Segunda-feira, Janeiro 10, 2005


Querido Blogue,

Neste país desenvolvido e orgulhoso do deficit Zero, nesta Espanha de masturbações nacionalistas e monarquias contestadas, aqui mesmo e só no ano de 2004, morreram 72 mulheres às mãos de maridos, ex-amantes, namorados e cabrões vários com ou sem anel de casamento no dedo. Setenta e duas pessoas foram assassinadas só por serem mulheres, pela sua condição feminina. As idades não provam nenhuma teoria sócio-cultural, se temos em consideração que a vitimas tinham entre os 88 e os 15 anos, nem as nacionalidades, pois todas as que alberga esta terra de emigrantes e emigrados tiveram direito à sua mártir. Nem se desculpam os defensores da dependência da mulher ao salário do macho protector porque neste macabro desfile de mortes encontramos donas de casa, secretárias, mulheres-a-dias, funcionárias, estudantes ou empregadas de pronto-a-vestir, arrancadas à vida por todos os meios que os seus verdugos encontraram no caminho. Apunhaladas, asfixiadas, mortas pela pistola ou caçadeira de cano cerrado, encharcadas em gasolina e queimadas à frente dos filhos, atiradas pela janela desde um sexto andar, degoladas, estranguladas e atropeladas, eis o fim de mulheres cujo único erro foi perdoar a primeira bofetada.
Apesar de todos os meios jurídicos, policiais e sociais que o Estado (sem cor politica, pois o que o PP começou o PSOE tem rematado com diplomas tão necessários como a Ley Integral) tem posto ao serviço das mulheres, as mortes não acabam. Multiplicam-se. Não há telejornal sem um cadáver, sem que a expressão “violência doméstica” apareça algures entre um descarrilamento de comboios com cinquenta mortos no Bangladesh e a vitória do Betis no Camp Nou. O Terrorismo de Género tornou-se banal para os meios de comunicação e não pela omissão da brutalidade dos assassinatos. Em horário nobre são descritas as macabras perseguições dos homens às suas presas, as chantagens, as visitas ameaçadoras mesmo com ordens judiciais de não aproximação, os telefonemas fora de horas, os insultos. Não há vizinha que não diga que o assassino era um tipo violento e que a vitima já tinha feito queixa à polícia duas ou três vezes. Graças a estas mortes não há esquadra sem um psicólogo especializado em maus-tratos, nem juiz que se atreva a ilibar um marido por faltas físicas.
Então o que corre mal? Porque, em pleno século XXI se continua a permitir que uma menina de quinze anos seja assassinada pelo namorado de 18?
Porque contra o Machismo não há lei que valha. Contra o machismo de nada servem os telefones directos a uma patrulha da polícia, nem os Euros que o Estado gasta em propaganda institucional de consciencialização. As mortes prevêem-se em casa, onde o ensino dos valores de igualdade e respeito deveria ser obrigatório. Mas não é. O Machismo, por triste que soe, é transmitido pela mulher, paradoxalmente a sua única vítima. Cada sociedade tem a sua burka: na nossa pode não ser tão descarada, mas é igualmente perigosa. O role da mulher limpa, obediente e sempre disponível para o macho é transmitido pelas mães, tias e vizinhas, que não deixam escapar uma oportunidade para fazer reparar à menina qual o seu papel no mundo: olha que parece mal, olha que uma menina fina não fuma na rua, olha que se te queres fazer respeitar não te dês a qualquer um, e cruza as pernas, não digas palavrões, não dês nas vistas. E já viste a Cláudia, que pouca vergonha, entra e sai quando quer, e olha como veste, dizem que namora com um homem casado. Tu, minha filha, nunca sejas dessas que respondem aos homens e lhes trata por tu. Tu, arranja um marido e mantém-te no teu sítio, sem dar estrilhos. Porque o homem não gosta. E se o teu marido não quer que saias à noite, não o faças, e se ele disser que não é importante o que tu dizes, é que não é, e não o provoques, que do que um homem menos gosta é que lhe encham a cabeça. E tem paciência, filha, que a bofetada foi sem querer e alguma coisa deves ter feito tu, já sabes o feitio que tem o coitado.
Até que o Machismo deixe de ser feminino, de nada valerão todas estas mortes. Serão esquecidas. E as leis de pouco servirão.


46 Comentários:

Na 5:29 PM, Blogger Alexandre disse...

ou seja, é um mano a mano da (boa) educação versus a herança cromossomica?

 
Na 6:40 PM, Blogger Casado disse...

Sem comentários. Só aplausos de todos os membros desta familia alentejana.

 
Na 6:51 PM, Blogger rititi disse...

Obrigada ao Alentejo!
Beijos

 
Na 7:05 PM, Blogger PreDatado disse...

Querida Rita
Não vou contestar nem um pouco a existência de uma sociedade machista. Nem na nossa ocidental em geral nem na ibérica em particular. Quero apenas fazer um realce, és tu mesma quem o denuncia, que enquanto existir esse discurso das mães para as filhas, podem vir as mais pintadas feministas esgrimir contra os "machos" que o resultado será nulo. Sugiro (ou proponho) que as feministas actuem primeiro contra o mundo da mulheres retrógradas, ou se não primeiro, que o façam em paralelo.
Quanto ao texto e ao estilo: eis Rititi na sua plenitude. Um beijo.

 
Na 7:11 PM, Blogger O_Pombo disse...

Machismo é mandar bocas foleiras a qualquer rabo de saias ou insinuar-se na secretária no jantar de Natal da empresa.
Agora isso que descreves não é machismo, é total insanidade mental.

 
Na 7:17 PM, Blogger ISA disse...

É isso é. Os machistas vão até onde podem e acima de tudo até onde as mulheres deixam. E felizmente há muitas por aí a ir contra a tradição triste de que falas Rititi. De que as mulheres ficam em casa e de preferência caladinhas. E não cabe só às mulheres acabar com isso. Felizmente há muitos homens que não pensam assim e que podem muito bem dar o exemplo às irmãs, filhas, amigas e por aí a fora.

Gostei muito Rititi. É verdadeiramente sentido sem descambar para o paranóico/obsessivo. Parabéns.

 
Na 7:24 PM, Blogger ISA disse...

Aí é que te enganas, Pombo. E era bom que fosse assim. Estas atitudes são o machismo levado ao extremo. Um nojo. E que se lixem os traumas que levam gajos a cometer tamanhas atrocidades. São doentes, internem-nos. o resto do mundo não tem culpa nem tem de sofrer com isso. Nem isso deve servir como desculpa.

 
Na 8:29 PM, Blogger Carla disse...

Clap, clap, clap!
Este texo deveria fazer parte do programa escolar nacional.

 
Na 8:35 PM, Blogger Carlota disse...

Muitos parabéns pelo texto. Quem sabe se alguém o lê e acorda para a realidade e pára de deixar que lhe digam o que fazer e o que fica bem. Infelizmente já ouvi algumas conversas dessas e o nojo que mete!

 
Na 9:57 PM, Blogger clô disse...

E nem é preciso ir a Espanha - em Portugal o número de mulheres mortas por parceiros/maridos é assustador, a diferença é que ainda não faz parte da lei, como em Espanha. Pelo contrário, temos essa figura legal medieval que é o crime passional - se fores apanhada na cama com outro que nem o teu marido, e se ele te enfiar um tiro, então a pena é menor... What's next? A caça às bruxas?

 
Na 10:11 PM, Blogger Angela disse...

Parabéns por este texto. Que ele sirva para que alguma das suas leitoras não permita a tal da primeira bofetada.

 
Na 10:46 PM, Blogger AS disse...

Não podia estar mais de acordo.Fez-me lembrar um revoltante episódio a que assisti no metro e que quis esquecer... Mas não podemos, nem devemos,esquecer, pois não? Vou citá-la no meu blogue. Obrigada.

 
Na 10:46 PM, Blogger AS disse...

Não podia estar mais de acordo.Fez-me lembrar um revoltante episódio a que assisti no metro e que quis esquecer... Mas não podemos, nem devemos,esquecer, pois não? Vou citá-la no meu blogue. Obrigada.

 
Na 11:11 PM, Blogger jp disse...

Sabe Rita, mesmo depois de duas queixas, os episódios faziam parte do ar que necessitava para respirar. Aconselharam-me na policia a defender-me, mal por mal também dava. E dei-lhe, o pé de cabra e os punhos que descobri que tinha fizeram efeito. O divórcio litigioso dura há 3 anos, mas estou-me nas tintas.

 
Na 11:42 PM, Blogger Luís F. Simões disse...

Há muitos anos, enquanto jogava à bola, pedi que a mesma me fosse devolvida por uma mulher – isto porque num pontapé menos certeiro a dita bola entrou por uma janela adentro. A mulher, lembro-me como se hoje fosse, já com a bola em seu poder, colocou-se cinicamente a sorrir através do vidro da janela que entretanto havia fechado. Tinha uns 8 anos, não mais, e recordo-me, depois de já por mais de uma dezena de vezes ter implorado que ela me devolvesse a bola, de ter desferido um murro contra o sorriso dela. Com isto parti o vidro da janela e fiz dois cortes no braço.

Outro pormenor: a provocação. Em São Paulo, onde vivi 8 anos, muitas mulheres trajavam mini-saias. O deleite dos adolescentes, eu incluído, era passar a mão na bunda ou na vagina daquelas que mais se exibiam. Juntavam-se uns 8 moleques, e quando avistava-mos uma daquelas bem produzida, um de nós partia para o gozo. Fingíamos que estávamos a passear, mas o único objectivo era apalpá-las – se era bom? Na altura achei uma delícia – era o sexo possível aos 12 e 13 anos. É de salientar que a maioria delas nem barafustavam e algumas até sorriam.

Mais: quantas vezes não me confrontei com um casal de namorados que enquanto se beijavam ela me galava. Curiosamente nunca reparei no contrário. Deve ser machismo.

Se alguma vez dei um estalo numa mulher? Já. Por isso sei que o que é efémero nuns pode ser eterno noutros. Voltando: sempre detestei estar com uma mulher, ainda mais quando diz que me ama, que não pára de rodar a cabeça à procura de não sei o quê.

Faz muitos anos que não dou um estalo em ninguém. Nem acredito que volte a dar, mas que existem mulheres cínicas e armadas em vítimas depois de instigarem o sexo oposto, podem crer que existem. No entanto, tens razão Rita, a agressão nunca será solução – vejam se param de agredir ;)

(aí que vou ter a mulherada à perna ;)

Beijoca (rs rs)

 
Na 12:20 AM, Blogger vieira do mar disse...

Agora que já vomitei tudo o que tinha a vomitar depois de ter lido o comment anterior:

Querida rititas, o teu desabafo certeiro (como sempre) lembrou-me um post que tinha em draft e que, não sei porquê, não publiquei logo de imediato (parece que fugimos todos daquilo que é feio, não é?). Por isso, olha, à boleia da tua inspiração, vou publicá-lo agora. Beijos.

 
Na 1:01 AM, Blogger Luís F. Simões disse...

Não disse que a coisa pegava? Então a parte final da "mulherada" foi perfeita.

Aproveitem e vão ler a "foda do século" no meu blogue.

Abraço.

 
Na 1:06 AM, Blogger vieira do mar disse...

não, não foi a parte da "mulherada".

 
Na 1:07 AM, Blogger António Resende disse...

Oh Rititi!...
Os ditos cujos não lêem Blogs...
São ''burros'' e as mãezinhas deles, é que deveriam tê-los educado!...
Quem gera os ''Burros'' e os ''Machistas''?
Mulheres!!!

 
Na 1:15 AM, Blogger Luís F. Simões disse...

"Vieira do Mar" terei me excedido no humor?! Não queres ver o texto do lado humorístico? Com o objectivo com que foi escrito!

Sobre esse capítulo das agressões já postei aqui mesmo um texto que fiz publicar no jornal "Público". Chamava-se "Taliban de camuflados". Pergunta à Rititi, que ela é capaz de saber onde ele figura.

E digas o que disseres, a partir de agora fico por aqui.

 
Na 1:31 AM, Blogger ISA disse...

Ó Angelo e tu, não educarias as tuas filhas e os teus filhos assim também? É que nem precisas dizer nada. O teu comentário foi simplesmente MACHISTA. Porque passa-te simplesmente pela cabeça que só às mulheres cabe a educação dos filhos. É uma tristeza...

 
Na 1:33 AM, Blogger ISA disse...

Não é Angelo é António Resende, desculpe-me o Angelo seja lá quem for...

 
Na 1:41 AM, Blogger vieira do mar disse...

Para o Luís F. Simões, que se ficou ali por cima: O seu sentido de humor é, no mínimo, muito, muito estranho.
Ah! E é "ter-me-ei".
(desculpa o discurso directo aqui na tua chafarica, querida rititas)

 
Na 2:09 AM, Blogger Luís F. Simões disse...

Tens a certeza que me queres cá por baixo? Eu a ti acrescentava à estranheza, provocação.

E sim, é ter-me-ei. O "terei me" vem do Brasil.

Abraço

 
Na 4:34 AM, Blogger Musca disse...

Querida Rititi:
Com toda a admiração adolescente que nutro por si, não posso deixar de aqui dizer que as questões de violência doméstica não se prendem tanto com questões sexistas - mas sim com uma realidade que extrapola as balizas ou os conceitos sociais ou socializantes que delegamos a estes fenónemos - prende-se, do meu ponto de vista, com motivações da natureza humana (e sim, vou cair em clichés) que levam o mesmo animalzinho gregário, que é o homem, a levar a cabo o holocausto ou por outro lado a tecer os concertos de Rachmaninov.
As pessoas más são más por natureza, e fazem mal a quem conseguem; quando eu levei porrada no metro, minha querida Rititi, de um cabrãozinho de 2 metros, não me parece que a idéia dele fosse a humilhação da minha condição de vagina emancipada (entrando na sua gíria, que são pérolas na minha rotina cinzentonta), mas a pura e simples cobardia de atingir um ser que não é à partida um adversário à altura, porque no fundo, no fundo, ele tinha medo é de levar nos cornos. Tanto que saiu a correr do metro, depois de um soquinho profiláctico. Deve ter chegado a casa e dado porrada na mulher, não porque seja esse o seu fetiche, mas porque é a alternativa mais sustentável. Se quiser, um dia conto-lhe a história com mais detalhe.
De qualquer maneira, a questão aqui é, e não descartando a realidade eminente do machismo ser ainda um cancro a cauterizar na sociedade, quem faz mal a um próximo, quem agride fisicamente outra pessoa e retira prazer disso, é, mais que um porco chauvinista, uma má pessoa, um cobarde, um doente, um criminoso. Um filho da puta, prontos.

 
Na 10:17 AM, Blogger Stephen King disse...

Gostaria de, com a devida licença, pegar no último comentário que foi feito e reforçar o ponto que lá é evidenciado. Não julgo que as atrocidades cometidas sobre mulheres sejam exclusivamente devidas a um qualquer despeito masculinizado relativamente á independencia feminina. São um puro acto de cobardia, de subjugação e humilhação por quem se revê numa postura de agressão contra mais fracos e indefesos. É o gosto do domínio a todo o custo, e quem faz isto são os mesmos que facilmente maltratam crianças, animais, e tudo o que seja supostamente mais fraco.
O machismo de que falas existe, e espalha-se de uma forma mais insidiosa, porque aparenta ser subtil, mas está em todo o lado. Uma das mais preementes é o receio e estranheza perante a voluntariedade sexual das mulheres, mas existem tantas outras.
Homens e mulheres são diferentes, e sê-lo-ão sempre. Mas ambos são cidadãos, seres humanos, e com direito á dignidade e liberdade que lhes deve ser permitida e garantida por um Estado de Direito. O machismo, assim como o femininismo não passam de preconceitos sociais, e como tal, só passíveis de erradicação. São comportamentos profundamente idiotas, baseados num dogma social instilado á força por uma educação feita de tradições e automatismos sociais imbecis, e radicam no tal desejo de dominação.
Mas a violência doméstica não me parece ser só machismo. É violência. E como qualquer outra forma, quase nunca tem explicação.

Saudações.

SK

 
Na 11:08 AM, Blogger rititi disse...

Tenho que agradecer à leitora JP o seu comentário. Sem gratuitidade ou mesquinhice confessou ter sofrido maus tratos num lugar que nao lhe é a familiar: o meu blogue. Obrigada. E boa sorte no processo de divorcio, que imagino lhe esteja a custar horrores.

As mulheres nao somos vitimas "per se", porque sim. Nao nascemos com um cartaz na cabeça que diga: "por favor, espanquem-nos que nós merecemos por termos ovários". Mas centenas de anos de educaçao que diferencia os géneros pela sua condiçao biológica (a mulher trata da caverna, o gajo vai à caça) tem consequencias muito perigosas nas relaçoes. De que nos serve tirar cursos, pagar impostos e sermos incluidas na populaçao activa com todos os direitos se ainda há quem eduque as filhas como potencias esposas e maes?
Causas para a violencia doméstica há milhares: só aqui apontei a que mais degradanate me parece. A educaçao machista.
Beijos.

 
Na 11:57 AM, Blogger vieira do mar disse...

O "machismo", transmitido em cadeia de mulher-mãe para mulher-filha, potencia a submissão e a resignação destas às manifestações de violência masculina.
Mas o Stephen King tem razão: muitas vezes, a agressão doméstica é uma forma de subjugar a parte mais fraca, seja mulher, criança, ou animal. É apenas violência, primária e gratuita.

 
Na 1:11 PM, Blogger Luís F. Simões disse...

Rititi...

Sou um homem, e como tal esta questão incomoda-me. Creio que o problema das agressões (violência doméstica, etc.) é mais complexo que a mera educação machista – até porque eu a ti não tinha tanta certeza de que tal exista. Na esfera das agressões, existem todo o tipo de pessoas (como bem sabes) e que, apesar de serem cultas e bem-educadas, em determinados momentos transcendem toda e qualquer racionalidade. O problema está em saber como são esses impulsos activados – e não estou a falar dos que se encontram bêbados e frustrados durante a fase da agressão. Ainda assim, mesmo que soubéssemos como tais impulsos são accionados, não creio que o Homem (por mais que evolua) se sobreponha à sua animalidade.

Entendo a tua revolta. No entanto, se o factor físico, da força, estivesse do vosso lado, também acredito que não conseguiriam conter os tais impulsos… (quantas vezes não vos passará pela cabeça o desejo de darem uma chapada num de nós?!).

Os seres, por natureza, acomodam-se ao mais fácil e imediato. Numa discussão, compreendo (não aceito) que alguns homens desfiram um estalo numa mulher – porque tal gesto, infelizmente, é mais fácil que a construção de uma frase (contexto) que o superiorize em relação à mesma.

A disputa entre sexos está (e creio que estará) sempre latente. E podem crer que nesta disputa sempre que a razão não chegar, chegará a impotência (de ambos os lados).

Abraço

 
Na 1:20 PM, Blogger Problematica disse...

Como eu costumo dizer: "A submissão fabrica monstros".

Ana

 
Na 2:42 PM, Blogger m.inês disse...

até hoje nunca apanhei uma bofetada sequer de um homem. já me meti no meio de muitas cenas entre namorados, já evitei muitas situações reais de violência, nem sei quantas vezes já fui ameaçada (entre namorados de amigas e grupos de skinheads, you name it). sei que muitas vezes me arrisquei a sério, até porque não tenho 1,90m nem faço boxe tailandês. mas não há nada comparado com a satisfação de desarmar alguém das suas intenções violentas e ignorantes simplesmente com um olhar autoritário. até porque em todas as vezes que me "meti no meio", a minha firmeza de carácter (e, algumas vezes, total inconsciência) surtiram mais efeito do que muitos cacetetes da polícia.

infelizmente, rititi, nem tudo se passa como nós gostaríamos. muitas das raparigas que conheci não só permitiam a violência, como a encorajavam (quantas namoradas não atiçam os trogloditas dos seus namorados a outras pessoas? been there, seen that...) e até houve situações em que a própria "vítima" (uma amiga aparentemente inocente) se virou contra mim! diziam elas "que era melhor que não se fizesse nada" e à miníma sugestão de terminarem os namoros era logo "então e depois onde é que vou arranjar outro??". até mulheres a inventarem situações de violência (com sórdidos pormenores), sabe Deus com que intenção, prejudicando homens inocentes.

apesar de tudo, continuarei a desencorajar os comportamentos violentos. mesmo sabendo que há tanta ignorância espalhada por aí e que, se há coisa que não lhe falta, são máscaras.

 
Na 2:49 PM, Blogger Miriguida disse...

Quando ouvimos violência doméstica vem logo à cabeça um espancamento e uma mulher cheia de sangue às portas da morte. Mas existe outra violência doméstica que a meu ver é muito pior. É aquela pela qual ninguém repara. O insulto, a pressão psicológica, a chantagem.
Quantos homens e mulheres sofrem em casa os abusos psicológicos do parceiro que os fazem sentir um zero à esquerda. Às vezes as palavras magoam mais que uma bofatada, e às vezes preferem ser maltradados fisicamente para poder fazer uma queixa à policia. Sim, pq chegar à esquadra e dizer que se sofre violência doméstica sem ter um arranhão é motivo de gozo!!!

Como todos bem disseram, a educação começa em casa. Pois bem, comecemos já com os nossos filhos, primos, sobrinhos, vizinhos, alunos, etc.

Pode ser que de quando formos velhinhos falemos da violência doméstica como hoje em dia se fala da tuberculose: uma doença que matava mas que hoje já quase não existe entre nós.

Parabens pelo texto mana!!!!
Beijos grandes

 
Na 4:47 PM, Blogger Victor Lazlo disse...

Sempre me perguntei qual seria o efeito de uma norma do Código Penal que sujeitasse os agressores domésticos a levaram uma sova de dois gorilas.
Não me entendam mal: sou contra as penas físicas, mas gosto de especular sobre qual seria o efeito prático desta medida.

 
Na 4:57 PM, Blogger Luís F. Simões disse...

Essa é fácil. Era o dobrar de toda a violência que não a física.

 
Na 5:00 PM, Blogger Victor Lazlo disse...

Esta mensagem foi removida por um administrador do blogue.

 
Na 5:44 PM, Blogger rititi disse...

Olha a minha mana málindacósolicateferavista!
Tens toda a razao, mana, violencia é submissao psiquica e fisica!
Uma beijoca e até sexta! Vivó monte! Vivó Alentejo!

 
Na 5:45 PM, Blogger Jack the Nipple disse...

Mais do que comentar o tema, onde apenas me apetece "colar" às sábias palavras do Victor Lazlo, apetece-me antes enviar dois repenicados e sinceros beijos à Rititi e à sua mana Miriguida: CHUAK, CHUAK. Até um dia...

 
Na 5:51 PM, Blogger rititi disse...

Outro beijo para ti e até à grande festarola que se anda a organizar para Fevereiro em Lisboa. Atempadamente serás notificado.
Chuack para ti também!

 
Na 6:39 PM, Blogger Jerusa disse...

Concordo tanto que gostaria de ter sido eu a escrever este texto

 
Na 7:33 PM, Blogger crack disse...

Excelente texto.
Parabéns.
Contudo, concordo com aqueles que gostariam de ver os números globais dos crimes "do machismo" expurgados de outras causalidades que nesta designação se acobertam - a miséria moral, as condições sociais, as toxicodependências...
Também o debate desta questão tem tudo a ganhar com a apresentação e análise de estatísticas sobre crimes "do género" na versão homem-vítima.

 
Na 8:37 PM, Blogger João Narciso disse...

Partilho da maior parte do teu texto. Contudo, parece-me, que enquanto houver uma parte mais forte do que outra (falo numa questão física, de tamanho, de força) esta triste realidade se irá manter. A menos que se consiga criar mecanismos de controlo, que podem passar por um investimento cultural-educacional ou mesmo judiciário-criminal. JN

P.S. Parabéns por este espaço.

 
Na 10:14 PM, Blogger mfc disse...

Gosto do modo agressivo(mas certo...)como escreves.
É um problema para gerações que tem que ser atalhado todos os dias.

 
Na 11:06 AM, Blogger fpm disse...

Falta de assunto...

 
Na 2:29 PM, Blogger rititi disse...

Da Tia Dinha, via e-mail
"Querida Rititi,
é mesmo assim! A manutenção do machismo tem muito a ver com o machismo das mães. Aliás, isso é patente nas mães muçulmanas que perpetuam a situação inferior da mulher nessa cultura.
O mundo avança, o tempo também, mas a reprodução de atavismos mantem-se...
Bjnhs da tia Dinha"

 
Na 3:52 PM, Blogger Luís F. Simões disse...

Do Tio Ibrahim, marido da Tia Dinha - via, Fax:

Querida Rititi: não acredites no que a minha mulher diz, porque ela só diz disparates. Não existe machismo de mãe, existe feminismo de mulher apenas e só, daí tanta miséria.

;) ;) ;)

 
Na 5:22 PM, Blogger LusoFin_oBlog disse...

Nao serve de consolo mas por cá é bastante pior: 30 mortes/ano (para 1/8 da população espanhola). E isto de um país tolerante, igualitário e avançado. Ou talvez por causa disso mesmo.

 

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