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Rititi

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INÍCIO

  • querido publico lamento informar mas o

    Querido Público,

    Lamento informar, mas o jovem casal Pinheiro também tem os seus podres, que a gente é comósoutros, mas mantendo sempre a formas nos restaurantes e sítios públicos, pobres mas educados. É que há muito povo que adora mistificar assim os terceiros e se não pomos travão no assunto ainda nos nomeiam a casal do ano, e isso é que não, que somos um matrimónio totalmente alheio às pressões do público em geral e dos media em particular. Nos dias que correm, nada como preservar a intimidade para logo processar alguém por atentado à honra e o caneco. Por algum lado se tem que enriquecer.

    Por exemplo, nestes exactos momentos estamos a atravessar uma fase tramada, pá. Claro que a culpa desta treta toda é dele, como sempre, que de tanto mamar propaganda do Império* (vid Canal História) começou a comportar-se como um yanqui conquistador de espaços alheios, assim, sem autorização da visada, o sea yo misma, ou do direito internacional ditado pela comunidade de vizinhos. De tanto seguir em directo os discursos do partido republicano americano, o meu amor ficou abduzido pelo espírito opressor capitalista e, pimba, toca lá de lançar a campanha preventiva nos meus espaços sagrados: o que começou como um espalhar lento de boxers e meias encima da minha mesinha de cabeceira logo se transformou numa arrogante atitude em contra dos mais básicos princípios da urbanidade. Camisas penduradas na porta do quarto, sapatos na sala, quilos de tishertes no chão ao lado do armário, um nojo e um total desprezo às recomendações do bom senso e das visitas que entretanto deixaram de aparecer por medo a serem estranguladas por um pull-over vingativo. Nada lhe afasta desse seu caminho de isolamento social, mas arrumação népia e a roupa a reproduzir-se pelas esquinas da nossa casa de quarenta metros quadrados.

    Mas já se sabe como somos as gajas, umas putas todas, por isso, em defesa da minha sanidade cutânea (a mental há muito que se perdeu), respondo com o terrorismo doméstico, que é a única linguagem possível quando o gajo lhe dá por se armar em porco invocando a genética, olha, olha, tudo explicado com a descoberta do genoma humano. Pois.

    E como o terrorismo é uma coisa muito séria, eu cá opto pelo método das minas anti-pessoais, neste caso malas anti-pessoais, situadas estrategicamente no corredor criado entre o sofá e a aparelhagem, toma lá a ver se te estampas assim, meu querido. A casa, tudo seja dito, mais parece a Zara em saldos, de tanta mala que há sobre a mesa da sala, a televisão, o fogão e as cadeiras desdobráveis do Ikea. Para descobrir umas calças, o meu querido já criou um mapa realmente complexo com coordenadas temporais à mistura, que para isso Mr. Pinheiro é um homem inteligente e muito criativo. A gata Lucrécia, coitada, é que já pediu por escrito voltar a casa da avó materna, nem o espacinho de cagar dela respeitamos.

    E nisto estamos, caro público, com a cozinha impossibilitada com tanta merda temos que nos alimentar fora de casa, em tabernas infectas e tão convidativas ao pifo conjugal. Assim andamos os dois, com uma ressaca de cavalo, agarrados ao medonho café solo espanhol e sempre correndo para a casa de banho.

    Acho que hoje finalmente tudo voltará à normalidade. Não por desistência das partes ou acordo de paz assinado em beneficio das minorias gatunas. A nossa adorada Adriana, a doméstica mais paciente do Universo da Mulheres-a-Dias finalmente pôs fim às suas férias.

    Deus existe e vive em Madrid.

    * copirraite de Mr. Pinheiro, que passa o dia a dizer que lhe copio as expressoes, chato.



    Por Rititi @ 2004/08/12 | Sem comentários »

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