Quarta-feira, Novembro 10, 2004

Querido Blogue,
Novembro, mês dos mortos e do fim da chuva, céus limpos sobre Madrid e na Catedral da Almudena, missas, procissões e entrega de flores à padroeira da Capital. Dizem que ontem dez mil gajos ouviram missa na Plaza Mayor, e eu acredito-me, que nisto da fé cada um agarra-se ao que pode e lhe contaram na escuridão da infância. Ninguém me deu autoridade para recriminar devoções ancestrais, pelo que me mantenho calada e fora dos hinos em honra da Virgem. Pela mesma razão, fico-me longe das homilias do Bispo Rouco Varela, casamenteiro real e acérrimo defensor dos supostos valores que unicamente parecem pertencer ao universo católico. Não se confundam, não será este um pasquim anti-clerical em pró da abolição da Igreja milenar e romana, porque para alguma coisa pertenço ao clube dos baptizados, confirmados, casados e, horror total, confessados nesta fé de São Paulo e Concílios sobre a pureza da Mãe de Cristo. Conjunturas territoriais, claro, porque tocou-me nascer neste lado do mundo, hemisfério norte e sul da Europa. Por muito que quisesse, não poderia ser muçulmana, nem anglicana e muito menos budista. Por preferir religião, até me daria pelo judaísmo, coisa de pedigree, secretismo e festas com nomes impossíveis de pronunciar. Mas não, sou católica, por conformismo religioso e porque até condiz com aquilo a que chamo princípios morais básicos de convivência. Ou em linguagem pop: live and let live. Não mates, não mintas, não comas a mulher do teu vizinho. Regras de buen rollo social, que não chateiam ninguém.
Mas este pacifismo sócio-moral que impregna o dia a dia dos europeus que aderiram por costume ao Catolicismo está a ser minado. E não por esquerdalhos, não por ateus cabrões, não por outras fés de véu. Quem anda a foder os cornos e a possibilidade de novos sócios para as paróquias urbanas é a cúpula da Igreja, pejada de fundamentalistas da Opus Dei e super-numerários, virgens mentais e castradores complexados. Agora que em Espanha o novo Governo avançará com a necessária legalização do matrimónio homossexual, as hierarquias casposas e de hábitos perfumados de naftalina franquista elevaram o grito aos Céus e aos votantes pedindo mobilizações em defesa da verdadeira família. Quando Amenábar estreou o filme sobre a vida e a luta pela morte digna de Ramón Sampedro, homem entregue à condição vegetal por culpa de um estúpido acidente juvenil, a Conferencia Episcopal ameaçou com manifestações em contra da Eutanásia, questão que não defendia o filme protagonizado por Javier Bardem. Fala-se desde o Conselho de Ministros em reformar as condições da Concordata e os padrecos tremem, gritam e falam em conspiração ateia contra a Santa Mãe Igreja.
E eu, católica de cidade e pouca dada a missa obrigatória, que até acredito sem histerismos que a mensagem de Cristo é porreira e inspiradora, crente no amor ao próximo e no perdão incondicional, sinto-me traída por um conjunto de hipócritas auto-intitulados defensores da ideia retrógrada da família, a pureza e o caralho que os fez. E eu, que me estou a cagar se duas fufas se vestem de noiva e entregam uma única declaração de IRS, pergunto a esses bispos e cardeais onde esconderam a compaixão cristã, a eles que tanto lhes incomoda que um paralítico decida que a vida acaba porque simplesmente não é vivida ou que uma criança de quinze anos aborte porque foi violada.
Quinze anos depois da queda do muro de Berlim, outros muros se levantam, muros de mentiras e fundamentalismo espiritual. Só assim se entende que enquanto as mulheres ganham mais poder na sociedade um Ratzinger qualquer impunemente assine encíclicas sobre o papel maternal do grelo. Só assim se entende que, num mundo crispado por al-quaedos e burkas, o Vaticano concorde com um filme tão esquizoide como A Paixão, assinado por um outro fundamentalista como o Mel Gibson. Para quem não saiba, este imbecil racista, homofóbico e auto-proclamado católico, não só continua a ouvir as missas em latim, como renega do Concilio Vaticano II, lufada de ar fresco e ultima oportunidade para a renovação de uma Igreja castigada por inquisições, mortes nas cruzadas e obscurantismo supersticioso.
Depois admirem-se que as igrejas fiquem às moscas. Não existe outra conspiração conta a Igreja que a feita por ela própria.



29 Comentários:

Na 1:22 PM, Blogger rosa carne disse...

Primeira reação: que confusão, a Rititi passou-se e não se percebe patavina... Mas afinal percebe-se tudo, a inconsistência dos valores com as acções, a intolerância, o fanatismo, o querer parecer bem, a incapacidade de ir contra o sistema...
Bom post, pela revolta!!!

 
Na 1:31 PM, Blogger chOURIÇO disse...

Finalmente postas uma coisa que expressa uma opinião de fundo sobre alguma coisa. Concordo.

 
Na 2:26 PM, Blogger Resderes disse...

Na "muxe"!
Beijinhos grandes que devem ser alargados ao MR. P. (e não leva mais "P's").

 
Na 2:59 PM, Blogger exactamente disse...

A igreja é quase tudo aquilo que não devia.
Tentou criar um mundo à sua imagem, falhou, e lentamente, esse mundo está a emancipar-se. AInda bem.
A maioria dos católicos já diz: acredito em Deus mas não acredito na igreja.

 
Na 3:38 PM, Blogger vieira do mar disse...

O teu melhor post de sempre, até ao momento, minha querida!
Muitos parabéns! Está muito, muito bom (e escudado será dizer, concordo com tudo!) :):):)

 
Na 4:59 PM, Blogger clô disse...

Bravo, bravo! Só ainda não percebi porque é que o Bono aparece a tirar fotos com o Papa, e a fazer graçolas de rapariga (género "ai deixa-me experimentar os teus óculos escuros, são o máximo"). Já não há heróis?

 
Na 5:11 PM, Blogger rititi disse...

Esta Igreja é uma fonte inesgotável de post e queixas. E que se escrevam por católicos, que para isso a Igreja é do povo (de Deus...).
Clô: outra vez estou proibida de entrar no lost in translation, porra, pá!
Vieirinha, a gente TEM mesmo que se ver, ó pá!

 
Na 6:09 PM, Blogger O_Pombo disse...

Adoro quando falas dessa forma bruta!

 
Na 6:13 PM, Blogger Problematica disse...

Tavas bem era a ir a Taizé, era o que era!
Tal como eu...


www.penso-blogo-existo.blogspot.com

 
Na 6:52 PM, Blogger sharkinho disse...

Serve o presente para lhe apresentar um pedido público de desculpas que reitero com maior detalhe no meu blogue. Vale pelo que vale, mas é o melhor que sei fazer nestas embaraçosas circunstâncias.
Lamento qualquer transtorno que lhe causei.

 
Na 8:02 PM, Blogger rititi disse...

Como crente no "perdão incondicional" e demais ensinamentos do JC, aceito as suas desculpas.
Agora, desampare-me a loja.
Obrigada

 
Na 9:38 PM, Blogger gracinha, a artista do burlesco disse...

Precisamente. O amor ao próximo, afinal é um conceito bem mais restrito do que o que defendem e pior... que ensinam. Mas Rititi, há tanto por onde pegar... acho que no final, só nos resta o consolo de vivermos nós a nossa crença, à nossa maneira.

 
Na 2:06 AM, Blogger vieira do mar disse...

Já o li outra vez. :)

 
Na 2:43 AM, Blogger ginger ale disse...

yah,

é verdade

a Igreja podia ser assim tipo a escolinha dos mais velhos, aliás de todos, e veicular essas coisas do amor ao próximo, n f`**** a mulher/marido do zinho/a, etecetera e tal, os valores inerentes a uma sã convivência social

a merda toda está em q eles fazem um filme a q ninguém tem pachorra pra assitir, cheira a naftalina e, o q é mais, nem às vezes conseguem dar o exemplo

ora assim bardamerda

(e agora termino com um bitaite sociológico la palissiano)

o mundo iria muito melhor hoje se alguem (a Igreja ou outra instituição) conseguisse passar, incutir uma série de valores na malta

bem, acabei

agora posso continuar a roubar velhinhas indefesas

%>

 
Na 10:55 AM, Blogger Stephen King disse...

Para além de concordar com a generalidade dos argumentos apresentados neste post, sou ainda um pouco mais ferrenho, já que como agnóstico convicto, nada tenho contra a fé individualmente experienciada como um fenómeno psicológico, ( com a sua beleza intrinseca), mas sou ferozmente anti-clericalista. Para mim, qualquer organização fundamentaloide, seja ela cristã ou muçulmana ou do do advento das batatas fritas, é sinónimo do pior que a civilização pode fazer aqueles que a constituem.
Julgo sinceramente que a lógica de qualquer fé deveria ser o crescimento do ser humano enquanto tal, no melhor que tem, e sobretudo, nas palavras de Rui Zink num seu trabalho de BD que muito aprecio, "é não fazer mal." Aos outros, a si mesmo.
Procurar ser activo a chegar ao próximo. Ser solícito. Sem rendições claras ao cinismo e à inércia nas esferas afectivas de todos os dias. E sobretudo não apoiar a nossa capacidade para fazer bem numa entidade julgadora que anda a anotar os nossos passos como o pai natal fará ás crianças.
Porque o céu ou o inferno somos sempre nós.
Grande post.

 
Na 11:15 AM, Blogger rititi disse...

SK,
Desde que homem se deligou do macaco e começou a olhar para cima, sempre precisou que as demonstraçoes de fé fossem de certa maneira hierarquizadas. Para o bom e para o mal.
Os fundamentalismos nao sao exclusivos de uma fé específica. Há gente maluca em todo o lado!
Bjs

 
Na 1:09 PM, Blogger juaquinito disse...

A religião é o ópio do povo (Karl Marx). O ópio é bom pra caraças, mas é muita caro. O povo tá de tanga e não tem massa nem pró ópio. Assim sendo consome ópio muita marado que se chama religião e é de borla. Em dias de festa perde o amor a 30 euritos, enrola-se no cachecol da águia, pega no estandarte vermelho e vai até à catedral. Se a coisa corre pró torto chega a casa e leva porrada da mulher.

 
Na 3:49 PM, Blogger Victor Lazlo disse...

Estou em crer que Silas, o monge albino, foi já despachado para Madrid numa pequena missão anti-rititiana.

 
Na 5:15 PM, Blogger rhhu disse...

Querida Rititi, não nos conhecemos mas fiquei com a certeza de que és absolutamente infeliz por mais que mintas a ti própria todas as manhãs para te convenceres do contrário. É pena. E triste.

 
Na 5:42 PM, Blogger rititi disse...

Cara... como é que é... Dedicatória, pois isso.
Confesso: sou super infeliz, uma desgraçada da vida e da alma, sofro como uma beata abandonada no cinzeiro. Ninguém me fuma, ninguém me lê. A minha vida de mulher urbana e bem vestida não tem sentido neste vale de lágrimas e ordenados que não chegam. Vou-me atirar aos pés dos Principes de Asturias para que me adoptem na casinha de dois mil metros quadrados. Vou-me confessar com o Padre Manolo à frente de um balde de uisque à espera da absolvição eterna.
Ah, não posso. Tenho que ir à festa de aniversário do Diario El Mundo. Cum caraças. Fica para amanhã.
Ai, filha, como diria Rodriguez Ibarra, presidente da Extremadura: métete tus tonterías donde acaba la esplada. En el culo.
Chaué.
(já agora: que boa maneira de publicitares o teu blogue, ah?)

 
Na 6:01 PM, Blogger Jerusa disse...

Esta mensagem foi removida por um administrador do blogue.

 
Na 6:11 PM, Blogger Jerusa disse...

Olá
Gosto muito de ler o teu blog, aliás coloquei-o na lista dos meus preferidos no meu próprio blog (que partilho com uma amiga).
Gostaria que o visitasses e já agora, se quiseres, que os coloques na cuequinhas ao sol.
Felicidades
Creusa

 
Na 6:19 PM, Blogger Jerusa disse...

ooppsss...já agora convinha o link www.creusassa.blogspot.com

 
Na 9:46 PM, Blogger sara disse...

querida Rititi, eu já fui à catequese... eu até já DEI catequese..mas fui ao longo da vida apreciado atitudes, ideias, crenças da igreja que me impressionaram e sobretudo me inquietaram. Deixei de dar catequese, raramento vou à Igreja, mas não deixei de ser católica.. sou é contra a Igreja e tudo o que ela (ou amaior parte dela) representa...

 
Na 6:32 PM, Blogger abf disse...

Excelente!

Mas não é só esta a Igreja, ou melhor, religião... há mais extremismos da porra.
Gostei imenso do post. Também venho a sentir a mesma revolta, para não dizer outra coisa, tipo sentir que uma boa parte do desenvolvimento da sociedade e cultura ocidentais foram completamente fodidas pela Santa Madre Igreja...

Só me dá vontade...de dar a fumar... enão cigarros..e nunca a uma freira, porra! Ainda me convertia, que sou fraco, nessas coisas, eheheh

 
Na 8:01 PM, Blogger Rui Pelejão disse...

Já viste Rititi, como conseguiste convocar aqui um verdadeiro diálogo ecuménico. Fizeste aquilo que séculos de evangelização a martelo não lograram e o que o Wojtila anda a fingir que faz há mais de 20 anos - o diálogo confessional.
O unanimismo dos comentários é tal, que nem uma santa concordata faria melhor. Ateus, agnósticos, místicos, anarquistas, beatos, ex-cataquestistas, católicos progressistas, modernaços, bloquistas, místicos e opinativos "fast food", todos têm uma colherada para meter na Bíblia e uma farpa para espetar no pandeiro dos cardeais.


Eu que dos mistérios da fé pouco entendo (a não ser no meu Benfica, em que deposito uma fé inabalável), e tudo o que sei aprendi no "Código da Vinci" ( ;)
parece-me que o que tu estás a pedir à Igreja Apostólica Romana é a negação da sua própria história, que é um produto sintetizado das maluquices dos gregos do direito romano e de uma hierarquia fascizóide que prosperou a partir da Contra-Reforma e cujo instrumento mais temível e monolítico é o mito da infalibilidade papal.

Pedir à Santa Igreja que se regenere e se modernize, é o mesmo que pedir a um velho comunista que acredite que os massacres de Estaline não existiram.

Aliás, o dilema que se coloca à Igreja Católica é muito parecido com aquele que se coloca ao Partido Comunista Português - manter os dogmas ortodoxos e conservadores, e ir perdendo base social de apoio, ou embarcar numa via reformista, que sabe onde se começa e não se sabe onde acaba.


Os dogmas católicos existem para assegurar uma unidade formal, entre a Igreja universal - o Império Romano Sobrenatural - e uma comunidade de fiéis que não se esgota nas igrejas de Madrid, Lisboa ou Roma.

E se aos católicos bem informados e progressistas pode parecer que as fufas se podem casar e meter o IRS juntas e que as mulheres podem ser ordenadas e que o amor pode ser livre e que a eutanásia é legítima e que o aborto deve ser consentido (em certos casos); essa é uma discussão que não faz qualquer sentido em Tombuctu, em Manila ou em Manágua, onde as Igrejas estão cada vez mais cheias.

A agenda de "aggiornamento" da igreja católica que defendes é compreensível para europeus cultos, letrados e identificados com problemas contemporâneos, não o é certamente para muitos milhões que esperam da Igreja e da mensagem de Cristo o conforto, a esperança e o apoio para as suas misérias, que muitas vezes se resumem a não ter o que comer, e que precisam de um código ritualizado com uma linguagem de valores simples e culturalmente aceitáveis.

Uma Igreja conservadora e fortemente hierarquizada está cada vez mais desenhada para estender o seu domínio evangélico ao terceiro mundo e ao mesmo tempo preservar o poder de influência nas sociedades ocidentais.

Apesar disto não está livre de ameaças de cisões (de que o Vacticano já teve a sua dose), como recentemente aconteceu com o Sinódio de Bispos africanos, e por isso sabe, que qualquer "revolução" teológica podia ter consequências devastadoras na sua unidade e estrutura litúrgica.

Dizer que os Cardeias Ratzingers e outros membros da linha dura da cúria romana são meros "facistas" e trogloditas, e também um pouco simplista, porque mesmo os ortodoxos sabem perfeitamente o que estão a defender - são diplomatas cultos e refinados - estão a tentar defender o poder e a manutenção da Igreja Católica como uma força conservadora que sirva de travão aos desvarios liberais e experimentalistas que grassam pelo mundo. Podem até ser uns super-beatos inflexíveis, burros não são certamente.

Como não sou católico, também acho que a Igreja perdeu uma oportunidade de se renovar e abrir ao mundo moderno quando fez a traição do Concílio II, mas se virmos bem, e na longa tradição hierarquizadora, castradora e fundamentalista da Igreja Católica, o Concílio Vacticano II é que foi um acidente de percurso que contrariou séculos de medievalismo interesseiro, durante os quais se ergueu o mais monumental embuste da história da humanidade, que nasceu do dia em que na luta fraticida entre os apóstolos, venceu a Pedra da Igreja - S. Pedro - e saíu derrotado - S. Paulo - o coração.

A Igreja Católica Romana não tem coração desde aí (salvo raras e honrosas excepções, como Frei Bartolomeo de las Casas), e não me consta que vá ter nos tempos mais próximos.

Quem quiser defender as nobres causas humanas e liberais pode sempre filiar-se no Bloco de Esquerda, em ONG`s ou aderir a uma das múltiplas seitas que se oferecem nesse imenso mercado da fé, escusa é de pedir à Igreja para fazer uma reforma contranatura.
Acho perfeitamente possível acreditar em Cristo e em Deus sem ser necessário recorrer aos serviços de um intérprete simultâneo vestido de batina. Acho que a verdadeira fé não precisa de mediação nem de liturgias.

Cá por mim como agnóstico com costela jacobina, a Santa Igreja pode continuar exactamente na mesma - conservadora, medieval, bafienta e ensimesmada. E, mais, pode e deve manifestar-se contra o casamento de homossexuais, porque se não o fizesse deixaria de se a Igreja Apostólica Romana e passaria a ser outra coisa qualquer. Numa era em que os novos evangelhos são ditados pelas luminárias do politicamente correcto, é bom que haja instituições antiquadas e conservadoras que defendam exactamente o oposto, porque só no equilibrio entre esses dois extremismos poderemos encontrar o equilibrio da sociedade que é normalmente onde está situado o bom senso.

Quanto ao resto, de longe o teu melhor post dos últimos tempos.

Beijinhos do gajo que vai entornar água benta na testa do teu futuro filho e segurar uma vela na mão.


PS:O próximo Papa será decisivo para o futuro da Igreja Católica, mas eu cá temo que eles vão eleger o Jerónimo de Sousa lá do Vacticano, por isso o melhor é continuar crente ... do meu Benfica.

 
Na 8:05 PM, Blogger Rui Pelejão disse...

Só mais uma coisinha. Espero que os velhadas lá do Vacticano aproveitem o novo Papa para fazerem uma coisa que está metida na gaveta desde o Vacticano II. A "despenalização" da contracepção, dogma que tem uma consequência dramática na sáude pública, na defesa da vida e da qualidade de vida de milhões de fiéis pelo mundo inteiro, especialmente no "tal" Terceiro Mundo onde a Igreja Católica vive em plena expansão.

 
Na 11:21 PM, Blogger rititi disse...

Meu queridíssimo Pelé e futuro padrinho do primeiro Pinheiro ibérico,
(pequeno resumo de tudo que te queria dizer, mas a gente fala depois)

Não, não podias esperar a um uisque no Bicaesente para discutir este apaixonante tema, não, tinhas que escrever um comentário que sozinho merecia um blogue... Ainda bem.
Como católica, não defendo o fim da hierarquia da Santíssima Mãe Igreja, deusmalivre. Aliás, nem pretendo que seja uma ongue de esquerdalhos super fixes e mega modernos. A ideia do Ratzinger com tenis da Camper enoja-me mais que as encíclicas que escreve.
Entendo que a Curia defenda com unhas e dentes a perpetuação de dogmas de fé como o Espirito Santo e a natureza divina de Cristo. É compreensível que perpetuem o papel de Maria como modelo para as mães católicas. Está bem.
Mas que se oponham a que as fufas, panascas e transvestidos de casem CIVILMENTE, por livre vontade já me parece demais. Aliás, não obrigam a nenhuma noviça a casar-se com a madre superiora.
(inserir aqui exemplos divertidos para a eutanásia, o aborto, a homossexualidade em geral, o tamanho das saias e o hino de Espanha)
Não são as comunidades urbanas que mais se afastam da ideia castradora desta curia dominada pelo Opus Dei e os inefáveis Legionários de Cristo. A América do Sul é mais protestante que católica. Como cogumelos nascem igrejas evangélicas com pastores pop stars que, esses sim, parecem dar mais conforto a populações miseráveis ao som de guitarras, «Cristo ti ama, meu irrrmão» e em prime time para o povo esfomeado. Em Africa aconchegam mais os pastores ingleses com versões dos beatles do Ave Maria de Schubert que os jesuitas e o São Ignacio de Loyola.
E sim, que deixem de excomungar o preservativo, cum caraças.
Outra coisa: São Paulo, o coração da Igreja? Digamos que foi o primeiro que teve a visão de comunidade de interesses comuns. São Paulo não são só as Cartas aos Corintios que o irmão da noiva lê no casamento. Também foi o primeiro que lembrou à esposa cristã o seu papel na cozinha.
De resto, olha, vou beber um uisque que está frio.
Que ganhe o Benfica no Domingo, que eu já tenho novo clube, o Atletico de Madrid!!!
Um beijo enorme, meu querido amigo,
Mrs Pinheiro

 
Na 6:02 PM, Blogger Angela disse...

Parabéns pela eloquência,
coisa que aqui não falta!
É por isso que venho sempre ver o que escreves.
Que pena que a religião seja confundida com a
instituição Igreja... Mas é o que nos tem acontecido.
Que tal deixarmos de ir à missa
e praticarmos nós mesmos os nossos melhores princípos?
Aposto que o medo do "Inferno" (???) ia de vela.
E se calhar todos ficávamos bem melhor.
Ou então podíamos pedir aos monges franciscanos
para celebrar missa. Pelo menos esses são tolerantes!

 

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