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Rititi

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  • querido blogue sou ma pessoa um nojo

    Querido Blogue,

    Sou má pessoa, um nojo, uma pérfida asquerosa que fez o infazível, o proibido pelas mais elementares regras de urbanidade: ontem deixei a minha vizinha do 3 – D na rua às três da madrugada, sozinha à porta do prédio, sem chave de casa e entregue aos bichos e aos porteiros das disco-naites do bairro. O pior, é que ela sabe que fui eu, e agora tenho verdadeiro terror de a encontrar nas escadas. Bem sei isso que não se faz, que é feio e pecado, mas reconheço que me irritou um bocadinho ser arrancada, piii, piiii, do meu sonho jamón, jamón e erótico-gastronómico com o Javier Bardem de tanga de leopardo e eu em poses impróprias para uma mulher casada com um Pinheiro. Uma picuinhice da minha parte ficar fodida assim, porque que me acordem às duas da madrugada com o agradvável som do intercomunicador pegado à orelha durante uma hora, piiii, piiiii, não é nada de especial, aliás para a puta da minha vizinha é coisa corriqueira, que ela gosta é de partilhar os seus hábitos nocturnos com a vizinhança, ignorando que eu vivo no ultimo andar, a oitenta e oitos degraus do nível do chão e com uma acústica do caralho, que quem tem vistas para um pátio interior arrisca-se a coisas destas. E como o cabrão do gajo que vive com ela deve ter tomado uma overdose de xanax deixou a miúda a tocar à campainha como uma possessa, piii, piii, para mal dos meus pecados e do sagrado sono pós fim-de-semana de hiper-actividade social.

    E eu, a arrastar-me pela casa, zombie total e capaz de assassinar alguém, mais exactamente aquela ordinária filha de uma grande vaca, e quando a mandei estar mas é quietinha e que o melhor era ligar para o telemóvel do marmelo, que eu quero é dormir, que aquelas não eram horas para estar a recriar a nona sinfonia com o intercomunicador, ameaçou-me de morte se não lhe abrisse a porta e a deixasse entrar. Cabrona, diz-me a gaja, ábreme la puta puerta o te rajo, e a mim a ideia de ser rachada à metade com um corta unhas pela gaja do andar debaixo assusta-me como o caraças, mas eu caguei e deixei-a com o dedo pendurado e a ordinarice na boca, e cabrona tu, e agora fodes-te, e tu e mais o teu piiii, piiii. Toma lá, para não me voltares a tirar dos braços do Javier do meu coração.

    E agora desço as escadas do edifício com o medo metido no corpo, a esconder-me dela e da sua sede vingativa, que de certeza ficou bem apurada depois do nosso confronto via altifalante comunitário. O meu amor olha para mim e acha-me tarada, que exagero, mas eu sei de boa fonte que os do 3 – D têm um cão criminal, daqueles que comem criancinhas nos condomínios fechados e que são treinados para deixarem uma gaja amputada das mamas. E sei também que pertencem a um gang suburbano e praticam vudu com as minhas cuecas que conseguem roubar e são vampiros que chupam a energia ao pessoal do prédio e, aliás, não pagam o condomínio!

    Acho que o melhor mesmo é mudar de casa antes que a gaja me arranque os olhos num ritual satânico.



    Por Rititi @ 2004/09/14 | Sem comentários »

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