para isso as senhoras espanholas são muito mais discretas nos seus elogios a terceiros, sempre que não se trate do macho-man Júlio Iglesias. É que não há rival para esse maravilhoso baloiçar da mão esquerda ao ritmo de “Tropecé de nuevo com la misma piedra” no Festival Internacional de Benidorm, a César o que é de César e ao Júlio os mocasins vermelhos e sem meias.

    Para o meu público sul-americano mais fiel, que se posiciona religiosamente à mesma hora nos andaimes das obras do prédio ao lado do meu, entre cimento, gruas e bocadillos de jamón, há exigências muito claras que eu tenho que cumprir para continuar a ser considerada a top total do meu bairro, o ícone da gaja boa. Pelos decibéis emitidos, gostam mais de mim com decote pronunciado do que com uma reles camisa, e sinto como os aplausos são super efusivos cada vez que me lembro de vestir a mini-saia justa da levy’s. Do mais observadores, oyes, não há nada que se lhes escape a esses pequenos peruanos sem papéis e com família para alimentar. Agora compreendo o stress dos famosos das revistas, porque para não defraudar as expectativas tão elevadas dos meus dedicados fans passo horas a olhar para o armário, com a consequente bronca conjugal, porque o meu gajo não acha nada simpático que o acorde a meio da noite com crises estilísticas provocadas por outros homens, tal é a pressão com a que vivo!

    E é incrível como se espalha a palavra neste Madrid, e isso que é Verão e está tudo em Alicante a dançar a Macarena. Pelos vistos os meus aduladores falaram de mim a anónimos e agora não há trolha que não gabe o meu estilo: tía buena, niña hay que ver que culo, madre de dios que poderío, pisa, pisa con garbo… Uma maravilha, não há ego que resista a esta explosão de amor verdadeiro e sem ânimo de lucro. Não sei do que se queixam as feministas, com o bonito que é que nos façam sentir desejadas de uma maneira tão altruísta. Aliás, estes simpáticos elogios só potenciam o estreitamento dos laços entre os povos e a aprendizagem de línguas estrangeiras. Eu, quase sem esforço, já sei dizer “ó caralhinho ta foda” em ucraniano, que para mim é um grande passo civilizacional, já queria o Fórum de Barcelona favorecer assim o diálogo entre as raças do mundo!

    Não há dia na minha vida madrilena em que os homens não aplaudam os atributos que Deus me deu, por não falar das vezes em que corro como uma maluca para apanhar o autocarro, o balancear da minhas mamas provoca nos transeuntes verdadeiras explosões de fé no Ser Supremo: Dios Santo, qué melones! Até os apressados executivos esquecem por momentos as curvas de balanços para observar como a minha dianteira põe em causa a lei da gravidade, pá que veas tú.

    Tudo faço para alegrar o meu Povo tão amado, por isso não poupo esforços nem esmolas ao meu mendigo favorito da Puerta del Sol; é que por muito indigente que seja tudo farei para continuar a usufruir dos piropos mais autênticos da cidade. Afinal de contas, não é todos os dias que nos dizem “niña, que estás más buena que la cocaína!”. Nem que me arruíne toda, mas esse homem seguirá vivo, na esquina com o Metro, à pala de vinho, drogas y lo que haga falta!



    Por Rititi @ 2004/08/23 | Sem comentários »


    se os blogues que me rodeiam num

    Se os blogues que me rodeiam, num histérico ataque de lirismo, publicam poemas espertinhos, troços de livros imprescindíveis para manter uma interessantíssima conversa com qualquer estranho no metro, diálogos de filmes russos legendados em sueco, eu cá não quero ser menos que os outros, oyes, que para alguma coisa passei cinco anos na Universidade!

    Porque com poesia japonesa não se engata ninguém, nem se brilha nas festas, aqui se começa a nova secção semanal que todos estavam à espera.

    RITITI EDUCA O POVAO!

    Hoje, Las Sevillanas de los Bloques, da insuperável Martirio

    Con mi chandal y mis tacones,

    arreglá pero informal,

    domingo por la mañana

    él me saca a pasear.

    Mientras va lavando el coche

    dejo la casa arreglá

    para luego, cuando venga

    no tener que hacer más ná.

    Taquitos de jamón, choquitos y gambas

    yo me harto de comer

    y por la tarde lo dejo

    pá que escuche el carrusel.

    Con los niños por delante

    nos vamos al hiper.

    Mi marío tiene, por fin,

    la tarde libre,

    y a empujar los carritos, que ole,

    nos vamos al hiper.

    Ya se perdió, hay que ver que tiene brega,

    si lo sabré yo,

    este hombre en la bodega

    se lo gasta tó.

    El ascensor, se ha roto el ascensor,

    ¡ay, cómo pesan las bolsas,

    pero qué gusta da ver

    los forladys que rebosan!

    Es un diario, sentrañas, es un diario…

    Es un diario que mi marío

    me pida, sentrañas, es un diario

    que le haga lo del vídeo comunitario.

    Le dije bueno,

    pa qué le dije ná,

    con lo bien que estaba yo callá,

    pa qué le dije ná, con lo bien…

    le dije bueno.

    Mi perdición,

    por darle gusto, esa fue mi perdición:

    porque ya no hacemos ná de ná,

    sin el televisor.

    ¡Estoy atacá, estoy atacá!

    Estoy atacá,

    mal palo en las costillas a ti te den,

    riapitá, mira que estoy atacá,

    por los traguitos que tú

    me haces de pasar.

    Cogé la puerta,

    estoy na más deseandito,

    riapitá, mira de cogé la puerta,

    y al salir, ¡salir corriendo como las locas!

    Estoy mala de los nervios,

    ¡estoy mala de los nervios!

    ¡Ay qué hartura, Dios mío,

    riapitá, mira que me voy a la calle

    a pegar chillíos…!

    E para a semana, mais!



    Por Rititi @ 2004/08/20 | Sem comentários »


    ha um dia na vida de uma mulher em que

    Há um dia na vida de uma mulher em que se olha para o espelho e todos os litros de uísque ingeridos passam à frente dos nossos olhos, como um ultimatum divino. É que Deus também tem os seus limites e já deve estar mais que farto de aturar as minhas ressacas, ai eu, juro pelas mamas da Nossa Senhora que não volto a beber. E já se sabe que um gajo não gosta que falem assim da mãe do celebérrimo filho, por muito virgem que seja a mãe e crucificado o filho. Basta! disseram também ao uníssono a vesícula e o fígado, coitados, não há peça do corpo que resista a esta entrega desenfreada à boa vida de bares e unzinhos sem complexo de culpa, que eu bem posso ter estudado num colégio de freiras mas nunca me arrependo do que faço, com a fortuna que me custou ter esta reputação de bêbeda nas tascas de Madrid!

    Assim que com a Hola! em mão (cada um tem a sua Bíblia) e a determinação exclusiva dos que renegam o pecado para sempre, olhei para esta Sodoma e Gomorra que me rodeia e dediquei-me à sincera pratica do desporto, porque algum dia tinha que lutar contra a preguiça congénita. Claro que cada um tem as suas actividades físicas favoritas, conforme o sexo, a educação e um pessoalíssimo sentido do ridículo e a mim, que querem que lhes diga, o fato de treino fica-me de puta pena, como una patada en los cojones, porque não há nada mais anti-tusa que uma mulher de t-shirt folgada e umas calças de algodão azul. E só há uma gaja no mundo mundial cujo rabo fique perfeito dentro de um malliot de licra: a Cameron Diaz. O resto são mentiras piedosas e gordas a suar nos ginásios.

    Portanto, cada uma faz o que pode e eu cá pratico a única coisa que sei fazer sem suar e não faltando ao respeito à estética em geral: lamber a televisão enquanto passam os campeonatos masculinos de ginástica nos Jogos Olímpicos. Que pena que aconteçam só de quatro em quatro anos, oyes, não há gaja que não caia do sofá cada vez que um desses atletas, perfeitas encarnações de Apolo, saltita pelo chão com uma graciosidade divina. Se fazem aquelas coisas nas paralelas, melhor não pensar que surpresas reservam para o leito conjugal. Ai.

    Claro que Mr. Pinherio, esse poço inesgotável de paciência e amor eterno, não acha tanta piada a que a minha baba inunde a nossa sala com cozinha incorporada, mas eu não tenho culpa que as selecções femininas de ginástica artística estejam compostas por anãs de quinze anos, que nem têm mamas nem têm nada. Ou que as nadadoras australianas sejam perfeitas mulas capazes de arrancar a cabeça a quem lhes chame de gordas. Que procure outra fonte de desejo, do género das saltadoras em altura ou recordistas dos 10.000 metros marcha. A mim de certeza que não me faltam, entre as finais de trampolim e o poldro estou mais que entretida.

    Nada como o desporto para deixar de beber!



    Por Rititi @ 2004/08/19 | Sem comentários »


    hoje sinto me do mais alcista assim

    Hoje sinto-me do mais alcista, assim como o preço do petróleo, descontrolada total e ao ponto de provocar mais uma crise mundial, mas sem as implicações geopolíticas do costume, que uma mulher não está para entrar em conflitos internacionais só por causa de uns quantos milhões de barris de crude por dia. Porque hoje, e ao contrario do mercado de derivados, acordei do mais positiva, alheia de todo aos indicadores macro e às previsões de abrandamento na zona euro. Claro que a minha performance normalmente está indexada ao comportamento de variáveis tão imprevisíveis como o tempo, os bares que continuam abertos no Verão ou nova colecção do Karl Lagerfeld para a H&M. Coisas da vida e da inflação real, deve ser isso.

    E nem a leitura da triste realidade social na imprensa rosa lusitana é capaz de mandar abaixo a confiança desta humilde consumidora, indiferente total que sou a que os resultados da sexual-life dos nossos vip’s em Vilamoura tenham defraudado públicos e privados. E compreende-se, pá, que quando um País tem um José Castelo Branco como benchmark da jet-set, é muito fácil que a Caras e a Lux passem rapidamente a ter uma rentabilidade negativa, por muitas previsões que os analistas internacionais tenham feito neste sentido. Porque se não se tem a conta o risco “são-sempre-os-mesmos-do-costume-a-aparecer-nas-revistas” não há expectativas que resultem, nem quem tenha pachorra para as sempre excitantes aventuras do Marcelo Rebelo Sousa nas praias do Algarve. Como investidora com perfil de risco médio-alto, exijo que se lance ao mercado um programa de televisão cuja valorização final esteja associada a um escândalo sexual baseado na performance de um desconhecido entre um cabaz de dez antigas beldades pátrias pré-seleccionadas nos puticlubes do Cais do Sodré. Te cagas en las bragas, tia, êxito assegurado. Se os poderosos ouvissem as minhas indicações, Portugal não só entraria no G-8, como as consequências para a produção industrial e as vendas a retalho seriam do mais sorridentes. Não sabem o que perdem estes gajos.

    Mas eu, dizia, não deixo que este enquadramento contagie a minha conjuntura emocional, que para alguma a coisa a tenho. Hoje sinto-me como um fundo de obrigações de taxa fixa: após rentabilizar a minha exposição à cerveja de barril de triplo rating, ó surpresa, não só capitalizei os efeitos diuréticos da cevada como que já me cabem outra vez as calças justas do ano passado. E é que não há melhor investimento para uma mulher que aquele que ajuda a perder dois quilos em Agosto. Está dito.



    Por Rititi @ 2004/08/17 | Sem comentários »


    e depois admirem se se acabo os meus

    E depois admirem-se se acabo os meus dias alcoólica perdida



    Por Rititi @ 2004/08/13 | Sem comentários »


    querido publico lamento informar mas o

    Querido Público,

    Lamento informar, mas o jovem casal Pinheiro também tem os seus podres, que a gente é comósoutros, mas mantendo sempre a formas nos restaurantes e sítios públicos, pobres mas educados. É que há muito povo que adora mistificar assim os terceiros e se não pomos travão no assunto ainda nos nomeiam a casal do ano, e isso é que não, que somos um matrimónio totalmente alheio às pressões do público em geral e dos media em particular. Nos dias que correm, nada como preservar a intimidade para logo processar alguém por atentado à honra e o caneco. Por algum lado se tem que enriquecer.

    Por exemplo, nestes exactos momentos estamos a atravessar uma fase tramada, pá. Claro que a culpa desta treta toda é dele, como sempre, que de tanto mamar propaganda do Império* (vid Canal História) começou a comportar-se como um yanqui conquistador de espaços alheios, assim, sem autorização da visada, o sea yo misma, ou do direito internacional ditado pela comunidade de vizinhos. De tanto seguir em directo os discursos do partido republicano americano, o meu amor ficou abduzido pelo espírito opressor capitalista e, pimba, toca lá de lançar a campanha preventiva nos meus espaços sagrados: o que começou como um espalhar lento de boxers e meias encima da minha mesinha de cabeceira logo se transformou numa arrogante atitude em contra dos mais básicos princípios da urbanidade. Camisas penduradas na porta do quarto, sapatos na sala, quilos de tishertes no chão ao lado do armário, um nojo e um total desprezo às recomendações do bom senso e das visitas que entretanto deixaram de aparecer por medo a serem estranguladas por um pull-over vingativo. Nada lhe afasta desse seu caminho de isolamento social, mas arrumação népia e a roupa a reproduzir-se pelas esquinas da nossa casa de quarenta metros quadrados.

    Mas já se sabe como somos as gajas, umas putas todas, por isso, em defesa da minha sanidade cutânea (a mental há muito que se perdeu), respondo com o terrorismo doméstico, que é a única linguagem possível quando o gajo lhe dá por se armar em porco invocando a genética, olha, olha, tudo explicado com a descoberta do genoma humano. Pois.

    E como o terrorismo é uma coisa muito séria, eu cá opto pelo método das minas anti-pessoais, neste caso malas anti-pessoais, situadas estrategicamente no corredor criado entre o sofá e a aparelhagem, toma lá a ver se te estampas assim, meu querido. A casa, tudo seja dito, mais parece a Zara em saldos, de tanta mala que há sobre a mesa da sala, a televisão, o fogão e as cadeiras desdobráveis do Ikea. Para descobrir umas calças, o meu querido já criou um mapa realmente complexo com coordenadas temporais à mistura, que para isso Mr. Pinheiro é um homem inteligente e muito criativo. A gata Lucrécia, coitada, é que já pediu por escrito voltar a casa da avó materna, nem o espacinho de cagar dela respeitamos.

    E nisto estamos, caro público, com a cozinha impossibilitada com tanta merda temos que nos alimentar fora de casa, em tabernas infectas e tão convidativas ao pifo conjugal. Assim andamos os dois, com uma ressaca de cavalo, agarrados ao medonho café solo espanhol e sempre correndo para a casa de banho.

    Acho que hoje finalmente tudo voltará à normalidade. Não por desistência das partes ou acordo de paz assinado em beneficio das minorias gatunas. A nossa adorada Adriana, a doméstica mais paciente do Universo da Mulheres-a-Dias finalmente pôs fim às suas férias.

    Deus existe e vive em Madrid.

    * copirraite de Mr. Pinheiro, que passa o dia a dizer que lhe copio as expressoes, chato.



    Por Rititi @ 2004/08/12 | Sem comentários »


    momento masturbatorio ou como fazer

    Momento Masturbatório (ou como fazer feliz uma mulher nos dias que correm)

    Uma gaja não ganha para sustos, um dia dou por mim a ser eleita Ministra das Gajas pelos Mega-Magnificos Marretas. E eu, babada, claro, com o meu querido a limpar-me os queixos de babette, que o sofá custou um balúrdio e não há Marretas que paguem a limpeza do cabedal italiano.

    Outro, a famosíssima Charlotte, sempre lider dos topes desta coisa que é a blogosfera, olha para mim e linca-me, toma lá para não te armares em esperta. E eu, com o coração aos saltos e fé em Deus, que por alguma razão se é católica, para agradecer estes quinze minutos de fama bloguística.

    Mas isto… ai, que a gente já não tem o ego para tanto sobressalto… Agora vou empapelar-me com a impressão total do Blogue do Aviz e correr pela Gran Via como uma possessa…

    Isto é como ir ao cabeleireiro, ficamos com o feeling de gaja boa, moderna e gira, mas grátis e sem o paleio com a esteticista que nunca acerta com a merda do penteado.

    (Sorry, mas também uma Rititi tem o direito a ser vaidosa)



    Por Rititi @ 2004/08/11 | Sem comentários »