Querido Blogue
Só hoje, e porque ninguém me ouve, desabafo aqui na blogosfera que a democracia é uma bela duma merda, um despropósito e uma falta de vergonha. Ou então este espectáculo que me oferecem à hora do telejornal não é democracia nenhuma, mas sim uma adaptação rasca dos princípios inspiradores das constituições ibéricas pós-ditatoriais, escritas sob os efeitos narcóticos da liberdade estreada. Passados quase trinta anos da conquista do direito ao voto e à grave quando nos apetece, que triste o circo que nos oferecem os parlamentários, em directo e sem vergonha na fuça. Gajos que se estão a cagar para o sentido de Estado, para o povo que representam e para os contribuintes que lhes pagam os salários, os quilómetros, os almoços, as dietas e as ferias na Quinta do Lago. Na Península Ibérica, não há parlamentário que me mereça respeito.
Pelo nosso rectângulo, basta ouvir o descarado discurso já de campanha eleitoral do Santana Lopes, invocando um povo que não conhece. O Povo quer saber porque foi decidida a dissolução da Assembleia, o Povo está descontente, o Povo pergunta, o Povo... O caralho para o Povo, e se o Pedro tanto quer saber as respostas, que reveja os vídeos com as melhores jogadas destes quatro meses mais desastrosos para o nosso País, ele que o poluiu de Santanetes, Diários da Republica escritos em verde Sporting e Ministérios em Santarém. É preciso ter pouco vergonha, homem, invocar o Povo, a Democracia e o Sá Carneiro com tanta falta de respeito pelos portugueses, como se fossemos todos anormais profundos. Um homem sem trabalho feito, sem herança a deixar ao País, sem princípios políticos a defender a não ser o populismo mais descarado (vid a Caras e as excursões ao Santo António) não me merece mais consideração que o Zé Castelo Branco. Pelo menos esse faz-me rir.
Deve estar a aprender do parlamento espanhol, sem merecer maiúscula. No dia em que se comemoraram os 26 anos da Constituição espanhola, os señoritos cá destas terras deixaram-se dormir, dando plantão ao Rei, à Carta Magna e ao povo espanhol, decidindo não aparecer na festa dada no Congresso. Mais um sinal do descaramento destes congressistas, presidentes de comunidades autónomas, signatários de ong’s da treta, porque para eles é preferível invocar a Democracia e a liberdade de opinião a honrar os compromissos adquiridos com as gentes que votaram, 26 anos antes, uma Constituição justa, corajosa e respeitadora das diferenças históricas deste país. Uma Constituição que é modificável e que permite que umas autonomias o sejam mais que outras, que permite que um grupelho nacionalista radical ponha em xeque a estabilidade politica nacional. A Constituição passou de esposa a puta e agora não há líder que não a foda. Coitada e que pena de Espanha.
Não é esta a Democracia em que acredito. Não é quando os que a representam não passam de uns aproveitadores circunstanciais, que raramente têm onde cair mortos e que se agarram ao sistema para chupar um País, o seu Povo e a sua riqueza em proveito próprio. Gentinhas que apenas sabem apertar o botão que lhe dizem nas votações do hemiciclo, sem considerarem o que é mais rentável para a Nação. Exemplo disto é a aprovação desta merda de Orçamento de Estado, que só responde a interesses eleitoralistas de uma pandilha de betos.
Isto não é Democracia, e se o é, não passa de uma bela duma merda.

22 Comentários:
Uau, que discurso fantástico, agora sim Rititi ao Parlamento!
Um pouco mais a sério, já te vi mais longe de passares de abstencionista a líder de bancada do Bloco de Esquerda! bjs
Meu querido,
Li o teu mail! Nao tem mal, a gente ve-se para a proxima!
Só uma coisa: Bloco de Esquerda? Vade retro Satanás!!!
Um beijinho, e se quiseres aparacer cá no fim de ano, liga ao Careca!!!
Concordo! Total!
Pergunto-me se não serei também um pouco responsável por estes políticos.
Sim, porque vou lá fazer a cruz no quadrado
e depois é vê-los a esfregar as mãos para as cunhas,
os tachos e outras coisas que tais.
E o que é que eu faço para os parar? Huh?
Cá entre nós, que não nos ouvem, concordo
com aquele que disse que é preciso uma limpeza geral.
Se não há candidatos cá dentro, que venha a Europa em força,
que nos invada o parlamento e que ponha ordem nisto!
Exerça a cidadania com arte! 10enhe pilas no bule tlim! devoto...
APOIADO!!
ena, que belo post! boa, upa, hurra!
E que tal um voto branco? É para isso (protesto ) e isto, de não haver opções válidas em quem votar, q ele existe. Já o José Saramago explorou até ao tutano as potencialidades do mesmo em Ensaio sobre a Lucidez ... Mais democrático, n há.
Miss Xangai, o voto branco é um risco. Há sempre quem tenha a tentação de o preencher. O político tuga é versado no preenchimento de boletins de totoloto:)
Insisto, vote com arte e desenhe pilas no boletim de voto:)
Nós latinos somos umas bestas... Mas se leres notícias de outras democracias do mundo, verás que a sua saúde não é muito melhor que a nossa, talvez com excepção de alguns energúmenos escandinavos (mas como não consigo ler jornais suecos ou noruegueses, não sei...). Parece que essa senhora de quem falas está a cair de velha por todo o mundo...
Se calhar é mentira...
E lá em cima os mesmos governantes. E outra carrada deles se anuncia… Tanto lhes faz que definhes à fome ou que sucumbas ao frio. São exímios na indiferença. Escudam-se com a incompreensão. Alguém ainda se poderá admirar que este tempo seja conhecido por vacas magras com tantos bois gordos à mistura?!
Pagar, pagar, pagar! Eis a exigência de um sistema que se diz democrático. O dízimo deixou de fazer parte das seitas – temos razões de sobra para acreditarmos que, presentemente, fazemos uma aplicação correcta ao deixá-lo ao fim e durante o mês para o Estado. Pagamos os empregos. Pagamos o acesso a eles, nas deslocações. Pagamos a aniquilação, através do consumo desregrado de estupefacientes lícitos: álcool, tabaco, fármacos… O que mais é preciso pagar?! Submetemo-nos às leis, às normas e às regras – submetemo-nos à corrupção do sistema. Que mais razões serão precisas para chamarmos a este modelo de Estado de mafioso? São inúmeros os deveres para com a máfia. Veja-se o caso do “serviço voluntário obrigatório”. Observem a exploração nas inúmeras fábricas – falar de escravidão para quê? Formam-nos com o objectivo de os tornarem “inteligentes” a trabalhar – o rebanho deve ser instruído e útil para servir com êxito os seus intentos exploradores e maquiavélicos.
E lá em cima os mesmos governantes. E outra carrada deles se anuncia… Não restam dúvidas para mim, nem deverão restar a outros – vejam, atente-se, o rasto de asneiras que deixaram e deixam para trás. A mudança é constante… Que remédio, sempre que se esgota a paciência há que admiti-la – e lá vão os mesmos às urnas. Juntem aos seus discursos – cujo lema é a uniformidade da oralidade, para que não se estranhe o registo –, a sua tentativa de postura incorruptível e verão a vida comezinha que nos enlaça. Tenham coragem de olhar com olhos de ver a miséria sórdida que nos governa. Será tudo isto por acaso? Mera circunstância do destino? Não acredito que acredites nisso! É sabido que todos eles ascenderam à política, ao poder, para melhorar o país. Alegaram as razões mais nobres para justificar o exercício da sua profissão. Partiram com intenções louváveis para tão árdua tarefa. Motivos mais que suficientes para se transformarem em corruptos! Oh gente gentalha!; Vendam o Mosteiro dos Jerónimos! Aluguem o Mosteiro da Batalha! Hipotequem a Torre de Belém! Privatizem o Castelo de São Jorge e as vossas mães!
Celebremos a corrupção! Comemoremos a impotência! Vamos, andem, porque aqueles que nos incitam a cumprir, não cumprem!... Se calhar é mentira…
Esta foi por mim publicada em 2002 na "A Capital".
Continua a dar-lhes Rititi...
Luis F. Simões, e a isso tudo eles respondem "vamos aguardar/agir com serenidade" Fosgasse! Já n há cú p esta palavra herdada do second round de guterres. Arghhh... Vou lá e finjo q voto. Tenho dito.
Esta tia los tiene!!
ó rititi!
completamente de acordo!!!
eu cá abstenho-me até (nunca!) aparecer alguém em que acredite...(...!)
o voto útil e etc é o maior dos embustes.
não é por acaso que todos eles estão de acordo que votar é preciso...nem q seja no vizinho do lado.
há q legitimar a coisa e tudo passa e a memória é curta.chega a vez a todos...
uma merda!
quanto a espanha (vivi dois anos em vários sitios...)
era bom q a fronteira fosse mais uma linha imaginária q outra coisa! viveríamos, os tugas, numa sociedade bem mais interessante, dinamica e solta....
beijos.
Porreiríssimo, Riti.
Sem querer ser pedante, e a bem da objectividade deste blog, sempre informo que há vários tipos de democracia. E, na minha escala pessoal, esta de ir de 4 em 4 anos fazer uma cruzinha para legitimar uma cambada de carreiristas é o penúltimo degrau. Mais abaixo do que isto só mesmo distorcer este arremedo de democracia com "grandes eleitores", máquinas que não funcionam e exclusão de pessoas das listas. (A fraude, pura e dura, não conta. Mas dá jeito...)
A democracia, como foi inventada pelos gregos, era um sistema muito interessante, que seria chamado hoje democracia directa, porque as pessoas decidiam directamente nas coisas que lhes diziam respeito. (Eu sei, havia uma série de variantes e muitas limitações: só os homens, e nem todos, podiam votar. Mas sigam o raciocínio, por favor) Por questões práticas, as decisões de menor importância e a preparação das restantes eram delegadas em grupos de pessoas ESCOLHIDAS À SORTE! E em cada uma das decisões grandes, TODA A GENTE votava.
Claro que o problemas das "questões práticas" deixa a porta aberta para espertinhos se "sacrificarem" em prol do bem geral, que o resto da cambada é mesmo bruta e não percebe nada disto. E assim chegámos à democracia representativa e, nesta, ao sistema português e, neste, ao Santana Lopes.
Portanto, rititi, se disseres "ESTA democracia é uma merda", estamos de acordo.
rititas a primeira-ministra, JÁ!
Para mim o assunto não tem nada que ver com democracia. Ainda bem que vivemos nela. O problema é que a gente qualidade, séria, que gosta de política farta-se e abandona a cena. A média vai baixando e a mediocridade ganha terreno.
A culpa não pode ser sempre dos outros. A culpa é de todos nós, não vamos à luta, não disputamos os lugares com os medíocres, perdemos por falta de comparência que é a pior das derrotas.
A propósito de democracia endereço os parabéns a Mário Soares pelo 80º aniversário. Um político com pica, não enconado, ou não encaralhado como me corrige sempre uma amiga fufa. Um espírito livre, um lutador, um amante da vida. Fazem-nos falta em todos os partidos mais mários.
Besitos krida
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Bem dito!
Durante 48 anos tivemos uma "longa noite fascista".
Desde há 30 anos que vivemos num crepúsculo enovoado e mal cheiroso.
Espero pelos anos de um dia limpido, com sol radioso!
Pois: O perigo de uma Democracia é este mesmo!Os políticos ou profissionais da dita, só fazem o que podem e não o que dizem!Maus os há em toda a parte e Nós os votantes o tal Povo como diz o nosso 1º (ou ex-), temos pelo menos a possibilidade de os premiar com o nosso Voto.MAS PRINCIPALMENTE AGINDO DENTRO DAS NOSSAS COMPETÊNCIAS COMO CIDADÃOS NAS TAREFAS MAIS SIMPLES COMO POR EXEMPLO,NAS ESCOLAS E SUA GESTÃO,ACOMPANHANDO OS N/FILHOS,CRITICANDO E LOUVANDO CONFORME O JUSTIFICAR,ESCREVENDO E FALANDO DE PEITO ABERTO PARA OS M.P. SEM MEDOS, E, NÃO FICANDO EXPECTANTE Á ASSOBIAR PARA O AR, CERTO?
Este teu post deu origem a dois no blog que partilho com uma amiga. Gostava que lesses, porque se por um lado estou de perfeito acordo ctgo, por outro nem por isso...
Jerusa, li-os logo, assim que os escreveste!
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