Querido Blogue
Tristeza não tem fim, férias e dinheiro sim… chacha, y lo agustito que estaba una com sestas de duas horas, pijama e penico, ai meu amor, que bem que se está nesta ilha grega. E ele, que chega-te para lá que estás a ocupar a cama toda, e toca de ressonar, que os almoços nas tabernas de Skyros são cá de uma intensidade…
Curiosos estes gregos, perdidos entre a memória clássica e a história turca (que contará mais?) debatendo-se entre queijo feta e uma nova descoberta arqueológica que impede a construção de casas e algum progresso, e eles a verem-se gregos para chegar a algum lado.
Ai, a história, quanto pesa quando é escrita com maiúsculas, e afinal tanto mito, que foi dele? Que uma gaja vai de férias à procura do Apolo e mais não encontra que pequenos otomanos chungosos e bigotudos, mas quem de verdade sofreu foi o meu Pinheiro, confrontado com aquele brutal festival de celulite, um homem tem os seus limites visuais. Isto é o degredo das gordas! pois é meu amor, aqui as Vénus já não nascem de ostras, há muito que da rebentação das ondas não sai mais que um mexilhão radioactivo.
É que os mitos já não são o que eram, que lhe perguntem ao Bobby Ficher, ontem no tope mundial do xadrês da guerra fria e hoje transformado num lunático de tres al cuarto. Mas o que me doeu nos fundos da alma foi saber que a Martha Stewart é uma ladra, essa líder das donas de casa do Ohio afinal também mente com os dentes todos. Uma mulher já não pode ir de férias sem ter um ataque às noções básicas do urbanismo, dasse.
E agora, entregada a este Madrid de 45 graus à sombra, derretida a massa cinzenta de tanto calor, que saudades reais daquela espécie de Alentejo erguido no mar Egeu, eu que tanto tinha para descansar, que curtas foram as noites gregas. Casas de cal, as lajes das ruas limpas, que próximo é o sentido da limpeza dos povos pobres, e os homens sentados nos poiais azuis na tardinha preguiçosa enquanto as mulheres sobem e descem, atarefadas nesse mundo em câmara lenta.
Ai, meu amor, liga o ar condicionado, tira-me deste filme de autocarros urbanos e os cinco minutos que sempre faltam para tudo, leva-me de volta aos fins de tarde de gin tónico e pop grego, histerias vocais tão parecidas às espanholas, meu amor, devolve-me ao sonho de que é possível viver de livros e peixinho frito.
Ai, a tristeza que não tem fim…

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