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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • querido blogue segunda feira e outra

    Querido Blogue,

    Segunda-feira e outra vez o mesmo frio no coração e no autocarro – sinais dos tempos e da necessidade de uma mulher de ser arrancada da cama a horas ordinárias para levar o pão à boca. Antes muerta que sencilla, e lá vou eu com a cabeça enfiada no jornal caminho do desespero e do computador. Ai coño, passa-se uma página e cruzam-se as pernas metidas na saia curta cor-de-rosa choque com pretensões adolescentes, que para encarar os mesmos gajos que nos impinge o quotidiano o melhor é ir gira e com uns saltos de vertigem. Outra página e este mundo está tarado, que raio de noticias e quem me manda ler algo mais que a ¡Hola! e os blogues dos meus amigos. A imprensa séria deprime-me, e antes que muerta que sencilla, porra para este otoverme natalício cantado por uma criança com ar de puta precoce que não me sai da cabeça.

    Acidentes laborais, atentados no Iraque, a Letizia que não engravida, a Grécia multada pelo déficite e o Plan Ibarrarretxe dando por culo, que é como os espanhóis expressam o mal-estar de uma pátria segregada por egoísmos e filhos da puta que se aliam com terroristas. Se querem ser independentes tudo bem, diz-me uma mãe com três crianças fardadas sentada ao meu lado antes de sair na paragem de Ortega e Gasset, mas que continuem a chupar da boa vontade do Estado, por aí não passo. Quem paga impostos a tempo tem direito a expressar o que lhe vai na alma. Mais uma página e entre a foto de uma criança abandonada e a noticia de mais uma mulher assassinada pelo namorado, lá está o grande avanço da ciência, da tecnologia e da luta contra a natureza: uma velha de 67 anos pariu um rato, ou uma criança com um quilo, não vejo diferença. Aleluia, somos deuses, somos o que quisermos, e a quem lhe apetecer ser mãe que pague um tratamento de fertilidade. Reverte-se a menopausa, incham-se os ovários de hormonas, que não exista no planeta mulher sem o direito à maternidade. Custe o que custar. Morra quem morrer, neste caso o outro gémeo que trazia no ventre. Avé Maria Puríssima, sem pecado concebida, e que feliz é a senhora, enrugada e gasta, mesmo que daqui a dez anos deixe orfão um filho por um capricho do fim de vida.

    Admiro-me que as organizações Pró-Vida, a Igreja Católica e os defensores da procriação em geral não berrem contra esta aberração. Porque a mim parece-me uma cabronice de primeira que uma idosa submeta uma Vida a um sonho tardio, a uma vontade da terceira idade. Que acontecerá a esse filho quando chegar à adolescência e a mãe estiver presa a uma cadeira de rodas? Quem tem direito a roubar a infância a uma criança? A Ciência? A taradice? A vaidade de passear um bebé no parque ao domingo?

    Que hipócrita este nosso mundo de valores ranços, digo-me enquanto desço do autocarro. A eutanásia – que não é mais que a expressão ultima da nossa humanidade – não ultrapassa o tabu mental dos políticos, incapazes de a expressarem no foro dos debate parlamentário. O aborto é mais pecado que direito e a adopção um calvário que pode durar uma década.

    Mas ninguém se insurge contra as maravilhas da Ciência, ninguém se atreve a questionar os milagres do Homem. Mesmo que se matem nasciturus para chegar à Utopia se sermos deuses por um dia.



    Por Rititi @ 2005/01/17 | 13 comentários »

  • Luís F. Simões says:

    Dá-lhes Rititi. A propósito da ciência disse um dia: PAREM SENÃO O MUNDO PÁRA.

    Mas se calhar nem devemos apelar a nada – como dizia um amigo meu: "Há que vir uma peste bem mais mortífera que a SIDA"

    Tudo´isto, todos estes avanços desenfreados, (que demonstram bem o retrocesso/atavismo)só pretendem, cada vez mais, que fiquemos reféns de nós próprios (não há melhor para o acréscimo de consumo;) A indiferença cresce assustadoramente e a certa altura desconheço se estão (ou se estamos) a remetermo-nos para o interior de nós mesmos. Não sei se isto será bom. Digo isto, porque a maioria de nós não está preparado para digerir tanto conteúdo e humanidade 😉

    Abraço

  • Luís F. Simões says:

    Só uma breve rectificação:

    PAREM SENÃO O FUTURO PÁRA, assim é que era a frase.

  • Mãe says:

    Também considero monstruoso que uma senhora de 67 anos (com idade para ser quase bisavó), se tenha permitido engravidar com tal idade, ainda por cima, por fertilização artificial. Há idades para tudo: para ser mãe, para ser avó e para ter juízo! A própria natureza regula a fertilidade feminina e, lá para os 50 anos, a mulher deixa de poder engravidar, devido à menopausa.
    Mas, Rititi, também não concordo contigo quando dizes que o aborto deve ser um direito. E isto, porque, na minha opinião, quando abortamos, estamos a abortar também TODAS as possibilidades de dar um bom futuro a uma criança.
    A tão proclamada qualidade de vida só pode existir se houver vida. Um nascimento deveria ser um pretexto muito nobre para que puséssemos mãos à obra e, de facto, pensássemos um pouco mais nos outros…

  • Luís F. Simões says:

    A propósito do comentário da "Mãe" que levanta uma questão muito pertinente/delicada: a do aborto. Faz uns 10 anos que me confrontei com a mesma – mas fui pai.

    É sempre bom que se possa evitar o aborto, mas não se podendo, há que conceder à mulher o direito ao mesmo. Até porque bem vistas as coisas, o futuro das nossas crianças (como disse há muito num programa de rádio) é o nosso futuro: um caixão. E esta é que é a verdade – e dói.

    Aliás, também sou dos que vem alertando que é urgente um controlo rigoroso da natalidade – seria ideal que durante uns 10 anos fosse "proibido" ter filhos. Mas o interesse das multinacionais sobrepõe-se arquitectando e projectando chupetas anatómicas para o palato dos recém-nascidos do após 2000. Como o tal controlo tarda, não tarda estaremos a comermo-nos uns aos outros 😉

    Não é apenas isto que a economia de mercado não permite. Veja-se o Protocolo de Quioto, etc. Por este andar, o mais certo é estarmos todos fodi***.
    O género humano é demasiado egoísta para abdicar e demasiado primitivo para raciocinar com PROFUNDIDADE. Precisamos de uma Revolução a nível mundial.
    A internet é um bom veículo…

    Sei que posso parecer desumano ou uma aberração quando abordo certas questões. Mas isto não vai lá com “palmadinhas”. Se formos muitos a gritar, pode ser que nos oiçam – tá tudo a gritar por esta blogosfera fora! 😉

    Nota: Peço desculpa pelo eventual abuso deste espaço à autora do mesmo e a todos os seus leitores. Mas o que acontece é que a Rita coloca as questões de uma forma crua, e eu identifico-me bastante com a crueza 😉

  • ANTÓNIO RESENDE says:

    Tou-me burrifando para que a Sra. de 69 anos tenha a criança…
    Óh RiTiTi… sabes lá se a Sra. tem ''guita'' suficiente pra lhe dar um futuro confortável?
    E os milhões de crianças que nem pra comer teem?
    Não precisamos ir muito longe das nossas portas pra ver tanta miséria!…
    Antes fazer e''parir'' uma criança conscientemente… que …

  • Victor Lazlo says:

    Rititi, não sei muito bem porquê mas nota-se que este é um post de Segunda-feira de Inverno.

  • vieira do mar says:

    Nem mais, Rititas. Nem mais.

  • toka says:

    Me parece una falta de respeto hacia el bebe , los caprichos a veces cuestan caros y no es normal tener cinco anos y tu madre 72.. es decir huerfano antes de los 10…Le has dado a tu hijo una vida donde el sufrimiento por las perdidas empieza pronto.

    Bueno como es madre universitaria , profesora , esperamos que les deja una cartilla llena…

    ANTES MUERTA QUE SENCILLA

  • Jack the Nipple says:

    Temas como o aborto e a eutanásia para segunda-feira logo pela matina? Já te vi mais longe de votar no Bloco de Esquerda!

  • crack says:

    Há uma idade própria para tudo, concordo. Mas o argumento é válido para os humanos, sem distinção de sexo, agora que a ciência médica consegue corrigir o relógio biológico da mulher. É em nome do direito de quem nasce, que embarcar na aventura de pôr no mundo uma criança aos 67 anos deveria ser um acto muito reflectido. Mas não apenas porque é a mãe a ter esta avançada idade. Se o pai (dador, neste caso?)for jovem e empenhado na paternidade, o que diferencia este caso dos milhares de outros em que nascem crianças filhas de homens velhos e mulheres novas? A apreciação aqui feita não pecará por preconceito sexista?

  • Mãe says:

    Desculpa, Rititi, estar a ocupar o teu espaço de comentários, mas gostaria de responder ao crack que a apreciação que fizeste não me parece sexista. Isto porque considero que tanto aquele que deseja ser pai, como a que deseja ser mãe, deve pensar ACIMA de tudo no futuro do seu filho. Logo, deve pensar que, quanto mais velho o progenitor é, menos tempo terá para acompanhar convenientemente o desenvolvimento da criança.
    E isto serve tanto para pai como para mãe. Neste caso, foi uma senhora – até me custa a crer que seja versada em estudos univeristários – a cometer a asneira de se armar em "nova", à custa de um bebé!
    Olha, não se fazem peelings…fazem-se filhos! Que bonito…

  • crack says:

    A mãe precipitou-se no seu comentário, porque estamos a dizer a mesma coisa, parece-me.
    Quanto ao complexo sexista, era uma pergunta, pertinente, uma vez que a questão, como a colocamos, parece ter escapado à rititi. Ou talvez não, só que estando ela uns passos à nossa frente em argúcia, terá constatado que nem vale a pena "chover no molhado".

  • Kit Walker says:

    Oh, Rititi! Os milagres do Homem? E os da Mulher? Nem parece teu…

    Concordo com tudo o que dizes, absolutamente- e não só neste post. Mas deixa lá de ser sexista, que não são só os homens que fazem coisas mal feitas 🙂

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