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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • querido blogue desolacao total no meu

    Querido Blogue,

    Desolação total no meu bairro, senhores, porque as coisas já não são como antigamente. Consequência da perda desses valores do sul da Europa tão geneticamente nossos, da relatividade pós-moderna e da especulação imobiliária, pelo menos, que os construtores civis têm sempre parte de culpa na queda dos Impérios Universais. Basta estudar a história de Roma Antiga para constatar os efeitos perversos da subida dos preços nas vivendas do centro: os latinos naturais moveram-se para os subúrbios provincianos e as zonas nobres foram alugadas aos bárbaros, os únicos com posses para suportar rendas tão elevadas. Depois deu no que deu, obscurantismo, Idade Média e a Peste Negra. É preciso ter cuidado, já dizia o outro.

    Mas estava eu a contar que o meu bairro vive momentos de devastação absoluta, e não me refiro só ao facto de o Alcalde Gallardón o ter transformado de repente em Bairro das Letras, pedonal e com sanções mortais a quem se atrever a estacionar o carro algures entre o Passeio do Prado e a Porta do Sol, que já é espaço. Sem automóveis eu até sei viver. Nem me atrevo a queixar-me que os mendigos tenham sido varridos da zona, porque eu não deixo de ser minoria étnica e com estas limpezas urbanas já estamos mais que aviados.

    Não, o que a mim me fez chorar interiormente foi o desaparecimento dos mouros na praça ao lado da minha casa. Não que adore o Magreb ao ponto de me revoltar com a ausência daqueles simpáticos rapazes, não se confundam, mas sucede que estes jovens sem papeis e com a pele escura prestavam um inestimável serviço publico. E só vendiam hache, coitados, suportando chuvas, ventos gélidos das montanhas, de pé, esperando que o cidadão se aproximasse cauteloso, despistando a bófia, à procura da calma psicotrópica depois de um árduo dia de trabalho. E agora, népias, esfumaram-se do mapa, como se nunca tivessem existido. Engolidos pela terra.

    Nem imagina o leitor a hecatombe que provocou na vida do bairro o sumiço destes pobres fornecedores de tabaco marroquino. Lojas que fecham mais cedo, gente mal-humorada a vaguear pelas ruas, até os homens do lixo perderam o perpetuo sorriso nos lábios. E agora procuram-se responsáveis para tamanha catástrofe humanitária.

    Terá sido a Ana Botella, possuída por um ataque de fúria igual à que afectou o negócio do putifério na Calle Montera? Esta mulher é perigosa, é um facto, e se há coisa que não suporta é que nas ruas de Madrid homens saciem a sua fome sexual fora do sagrado casamento. Mas duvido que tenha sido a excelsa esposa do Eterno Defensor dos Impérios Bushianos a tomar esta decisão, por muito que lhe assente como uma luva o papel de mãezinha do povo drogado e miserável. Para senhoras finas como a Ana basta começar com unzinhos e depois, pimba, está tudo agarradinho ao cavalo, a assaltar velhotas nos supermercados e a vender o corpo nas esquinas da cidade. Mas por agora anda muito ocupada a transformar-se no numero dois do PP Madrileno e não lhe sobra tempo para reles assuntos sociais.

    Mas há mais suspeitos: um vereador que se mudou recentemente para uma simpático loft em frente à praça onde trabalhavam os marroquinos e que não estava para se cruzar todos os dias com a cara mais gananciosa da imigração descontrolada; uma associação de mães contra a delinquência juvenil; arrumadores ilegais cujo business estava a decrescer devido ao efeito da inflação nos chiribitis; organizações de artistas contra a fome e até uma banda de ecuatorianos com vontade de ampliar o território.

    Mas no fundo, todos sabemos quem é o responsável final, quem tem o Poder Total para varrer a concorrência da Praça. É ele, o Poderoso, o Omnipresente. O Chefão: o super dealer do terceiro andar do meu prédio, dono de um cão panasca e com uma influentíssima rede de amigos nas policias locais. Como se já não me bastasse partilhar o prédio com um casal de rappers assassinos, multi-orgásmicas estereofónicas e aprendizes de guitarristas.

    Assim não há quem viva sossegada, pá.



    Por Rititi @ 2004/11/29 | 11 comentários »


    rititi educa o povao 14 como kafka

    RITITI EDUCA O POVAO (#14)

    Como Kafka, estive quase a transformar-me numa barata, mas do género da funcionária-mental. Das nove às cinco, café corporativo e almoços temperados com fatos brilhantes da Cortefiel. O Big Bother já não é um líder déspota, é um chefe armado em colega fixe que nos trata por tu.

    Mas, até nas piores horas de tortura, uma mulher agarra-se aos seus valores para se sentir viva. Consegui sobreviver, caros leitores, à formação, aos colegas, às horas de tédio, aos macacos no nariz, às piadas de merda.

    E tudo graças, ao Rubem Fonseca, meu guia, meu gurú, Prémio Camões e um dos melhores autores da língua portuguesa. E brasileiro, claro.

    Obrigada, Rubem Fonseca, obrigada.



    Por Rititi @ 2004/11/26 | 8 comentários »


    que tipo de colega gilipollas e voce

    QUE TIPO DE COLEGA GILIPOLLAS É VOCÊ?

    (Tributo aos testes blogosféricos)

    Qual é a afirmção que mais o identifica quando está a tomar café no descanso do curso de formação?

    - A minha pila é maior ca tua.

    - O meu filho é melhor que o teu.

    - O meu crédito à habitação é mais caro que o teu.

    - O meu carro tem mais cavalos que o teu.

    - A minha mulher é mais bronca ca tua.

    Ainda bem que tenho tempo para ler a teoria da Santanete segundo a Santa Papoila senão dava comigo em maluca.



    Por Rititi @ 2004/11/23 | 10 comentários »


    nota informativa autora deste blogue

    NOTA INFORMATIVA:

    A Autora deste blogue foi sequestrada pelos Recursos Humanos dessa máquina de escravidão que se auto-intitula Empresa.

    A Autora manda dizer que a tratam bem, que come com certa regularidade e que por agora os sequestradores não pedem resgate nem lhe arrancaram nenhuma orelha.

    A Autora só voltará ao mundo dos blogues quando acabar o curso de formação mais inútil da história, se antes não cometer um homicídio ou rebentar com o sistema informático da Empresa.

    A Autora odeia perder tempo com formações de merda que só servem para confraternizar com gajos chamados colegas que são mais desinteressante que uma gala daquela aberração pedófila chamada Bravo Bravíssimo.

    A autora agradece as visitas e os possíveis comentários durante esta ausência forçada.

    Assinado,

    Rititi em prisão preventiva.



    Por Rititi @ 2004/11/22 | 15 comentários »


    rititi educa o povao 13 hoje declaracao

    RITITI EDUCA O POVAO (#13)

    Hoje, declaração de interesses.

    Este Blogue é Fumador, Privado e está-se a cagar para a moral impoluta de quem nunca bebeu um copo a mais ou fumou um charro porque sim.

    Este Blogue pretende viver cinco anos menos se com isso pode ter uma existência feliz de cigarro na mão e noites mal dormidas.

    Este Blogue manda foder os inquisidores da Saúde Pública.

    … E antes que me retirem o seguro médico, vou aproveitar para ver se encontro o novo filme de Jim Jarmusch, Coffee and Cigarretes.

    Com Tom Waits, Roberto Benigni, Iggy Pop e a fabulosa Cate Blanchett a discutir à volta de uma mesa de café a fumar um cigarrinho. E Bill Murray a fazer de si próprio e a tentar passar desapercebido num restaurante manhoso.

    E agora proíbam-me lá fumar nos restaurantes, cafés e discotecas. E eu ralada.



    Por Rititi @ 2004/11/19 | 23 comentários »


    duvidas pessoais e intransmissiveis

    (Dúvidas pessoais e intransmissíveis quando na rua estão 5 graus e pouco se tem para escrever)

    - Quem é o meu leitor d’A Bola? Mostre-se homem, que ando intrigadíssima. Aliás, até me podia explicar esse dogma de fé que é o fora de jogo. Eu bem aprendi a teoria, eu bem olho para o posicionamento do ponta de lança no esquema táctico. Mas népias. Se gajas tem destas coisas, ou então os meus ovários impedem-me entender os verdadeiros mistérios da vida.

    - Porque a Letizia não fica grávida? Cara Princesa, preciso urgentemente de temas para as minhas crónicas mais rosas. Já me estou a imaginar a calejar o dedo no teclado com o nome do herdeiro. Pelayo ou Covadonga? Já não me basta com saber sobre a evolução do cancro da Jurado, nem me interessam as intrigas do transexual do Gran Hermano, ando com pouca pachorra para a exumação do cadáver cocainómano da Carmina Ordoñez. Ainda por cima, parece que o Fran e a Eugénia se separaram de vez, e eu desolada, pá, com o jogo que dá sempre a casa de Alba. Mas não, a duquesita anda entretida com o Colate e do toureiro nada se sabe.

    - Acho muito bem quem que a Chanel se democratize através da H&M. Mas o que me toca el coño, tú, é que no dia da inauguração da colecção do Karl tenham fechado as lojas para as VIP’s, essas que podem e devem gastar dois mil euros numas cuecas com o símbolo inventado pela Coco. Como sempre o povo a levar na cornamenta para não ter manias de grandeza.

    - Continuo a perguntar-me para que serve a mudança da hora. Poupa-se aonde?

    (agora vou comprar uns collants de lã, quem me manda usar mini saia cor de rosa num dia em que até os pássaros andam de cachecol)



    Por Rititi @ 2004/11/17 | 11 comentários »


    querido blogue uma gaja ja nao tem

    Querido Blogue,

    Uma gaja já não tem idade para isto, e isso que a minha vida social ainda não chegou a essa maturidade que obriga ao casal moderno a uma sessão de cinema semanal, ao domingo e depois do almoço em casa da sogra. Quando não se têm trinta anos na pele não vale a pena fingir-se adulta e responsável bebedora do cafezinho e uma água das pedras, se faz favor.

    Por isso a leitura pela nossa blogosfera de bujardas como “A mulher só se completa com a maternidade”, deixa-me fora de órbita, out total. Até se me caiu a pestana, como te lo cuento chacha. Como se não me bastasse a onda de frio polar que ameaça a cidade e a macabra visão de Aznar a tentar falar inglês numa universidade facho-liberal lá nos Estates, toma lá com a Teoria da Mulher Completa ao pequeno-almoço e patrocinada pelo cristianismo new age que tanto parece estar na moda na Internet lusitana.

    Completa, como? Porque os ovários funcionam correctamente? Porque escuta a chamada da natureza, essa que nos faz perpetuar a espécie e os apelidos pelo tempo fora, como se a extinção do género humano fosse eminente? Completa porque o sentido da existência feminina é parir, amamentar, limpar cus a putos e transmitir valores como a família tradicional, o T-3 com dois lugares de garagem e as férias na Quarteira?

    E que acontece às mulheres estéreis? Estarão condenadas ao ostracismo dos lares da terceira idade, sozinhas e sem netos que as visitem cada quinze dias para receberem quinhentos paus para rebuçados? E as freiras de clausura, serão menos mulheres só porque decidiram entregar a vida à oração e à confecção de doces conventuais?

    Serei eu pouco mulher se decido não parir? Começarão a nascer-me pelos no peito e a falar com voz de camionista se continuar a adiar a minha inevitável condição biológica? Devo sentir-me amputada na feminilidade, de acordo com a Teoria da Mulher Completa, se me ficar pelo papel de tia porreira, dessas que sacam os filhos dos outros para os copos na adolescência e lhes ensinam a dizer caralhadas? Poderei aspirar a algum lugar de respeito nesta sociedade politicamente correcta se continuar indiferente às montras com vestidos de bebés e canções sobre patinhos e ursinhos? Haverá para mim redenção se considerar que me completo só com o amor do meu marido e jantares a dois e serões de ronha e carinhos em silêncio? Não há quem ponha limites a tanto disparate e convenções materno-sociais?

    Por agora, a pressão parideira, o comummente chamado relógio biológico, parece não me afectar demasiado. Porque tenho uma Mãe jovem, moderna e muito decente que não me chateia com o tricotar de pantufas. E porque as minhas prioridades não passam por mudar de casa e de tamanho de soutien. E porque as minhas madrinhas de casamento, as duas e em simultâneo, decidiram engravidar, preenchendo assim a minha quota de maternidade.

    E sobretudo porque não me apetece, cum caraças. Que se metan la teoría de la Mujer Completa por el culo!



    Por Rititi @ 2004/11/15 | 40 comentários »


    rititi educa o povao 11 o que nos

    RITITI EDUCA O POVAO (# 11)

    O que nos diferencia dos bichinhos não é a nossa capacidade para controlar os instintos, fornicar com camisinha e ter 1,14 filhos por casal. Nem o dom de compor sinfonias como a 40 de Mozart, ou escrever livros para encher as estantes de prémios e reconhecimentos.

    O que nos faz diferentes, o que nos ajudou a subir no escalão evolutivo, o que fez que os Neandertais se extinguissem, foi o sentido de humor. Quando os Cromagnons aprenderam a rir-se de si próprios, o Homem candidatou-se ao lugar de Rei do Planeta. Só seremos desbancados quando os macacos aprenderem a contar anedotas, ah pois.

    E hoje, um expoente do humor gráfico em Espanha, Forges, que todos os dias nos faz rir no El Pais e semanalmente no El Jueves.

    Uma dádiva. Ainda bem que não sou macaco.



    Por Rititi @ 2004/11/12 | 8 comentários »


    querido blogue novembro mes dos mortos

    Querido Blogue,

    Novembro, mês dos mortos e do fim da chuva, céus limpos sobre Madrid e na Catedral da Almudena, missas, procissões e entrega de flores à padroeira da Capital. Dizem que ontem dez mil gajos ouviram missa na Plaza Mayor, e eu acredito-me, que nisto da fé cada um agarra-se ao que pode e lhe contaram na escuridão da infância. Ninguém me deu autoridade para recriminar devoções ancestrais, pelo que me mantenho calada e fora dos hinos em honra da Virgem. Pela mesma razão, fico-me longe das homilias do Bispo Rouco Varela, casamenteiro real e acérrimo defensor dos supostos valores que unicamente parecem pertencer ao universo católico. Não se confundam, não será este um pasquim anti-clerical em pró da abolição da Igreja milenar e romana, porque para alguma coisa pertenço ao clube dos baptizados, confirmados, casados e, horror total, confessados nesta fé de São Paulo e Concílios sobre a pureza da Mãe de Cristo. Conjunturas territoriais, claro, porque tocou-me nascer neste lado do mundo, hemisfério norte e sul da Europa. Por muito que quisesse, não poderia ser muçulmana, nem anglicana e muito menos budista. Por preferir religião, até me daria pelo judaísmo, coisa de pedigree, secretismo e festas com nomes impossíveis de pronunciar. Mas não, sou católica, por conformismo religioso e porque até condiz com aquilo a que chamo princípios morais básicos de convivência. Ou em linguagem pop: live and let live. Não mates, não mintas, não comas a mulher do teu vizinho. Regras de buen rollo social, que não chateiam ninguém.

    Mas este pacifismo sócio-moral que impregna o dia a dia dos europeus que aderiram por costume ao Catolicismo está a ser minado. E não por esquerdalhos, não por ateus cabrões, não por outras fés de véu. Quem anda a foder os cornos e a possibilidade de novos sócios para as paróquias urbanas é a cúpula da Igreja, pejada de fundamentalistas da Opus Dei e super-numerários, virgens mentais e castradores complexados. Agora que em Espanha o novo Governo avançará com a necessária legalização do matrimónio homossexual, as hierarquias casposas e de hábitos perfumados de naftalina franquista elevaram o grito aos Céus e aos votantes pedindo mobilizações em defesa da verdadeira família. Quando Amenábar estreou o filme sobre a vida e a luta pela morte digna de Ramón Sampedro, homem entregue à condição vegetal por culpa de um estúpido acidente juvenil, a Conferencia Episcopal ameaçou com manifestações em contra da Eutanásia, questão que não defendia o filme protagonizado por Javier Bardem. Fala-se desde o Conselho de Ministros em reformar as condições da Concordata e os padrecos tremem, gritam e falam em conspiração ateia contra a Santa Mãe Igreja.

    E eu, católica de cidade e pouca dada a missa obrigatória, que até acredito sem histerismos que a mensagem de Cristo é porreira e inspiradora, crente no amor ao próximo e no perdão incondicional, sinto-me traída por um conjunto de hipócritas auto-intitulados defensores da ideia retrógrada da família, a pureza e o caralho que os fez. E eu, que me estou a cagar se duas fufas se vestem de noiva e entregam uma única declaração de IRS, pergunto a esses bispos e cardeais onde esconderam a compaixão cristã, a eles que tanto lhes incomoda que um paralítico decida que a vida acaba porque simplesmente não é vivida ou que uma criança de quinze anos aborte porque foi violada.

    Quinze anos depois da queda do muro de Berlim, outros muros se levantam, muros de mentiras e fundamentalismo espiritual. Só assim se entende que enquanto as mulheres ganham mais poder na sociedade um Ratzinger qualquer impunemente assine encíclicas sobre o papel maternal do grelo. Só assim se entende que, num mundo crispado por al-quaedos e burkas, o Vaticano concorde com um filme tão esquizoide como A Paixão, assinado por um outro fundamentalista como o Mel Gibson. Para quem não saiba, este imbecil racista, homofóbico e auto-proclamado católico, não só continua a ouvir as missas em latim, como renega do Concilio Vaticano II, lufada de ar fresco e ultima oportunidade para a renovação de uma Igreja castigada por inquisições, mortes nas cruzadas e obscurantismo supersticioso.

    Depois admirem-se que as igrejas fiquem às moscas. Não existe outra conspiração conta a Igreja que a feita por ela própria.



    Por Rititi @ 2004/11/10 | 27 comentários »


    querido blogue finalmente chegou o

    Querido Blogue,

    Finalmente chegou o ansiado dia em que se põe fim à minha seca conjugal. Mr. Pinheiro vem a caminho de Madrid num avião da TAP e eu despacho-me a pôr ordem nesta casa de quarenta metros quadrados. Não é fácil esta solidão obrigada, e manter a sala arrumada muito menos, porque bastam uns dias de isolamento matrimonial para voltar a velhos hábitos de solteira. Sapatos pela sala, uma tarde de sábado a mamar filmes de terceira categoria sobre discapacitados que vencem na vida, rodeada de revistas do corazón e quilos de pevides, e muito gin tónico, que uma coisa é estar sozinha e outra é manter-me sóbria por castos motivos sociais. Nada, que por muito que me doa saber o meu gajo a seiscentos quilómetros, não vou cair na depressão do silêncio.

    E sabe bem, toca de me sincerar neste meu espaço rosa cueca. Uma hora de depilação na banheira com os concertos para flauta de Mozart como banda sonora original, cortar as unhas dos pés na sala à frente da saga Indiana Jones, visitas às páginas da VOGUE UK, encomendar tele-merda a deshoras, dormir no sofá, comer mais um iogurte depois de uma tablete de chocolate preto e uma laranja, tirar as ramelas à Lucrécia, tudo na primeira pessoa do singular.

    Eu vou lá abaixo comprar tabaco, eu vou limpar o armário, eu não vou beber copos porque eu prefiro ficar-me a pastar de comando na mão, eu tenho saudades de ti, meu amor, quando voltas, despacha-te, que estás a fazer.

    Não é ser chata, é querer estar com o meu Pinheiro lá na terra, porque seis dias é muito tempo para relembrar o ano em que estivemos separados, cada um a contribuir para um PIB diferente e a lágrima sempre no canto do olho. Não me apetece regressar à separação física, não quero voltar a fundir-me com o sofá num dos mais impressionantes processos de osmose conhecidos no Mundo Ocidental, não quero tornar a enriquecer uma outra companhia telefónica.

    Quero o que tenho. Sou feliz assim.

    E agora, senhores espectadores, vou-me ausentar por uns momentos. Há muito escrita para pôr em dia (e a casa por arrumar, que coisa).



    Por Rititi @ 2004/11/07 | 10 comentários »