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Rititi

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INÍCIO

  • querido blogue se deus fosse um

    Querido Blogue,

    Se Deus fosse um verdadeiro paizinho celestial não me impingia estas merdas. Cuidaria de mim, mimar-me-ia para que eu não sofresse, para que a minha vida fosse esse mar de rosas, a terra prometida feita realidade neste Madrid invernal e com o aquecimento central esquizofrénico. Mas Deus não está para aí virado e ninguém me salva das obrigações corporativas. Merda para o corporativismo, pá, e merda para as festas de Natal da empresa. Não tenho cu para tanto disparate, para a cagonice suburbana armada em finesse de pedigree e costumes que não lhes pertencem. É que eu sou uma mulher de gostos simples, de sopas de tomate e azeitonas pretas com orégão. Não nasci para assistir a imitações baratas de cocktails e usar pérolas falsas, é o que tem ser uma simplória mental nada dada ao joguinho foleiro dos vestidos caros para o chefe ver e bebedeiras anuais pagas pelo departamento de recursos humanos. A culpa é da minha Santa Mãe, que me tatuou na alma valores tão anacrónicos como a sinceridade, a boa cidadania ou aquele mais ultrapassado ainda que é não fingir o que não somos.

    E agora não me enquadro em lado nenhum. Como não vou “à neve” por ter um sentido do ridículo bem apurado, fico sem jeito e sem conversa cada vez que estes pobres desgraçados me contam como se endividam para passar cinco dias numa cabana, apertadinhos e dormindo em beliches. Pagam fortunas a prazo para desfrutarem da ilusão de se sentirem glamourosos lá na cima das montanhas, como quem domina o mundo nas férias da Páscoa ou numa ponte que ignora as necessidades de um País em quebra. É preciso ter corpo para encaixar num fato amarelo brilhante, é preciso ter estilo para escorregar pelas neves ao mais puro estilo Lady Di antes do espetanço parisiense, é preciso ter pele para que o bronze de Serra Nevada pareça dos Alpes. Como a minha pele é uma merda, o estilo mais bem saloio e os fatos de sky parecem-me horríveis, pues eso, que no me sale, oyes.

    E hoje, cumprindo as regras da Sociedade Plasticamente Feliz e Organizada, sem classes ou diferenças sociais visíveis para não ofender ninguém, vou-me entregar às delícias do corporativismo. Os empregados seremos tratados como iguais pelos patrões, que nos estenderão a mão e o copo de champanhe num acto de misericórdia. A Maconde será substituída pelas toilette fina e os sapatos de salto alto, que sempre fazem as pernas mais elegantes e o porte de senhora séria. As jóias que se vejam e os senhores que bebam, porque esta noite têm desculpa para chegar a casa com o pifo e fora de horas.

    Enfim, que Deus bem podia poupar-me, mas não está para isso. Se amanhã não aparecer por aqui é porque fugi de vez para um mundo sem jantares de empresa.



    Por Rititi @ 2004/12/16 | 15 comentários »

  • fpm says:

    foda-se, que bem que o disseste!

  • S says:

    O melhor de Dezembro, definitivamente é o dia 31… Haja paciência para o politicamente correcto. Boa sorte.

  • Victor Lazlo says:

    É verdade. Mas os jantares de Natal da empresa podem ter os seguintes aliciantes:

    1) Assistir ao chefe bêbado e a fazer figura triste;
    2) Assistir ao vivo o Grande Prémio de Lambe-botas (versão Quem Consegue Colocar a Língua no Cu do Chefe Sem Fazer Cócegas);
    3) Ver os novos truques dos colegas melgas para não ficarem sozinhos;
    4) Comprovar se aquela colega é mesmo lésbica;
    5) Saber qual das gajas boas arrecada o troféu de Quantos Homens Consegues Tu Ter Atrás de Ti Feitos Cãezinhos 2004.

    No caso do jantar incluir cônjuges (o meu caso), o melhor da noite é, sem dúvida, o concurso Quem Consegue Disfarçar Melhor Perante o Respectivo que Anda a Comer o/a Colega. É imperdível.

  • zen says:

    rititi graças a um qualquer Deus bondoso escrevo-te confortavelmente instalada num mundo por enquanto livre de corporativismos e ridicularias associadas. digo por enquanto porque não tarda nada serei capturada pelos tentáculos impiedosos dos agentes do Maravilhoso Mundo da Multinacional, e aí entrarei em contacto com todas essas realidades maravilhosas do estilo "jantar de natal"…por antecipação, não auguro muita coisa de bom na minha (espero que) breve passagem pelo corporativismo. para mim é tudo muito politicamente correcto e sorrisinho amarelo e gente que anda por aí a dormir e pensa que tem vidinhas extraordinárias. enfim, devaneios à parte, post muito realista (como de costume).

    ah, a parte da neve matou-me. passear em água suja, vestida como uma cebola e voltar com a cara às manchas? hum…thanks but no thanks. (além disso é trauma de infância)

    bom jantar 😉

  • Problematica says:

    Oi!

    A empresa onde trabalho é multinacional norte-americana, mas nem por isso é de jantares de Natal.
    Por iniciativa de alguns colegas, é que se faz um jantarito de convívio, em que o pessoal se pode ver sem gravatas, nem tailleurs…o que é óptimo…
    De qualquer das maneiras, como ando sempre tesa, não vou ao jantar. É que cada um paaga o seu, e geralmente, eles escolhem restaurantes bem adequados à sua carteirinha, que é bem mais pesadinha que a minha…

    O comentário do Lazlo também foi delicioso!
    Aproveita as sugestões dele e…diverte-te, na medida do possível!

    Ana

  • Marco Mendes Velho says:

    Hum…Estou deliciado com a sua escrita, com a sua sinceridade e com a sua filhadaputice. Será machismo dizer que escreve comp um homem mas com o apuradissimo instinto inato no seu sexo?
    PS: Ganhou um leitor…

  • jota says:

    Sem te conhecer (cheguei hoje mesmo), e apenas pela ordenação de vogais e consoantes que aqui apresentas, deixa-me dizer-te que apetecia-me passear de mão dada ctg, dividir uma duzia de castanhas e descascar para ti 4 das 6 a que tens direito (não há nada com mais significado só se for barrar as tuas torradas do peq. almoço)

  • Animal says:

    Se quiseres mesmo fugir, a malta acolhe-te aqui nos Marretas, onde se come quando nos apetece, se vai a festas quando nos apetece, dormimos ou ficamos acordados conforme nos apetecer. Chega a haver alturas em que um está a dormir, o outro acordado a ler o jornal no café e o outro lá fora, a passear em Cuba ou em Bratislava. E ninguém se chateia com isso. Por isso, se quiseres asilo, já sabes.

  • jc says:

    Bem-vinda ao meu ex-clube. Por essas e por outras é que decidi começar a trabalhar por conta própria. Mas estou mesmo solidário contigo, miúda… Especialmente na parte das sopas de tomate com oregãos e azeitonas. 😛

  • Luís F. Simões says:

    Para quem não gosta de dar nas vistas deve ser terrível…

  • jorge says:

    ó rititi!
    coragem e paciência que desses fracos não rezam as histórias,as que contam.
    e que bela energia a tua na escrita!
    besito!

    ps. vivi um anito em madrid à dez onze anos e por isto e por aquilo não voltei a matar saudades. será brevemente! madrid me mata,coño !

  • Jerusa says:

    You Lucky girl! Sem querer dar uma de "eu tenho mais doenças que tu", mas apeteceu-me partilhar o desespero do meu mundo laboral,onde não existem jantares de Natal, mas sim almoços…sim no plural…são no minimo três…chuiff, vale-me de facto o jantar entre colegas onde acabamos por desabafar o que de mal foi em todos os outros almoços. Força para ti, que a mim ainda me falta mais um almocito…

  • Eu says:

    Alguém que me compreende urrraaaa finalmente!!! Eu tb tenho de aturar essas merdas todas, ainda por cima tenho doze dupla: a dos patrões e a dos clientes… Todos pseudoaristocratas de cascais a comerem de boca aberta com o último botão do fato ZARA apertado, fato esse que é bem piroso e mal cortado e com a pior gravata que havia na Ties and wrecks (ou outra loja manhosa que lhes valeu à última da hora) ainda por cima vêm acompanhados com as mulherzinhas encontradas na beira da estrada e salvas de uma pobreza certa… Para estragar ainda mais o quadro elas fazem-se acompanhar de tudo o que é contrafacção (vê-se bem à distância, à légua mesmo).
    E temos de dizer que sim, de acenar, de nos mostrar agradados por conhecer uma besta qualquer que ganhou diheiro à uns anos e que nunca ganhará status, em bom gosto nem um neurónio de inteligêcia para ter dois minutos de conversa interessante… e por uma noite somos actores convidados à força do mundo plástico dos urbanícolas armados em executivos…
    Haja paciência….. nós vivemos num imenso pasto…

    isto tudo para dizer: beijos adorei o teu post.

  • Conde-Lírios says:

    Ui! tanto(a)s coitadinho(a)s tranportado(a)s por pernas alheias a jantares fastidiosos com gente execrável. Dá até a ideia de chegarem a sentarem-se com o cu dos outros. Já quanto ao intelecto parecem não abdicar do seu para notarem a diferença entres ele(s)s mesmo(a)s e os restantes idiotas companheiros de repasto…
    Ode virtam-se!:)

  • vague says:

    Olá,
    É a 1ª vez q comento aqui, o q não acrescenta nada à história, é só mesmo palha, como dizia em tom de crítica construtiva uma professora q tive (e pelos vistos não aprendi muito com ela 🙂
    Eu diria que além da cagonice suburbana há a 'urbana', se bem q quando te referes a suburbana estás a caracterizaar qq tipo de cagonice.
    A mim aborrece-me um bocado o quase 'ter que ir' a um jantar só pq isto, só porque aquilo. Mas às vezes uma pessoa diverte-se (de alguma forma sinto que este vocabulário está deslocado aqui, devia dizer gaja, mas agora não me apetece.)
    Eu não vou à neve mais vezes porque não posso, mas trocaria uma semana de férias num país tropical por uma semana num sitio de neve, é fabuloso e eu nem sequer sei esquiar. Só a paz do branco, salpicado de cor, o frio (sim o frio) sem muita gente ao pé, o que vai ser difícil na 'nossa' Serra, já q prevê magotes de gente desde q apareceu a neve artificial. (Pois mas a neve não foi feita só para mim)
    Isso de ter corpo para enfiar num fato não acho nada bem. Qualquer um que vista e se sinta conforme quiser, gordo ou magro e nem toda a gente quer ter estilo a esquiar.
    Nunca experimentei e gostava de ter 'estilo' mas as minhas primeiras experiências futuras na neve prevejo que irão ter um estilo muito peculiar, tipo cair de rabiosque ao chão de 5 em 5 minutos e não saber o que fazer com os esquis, trocar as pernas e cair de novo.
    Vai ser giro! 🙂
    Agora o que me choca e aí concordo ctg é o endividamento q se faz (e Portugal é um país com muitos endividamentos na parte de créditos ao consumo) para pagar uma semana de férias de luxo ou nem tanto, que se vão pagar o ano inteiro com sacrifício. Não sei se nos cabe condenar, eu apenas condeno a ostentação de se ir para se dizer que se foi, mas tb há pessoas que vão porque simplesmente gostam e não pensam em merdas de ostentação e assim o ano inteiro vão realizando um sonho que se esgota em poucos dias. Mas isso faz-me impressão, mesmo assim, acho que não era capaz, mas cada um..
    O que eu entendo é uma viagem de uma vida feita a sítios especiais, que se tem no horizonte como sonho e para a qual se vai juntando dinheiro. Para mim seria 1 mês em Nova Iorque ou uma viagem no Expresso do Oriente durante bastante tempo (o tempo da viagem B). Ou uma viagem sem tempo pela África do Sul.
    Como não posso por enquanto vou-me contentando com uma semana por ano numa cidade à minha escolha ; )
    e que não recorra ao crédito (não devo ir mesmo) .Acho que num aspecto (ou mais, rs) sou mesmo suburbana: tenho uma alergia ao crédito de consumo, não por qq mecanismo invertido de tentação mas tb pq lidei X demais profissionalm/ c/ situações destas e tb pq me creio sensata o suficiente nestas coisas (tenho dias!) – a fnac e as perfumarias fazem-me perder a cabeça mas antes de pagar coloco-a no sítio.
    Enqto tiver uma réstea de lucidez, não vou contribuir para esses endividamentos em que as pessoas ficam, no fim de contas com 10% do ordenado livre.
    Livra!
    eh pá, desculpa lá o comprimento do texto em blog alheio, é q estou farta de me alimentar os vicios da escrita no meu.
    😉

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