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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • querido blogue chegada esta idade o

    Querido Blogue,

    Chegada a esta idade, o gajedo, casado, solteiro e lésbicas incluídas, começa a engravidar e a vida anterior – virtualmente ocupada por horas a orbitar de loja em loja e a bebericar vinho branco nos bares – é substituída por serões de aprendizagem sobre o aleitamento, partilha fraternal de babetes, fraldinhas pirosas com ursinhos apaneleirados e chupetas e aulas compulsivas de Lamaze. O que antes eram mulheres despreocupadas e de pensamento livre transformou-se numa confraria de neo-virgens vestidas com laçarotes até às orelhas, abduzidas pelo espírito da Mãe Terra e com as contracções dos planetas que se alinharam para lhes facilitar a gravidez. Ouvem CDs com o som do vento a roçar qual orvalho fresco as árvores centenárias da Jutelândia, babam-se com a ideia de mudar o cocó da criatura que vem a caminho, discutem percentís e truques para uma noite de sono completa e o que é pior, deixaram de sair com «as outras», as não grávidas, as que não foram ungidas pelo dom mais divino de todos: o da Maternidade. Olham com desdém para as que adiamos a que é suposta ser a nossa função última, desprezam o quotidiano que até há pouco lhes era comum e prazenteiro, desdenham a não fecundidade compulsiva e as noites em branco em frente a um copo de uísque.
    Olho como de lado, sem querer que me toque esta paranóia hormonal, mas não deixo de sofrer pelo que toca o meu quotidiano. E tenho saudades das mulheres que eram antes de se tornarem em prenhas imaculadas, portadoras da vida eterna, a reencarnação da Nossa Senhora e numas chatas do caralho obcecadas com o biberão e as cadeirinhas multi-usos que custam no mínimo quarenta contos e um olho do cu. Ao menino que não lhe falte nada e o resto da Humanidade que se foda se não entende. Por ignorante e infértil. Porque estar grávida já não é uma passagem, porque parir deixou de ser um acto natural para se transformar num estado de graça místico-filosófico que se impinge ao gajedo de ovários inúteis e secos. Negar a maternidade a partir dos trinta é tão deplorável como amputar uma perna.
    Y es una puta pena. Que lhes acontecerá quando as criaturas crescerem? Pode a vida voltar à naturalidade depois desta elevação divina a que submeteram? Que sucederá se não se aclimatarem ao universo diário das pressas e das noites sem choros que as confortem? Poderei eu alguma vez entender esta fase da vida?
    Resumo a minha família, as fêmeas que pariram sem ajuda da epidural e das ecografias ultra-sónicas; imagino o parto brutal da minha Avó, suportado apenas pelo calor da parteira da aldeia. Teremos mudado assim tanto em cinquenta anos? Quando deixámos de ser simplesmente mães? A tecnologia transformou-nos tanto que nos deixou sem memória biológica?
    Bebo mais um gin tónico ao som de Bach. Sem complexos. Recordo a minha infância rodeada de prenhas e gajas recém-paridas. E não deve ser tão difícil assim. Basta querer ser mãe e não fazer disso uma justificação aos traumas anteriores, à vida de conto de fadas em que tudo é perfeito e cor-de-rosa. Basta não pensar muito. E tentar ser feliz. Como em tudo na vida.



    Por Rititi @ 2005/05/29 | 45 comentários »

  • 100nada says:

    Querida Rita, não é exactamente assim…compreendo perfeitamente mas não é bem bem: o mundo também não é o das nossas avós. beijinhos (tanto para dizer mas fica para mais tarde).

  • 100nada says:

    Regressando ao tema: haveria imenso para dizer, não só do mundo não ser o mesmo (antigamente não eram precisas grandes cadeirinhas de carros, havia poucos, andavam pouco e as pessoas viviam perto e andavam era a pé). As mães, regra geral, não trabalhavam (ok, eu falo da minha realidade, não vou debruçar-me sobre a vida rural e coisas que tal). As famílias, muito mais próximas, cheias de avós, tias e primas sem filhos, que davam uma ajuda. E enganas-te quando dizes que as maes de hoje têm uma obsessão pelos filhos e não falam de outra coisa: as mães de antigamente não tinham outra vida que não a dos filhos e não falavam de outra coisa. Aliás as avós desse tempo continuam a não falar de outra coisa. O facto de ser mãe parece-me que não mudou assim tanto as mulheres: o mundo é que (a meu ver felizmente) mudou.

    Tou a ver que te andam a melgar, hum? 🙂

  • 100nada says:

    Ah e sabes, o gajedo que já conhece as alegrias da maternidade, não desdenha a noite em branco em frente a (vários) copos de whisky. Mas apesar de tudo parece-me mais simpático tirar partido da escolha que se fez (ter um filho) do que se chorar o tempo todo pelo facto de a maternidade não permitir a tal noite…pá, vou-me já embora senão encho-te o blog de comentários seguidos: eu entendo-te perfeitamente, pensava tal e qual como tu, o gajedo mamã eram as maiores melgas do mundo; mas agora adoro ser mãe, a verdade é essa. E não me sinto menos pessoa por causa disso, apesar de discutir com qualquer um as marcas das cadeirinhas de quarenta contos. 😉

  • vieira do mar says:

    A resposta à tua pergunta final, minha querida, é…sim!

    Passados alguns anos sobre a paranóia hormonal, voltamos aos whiskies e aos gins, à música decente, aos fumos e ao resto das nossas vidas. Mesmo que não voltemos, queremos fazê-lo. 🙂

    Claro, que não é a mesma coisa de antes (nunca mais será), mas a vida é isto mesmo, uma gaja pula e avança, como dizia o poeta, a infraestrutura dita a superestrutura, como dizia o do bigode, e a gente lá vai levando, como dizia o Grande Chico.

    E, mesmo com um ou com meia dúzia de putos ranhosos agarrados à nossa saia e pelos quais damos a vida sem hesitar, continuamos a ser mulheres, putas, irmãs, filhas, amigas, doidas, bêbadas, viciosas, fiéis, cabras, santas.
    (podemos é fingir que não)

    Ser "mãe" é apenas mais uma (grande) etapa, na qual se é (em princípio) tocada por um grande Amor. Mas deve ser sempre, sempre!, facultativa, que são muitos e variados, os caminhos da felicidade aos poucochinhos.

    Um grande beijo (e caga nas gajas e na conversa parideira – anda cá para o pé de mim que tenho umas coisas para te contar…)

    ;););

  • diane says:

    ui, isto mexe com o gajedo parideiro, não parideiro e wanna be parideiro.
    Ainda não cheguei lá, mas o relogio biológico, não esta a dar horas, já despertou e não se cala.
    no entanto, acho que aquilo que descreves será um status meramente transitorio, tal como acontece com o gajedo outrora bem disposto e doido por uma boa noitada, que se transforma por momentos em "donzela casadoira" …sim, por momentos só falam das panelerices das flores, do vestido, do bouquet, das meninas das alianças, e daquela coisada toda. Depois da boda, quando as misses dos cabelos das senhoras se transformaram em cabelos disformes, quando as gravatas foleiras à brava dos gajos ficam penduradas no final da festa, nos decotes delas, e quando elas já trocaram os saltos agulha pela pantufa, tudo isto ao som do apita o comboio cantado pela dupla Monica Solange/Bruno Miguel…depois de tudo isso, acredito que as jovens donzelas voltem ao "aconchego" do que eram antes da loucura as possuir. tudo isto para te dizer que, passados os rituais, começam os verdadeiros primeiros dias do resto da vida…delas!
    e lentamente, tudo volta ao normal…ou serei só eu que ainda acredita nisso??

  • zen says:

    rititi esse post é tão lindo..todos os dias quando acordo e olho para a minha filha rezo às divindades todas para não me transformar numa criatura dessas! acho que ser mãe ou deixar de ser mãe é uma escolha que cada mulher (e homem) deve ter plena liberdade para fazer. não é uma simples imposição, nem uma função obrigatória e as mulheres que se reduzem a parideiras só porque sim não compreendem mesmo a "coisa". da minha parte, tenho a meu favor o ser nova, poder cuidar da minha filha à vontade fazendo o possível e o impossível para que ela se torne nisso mesmo: uma Mulher, feliz. e o problema está mesmo no "pensar demais" e na triste filosofia de muitas mulheres que de certa forma usam o seu papel de mães para se tentarem superiorizar, ou colmatar falhas na personalidade ou complexos ou falta de sexo ou whatever. a vida não acaba quando somos mães. mas também não é pior se não o formos. beijos

  • Lyra says:

    Acho que as parideiras adoram falar dos bébés e dos babetes e essas mariquices todas a que tem direito. Quando eles nascem, se fôr menina melhor! Abusa-se nos laços no cabelo, das saias ultra curtas que deixam a fralda á mostra e ficam uma ternura e derretem qualquer gaja que já tenha sido mãe. Mas tambem acho que nada volta a ser a mesma coisa e que por muito que elas sonhem em voltar as noites de copos, de saidas que era suposto ser só até ao café da esquina e acaba em cascos de rolha, nada, nada volta a ser a mesma coisa. estarão sempre preocupadas com as crias, as noites só de vez em quando que os bébés tem o péssimo habito de acordar antes do sol nascer e um dia mal dormido ainda vá que não vá agora vários dá cabo do coiro de uma gaja. Pensam duas vezes antes de dar uma pipa de massa por uns sapatos porque o marquinho luis quer comprar uma nova consola de jogos ou lá como aquilo se chama, aprendem as musicas todas que dão nos desenhos animados do disney channel , andam de carro com o radio num volume tão baixo que não ouvem só porque a cria dorme no banco de trás e se algum gajo tiver o azar de lhes bater no carro enquanto levam as crias, corre o risco de antes de ser assassinado ser tambem torturado. Quando as crias crescem os problemas continuam , não o facto de ter caido do trinciclo com aspecto de mota mas o facto de andar metido com aquilo que tu consideras umas péssimas companhias e sim, nada volta a ser como era antes. Amas-os mais do que a ti propria e ai reside a grande diferença entre o antes e o depois de ja teres parido. Deixas de ser a pessoa que mais amas. A 1ª a quem estas disposta a salvar no meio de uma bomba. Mas para te dizer a verdade, acho que as parideiras estão-se nas tintas. Quando olham para a cara dos rebentos, e dizem para elas próprias que o tempo para os copos já passou é mentira!! Queriam-no ainda de volta assim como as noites mal dormidas e o passar a noite sabe-se la onde. Mas há algo maior. Mais importante. E ai sim. Elas são abençoadas com o tal segredo divino. Só quem já cá pôs alguem na santa terrinha sabe dar o valor. Por isso…elas ate queriam que tudo fosse como antes. Mas não é! E isso chateia-as. Mas quando pesam os dois pratos da balança..as crias ganham sempre! E ainda bem que assim é!

  • Lyra says:

    Ah! E têm de vez em quando uma pontinha de inveja das gaijas que tem a idade delas e que ainda andam á solta e a fazer o que lhes dá na real telha. E se as que já pariram mandarem bocas cretinas ás que ainda não o fizeram é pura inveja acredita. Mas é sempre uma escolha nossa claro está. (Sim será sempre mais nossa do que deles). E não acredito mesmo que provado preto no branco que o relogio biologico desperta á idade X, porque os relógios biológicos são como os que tenho cá por casa, uns são a pilhas, outros a electricidade, outros a corda e cada um desperta quando tem que despertar e mais nada. E há aqueles quenão lhes apetece despertar simplesmente. São menos relógios por isso? Na!!

  • rititi says:

    Catarina,
    Já li os teus comentários, o teu post e a interpretaçao do que escrevi.
    Ser mae deve ser do caralho, ninguem aqui disse o contrário. Mas de fora, quem nao quer ou nao pode engravidar, quem é alheio a este fenómeno soberbo da maternidade, pode criticar certos movimentos hormonais que unem as fellowship das grávidas.
    Porque pelo menos ainda se pode criticar. Como estao as coisas, um dia destes temos que nos comunicar por morse para nao ferir sensibilidades.
    E sabes, acho que as coisas mudaram muito. Em minha casa as mulheres sempre trabalharam, desde as bisavós das bisavós, pelo que a comversa nunca foi ai o meu filhinho, tadinho. E também nao estavam todas tao perto (algumas emigraram a milhares de quilómetro, sozinhas, viuvas, sem mae e tia). Pelo que talvez eu seja afortunada, nao sei, pois vejo agora as prenhas que sempre trabalharam, estudaram e fizeram e agora apagaram toda a informaçao do cérebro para se comportarem com virgens!
    O que eu escrevi é que já nao há pachorra para aturar as parideiras imaculadas, as que se elevam pelo poder da hormona e no seu magnífico estado físico acham as outras inferiores.
    E lendo alguns comentários no teu blogue vejo que tenho razao, que há maes que se acham melhores pessoas só por terem parido.
    Aqui nao se falou de amor. Falou-se da paranoia em que se transformou o simples acto de parir.

  • papoila says:

    Amei.
    A maternidade é uma maneira (mais uma) de instrumentalizarmos as criancinhas para nos pormos em bicos dos pés.
    os baby blogues são disso testemunhas, pois são blogues sobre os pais e não sobre os filhos.

    rititi à presidência!:)
    e se alguma vez me ouvirem dizer que "sou uma pessoa muito melhor" e isto e aquilo, batam-me com força.

    beijos
    p.s

    acho que é hoje, caraças! 🙂 ui.

  • 100nada says:

    Primeiro, Papoila, ainda aqui andas, é hoje? Bestial, siga, beijinhos e tudo de bom.

    Segundo: o simples acto de parir ou a gravidez em si é uma passagem para outro estado, o de mãe. Como´por exemplo, pensando numa das comentadoras do meu blog, um doutoramento é outra passagem, e até demora mais tempo…não, parir não nos torna melhores, o amor é que torna, melhores do que éramos, nós mesmas. E não vejo o parir e ter um filho desligado do amor maternal. Não vejo qualquer mal ou arrogância ou o que seja em se tentar ser melhor, seja no que for, incluindo como seres humanos. Penso que o contrário é miserabilismo. Agora que a fellowship das mães é um inferno para quem está de fora, é, disso não há dúvidas. 🙂

  • rititi says:

    Papoila??? Tu???? Ai, filha, mas a Leonor nao sai nunca???
    Catarina, querida, entendo o que me dizes. Como entendo o que escreveu a Vieira. Bué de amor, comunhao com as crias, mamas cheias de leite e tal. Ok.
    Mas, pá, lembrem-se quando ainda nao tinham sementinhas na barriga. Pois é. E tal como a Lyra ou a Diane, eu nao entendo. Nem quero.

  • cat says:

    Pois, o mal são as etapas… Acompanhadas de perguntas irritantes…
    «-Então, quando é que acabas o curso?»
    «-Então, quando é que arranjas um namorado?»
    «Então, quando é que casas?»
    «Então, quando é que tens um filho?»
    E ai de nós quando demoramos demasiado, ou não cumprimos de todo, uma das etapas. E se for a dos filhos… auch! Cai o carmo e a trindade! É que parece que temos o destino traçado. E, sendo mulheres, o nosso objectivo último na vida é mesmo parir… (o que me faz ficar seriamente triste, afinal não sou uma pessoa, mas uma desculpa em forma de corpo, que transporta umas maminhas e um útero) É que eu não como essa de sermos melhores por sermos mães. Diferentes, talvez. Melhores? Existem muitas maneiras de nos tornarmos pessoas melhores. Basta querer.

  • just me says:

    Concordo com a Rititi. Eu sou mãe, mas muitas vezes dou por mim sem paciência para conversas de crianças! Ao primeiro ainda se vai aguentando, ao terceira já não há cu que aguente!!!!!

  • batukada says:

    Jan-ta-ra-da! Jan-ta-ra-da! Jan-ta-ra-da!

  • papoila says:

    jan-ta-ra-da!

  • 100nada says:

    Claro que me lembro como era antes de ter um filho (aliás leste o meu post, Rititi). E mais uma vez digo: não é a única forma, não se aplica a toda a gente, não se é mais ou menos completo tendo ou não tendo filhos: é uma forma, uma oportunidade, um caminho. Mais nada.

    Papoila, ainda sobre os baby-blogs: claro que são sobre as mães. São as mães que os escrevem.

  • rititi says:

    JAN-TA-RA-DA
    JAN-TA-RA-DA
    JAN-TA-RA-DA
    JAN-TA-RA-DA

  • S says:

    Só para dizer que vi o teu benjamim em destaque na fnac (normal!!!) e mais: na montra da Bertrand do Chiado. CATAGORIA! Com babies destes, quem precisa dos outros??

  • papoila says:

    sim, o teu "bebé" estava na casa de banho do saldanha residence!

    p.s
    eu estou aqui, a dilatar, o que é que vocês querem, pá?

  • ana says:

    O melhor da maternidade é assistir ao crescimento de um ser humano. Seja filho da nossa placenta ou do nosso coração. Postei eu há tempos no meu blog. Não acredito que é por se ter parido que se tem mais amor a uma pessoa. Nem acredito que o amor por um filho seja incondicional. Se eu não aceito determinadas atitudes numa pessoa passo a aceitar só por ser meu filho?

  • AS says:

    «Porque estar grávida já não é uma passagem, porque parir deixou de ser um acto natural para se transformar num estado de graça místico-filosófico que se impinge ao gajedo de ovários inúteis e secos»… Olha, é por causa de posts como este que comprei o teu livro. E já agora, tchin tchin, com gin tónico. 🙂

  • papoila says:

    ó catarina:
    só agora é que vi que me respondeste,
    ai os baby blogues são sobre mães? e isso porque são as mães que os escrevem?

    olha que estava convencida que a aparente vontade era escrever sobre os filhos. sobre esse "amor que ninguém entende". estava convencida que o amor era tal, a dedicação era tal, a falta de importãncia de tudo o resto era tal que até se faziam blogues só sobre os bebés.
    estava enganada, então.
    é que sabes, a gravidez, a mim, não me ilumina.
    só me mostra coisas que eu sempre soube, e algumas delas sem gracinha nenhuma.

  • 100nada says:

    Papoila, o que eu quero dizer é que sendo as mães que os escrevem é forçosamente sobre elas, tudo o que se escreve tem sempre qualquer coisa nosso. Mas neste caso é sobre elas, porque não é uma coisa independente. Um blog de uma mãe implica que existe um filho. Depois cada um escreve lá o que entende: há quem escreva sobre si mesma, sobre todas as dúvidas, introspecções, pensamentos, sentimentos; outras que a criança hoje andou, que hoje lhe nasceu um dente. Ou tudo misturado.
    Papoila, isto não tem nada de iluminado e de transcendente, excepto o tal amor (que é realmente muito forte e diferente). E se se escreve sobre esse amor, então escreve-se sobre si mesma.

    Nada disto, nem a gravidez nem a maternidade traz só coisas boas ou ilumina o que quer que seja. Mas eu não gosto nada desta moda de fazer de conta que não se passa nada. 🙂

  • papoila says:

    tem forçosamente alguma coisa sobre elas, pois claro.
    podiam era se menos egocêntricos, e disfarçar um bocado melhor.
    aliás: podiam ser melhores e ponto.
    de facto não têm qualidade nenhuma e parecem-me mais exercícios masturbatórios do que manifestações de amor.
    a vaidade é uma coisa tramada.
    e a solidão, então, nem se fala.

    p.s
    fazer de conta que não se passa nada?
    acho que ter um filho é uma bomba. provavelmente (não obrigatoriamente) a coisa mais importante das nossas vidas.
    fazermos disso um trunfo, pensando que subimos algum degrau?
    não concordo.
    até porque, na GRANDE maioria das vezes não subimos para lado nenhum.
    a gravidez (como já tinha dito) só potencia o que sempre fomos.
    fica tudo mais visível. as coisas boas e as coisas más.
    p.s
    há alguns baby blogues, (poucos) bem escritos, com graça e sem merdas.

  • Rita says:

    Olá pessoal, que já pariu, que está prestes a parir e que nem quer pensar numa coisa dessas. Pois eu já não quis pensar nisso, nem de longe, e agora já pari. Há um ano e dois meses.
    Depois disso, já fui de férias para Nova Iorque, apanhei bubas (poucas, é certo), fui em trabalho à Hungria, tenho gasto rios de dinheiro no japonês. O Jaime deixa-me dormir.
    É verdade que tenho lido menos livros mas isso é porque entro às sete da matina no trabalho e não vou além de uma página por noite.

    E olha, Rititi, sabes que mais, a mim também me irritam essas gajas que acham que são umas virgens imaculadas, prenhas até aos ouvidos, que olham de lado a quem pariu sem dor (como eu graças ao querido e adorável anestesista que me cobrou 500 euros) e que até dizem, vejam só, que parir deve ser uma sensação quase orgásmica! Elas que tenham lá os orgasmos que quiserem a parir. Eu cá prefiro os que vêm antes do parto.

    E aquelas que acham que quem não pariu não sabe o que é a vida? Que é incompleta. Essas doidas é que são as incompletas das ideias, é o que é.

    Sou uma gaja. Mãe, mas gaja. E olha que o sorriso do Jaime derrete-me, sei, lá, ATÉ AO INFINITO E MAIS ALÉM!!!!!!

  • Rita says:

    Quanto aos babyblogs, têm tanto direito d eexistir quanto os outros. Mas como eu já li em algum lado: «…a S. já não teve mais diarreia…» e não digo mais nada.

    Por favor!!! Graças a Deus a internet não cheira!

  • Susana Reis says:

    Vim ca ter atraves do blog da Catarina e copio o que lá disse:

    Não sou mãe e nem sei se vou ser.Mas tenho a humildade de aceitar que deve ser a experiência mais enriquecedora que uma mulher pode ter.Andar a fingir que esta experiencia é como outra qualquer.Deve ser A experiencia e ponto final.E mais:quem se chateia tanto com as mães e seus baby blogs porque é que lê já agora?Eu só leio o que eu gosto de ler!

  • Casado says:

    No meu caso a vida continua como antes, embora com ligeiras adaptações: a mulher sai com as amigas e deixa-me sossegado em casa com a filha. Ou então invertemos os papéis, ou seja, ela sai e leva a filha e eu fico sossegado em casa. (prefiro esta última porque sempre chegam mais tarde do que na primeira hipótese).
    Quanto a conversas de merda (textura, quantidade e cheiro), a importância de ter mais filhos, dicas de "tias" sobre a melhor escola de ténis onde colocar o rebento, e outras paneleirices do género…. coço o escroto e falo das minhas hemorróidas, tem sido o suficiente.

  • 100nada says:

    Papoila, acho que não estamos tão em desacordo como isso…agora o que me aflige verdadeiramente é tu dizeres 'acho que é hoje, caráças!' e nada! :))))

  • clô says:

    Pois eu de cada vez que vou a Portugal sou confrontada com uma série de perguntas que me invadem a intimidade e são no mínimo insensíveis. Percebo muito bem a "demagogia maternal" de que fala a rititi. Correndo o risco de entupir os comentários (desculpa lá dona da casa), partilho aqui o meu guia de respostas rápidas e extremistas para quando estas conversas surgem…

    Pergunta 1: Quando é que te casas?
    – Quando legalisarem os casamentos homosexuais.
    – Quando tiver 6 mil contos para torrar num jantar para 200 pessoas, a maioria das quais não me telefona há mais de cinco anos.
    – Quando o meu cérebro for reduzido a uma ervilha perante a visão de um vestido branco que a maioria de nós acharia risível em qualquer outra circunstância.

    Pergunta 2: Não gostavas de ser mãe? (a favorita daquele tipo de mães infantilizadas pela experiência da maternidade):
    – Gostava, mas laquearam-me as trompas ontem por causa de um quisto
    – Gostava, mas sou infértil.
    – Não, eu detesto crianças. Não te importas de limpar a baba do teu filho dos meus sapatos?
    – Não, prefiro ter sexo todas as noites.
    – Não, gostava de poder continuar a ter outras conversas com as minhas amigas que não estivessem relacionadas com o número de gracinhas que um puto que nem falar sabe faz. Prefiro ir ao circo.

  • amendoins.blog.com says:

    remeto-te para o blog: http://amendoins.blog.com onde comentei este post (desculpa a pub… mas tive de meter em post pq o comentário seria demasiado grande).

  • vieira do mar says:

    Epá, não resisto, tenho de meter o bedelho, desculpem lá:

    Papi: "há alguns baby blogs com graça e sem merdas"? Ah pois há – e o MEU é um deles (eu digo isto porque sei que ela não me responde – amanhã já vai estar noutra…hihi)

    Rita (a outra), és cá das minhas!

    Clô: não entendo porque achas as perguntas "insensíveis", se desprezas dessa forma o casamento de "vestido branco" e a maternidade. Parece-me um paradoxo.

    No geral (não falo de ti, Rititas, nem de ti, Papi, como é óbvio, que já vos conheço e entendo bem o que querem dizer), noto um tom desagradável e crítico contra o gajedo-mãe em geral, que não me agrada, porque:

    se uma gaja não fica "melhor pessoa" por ser mãe (e eu até acho que, por princípio, fica mais "descentrada", o que pode ser, no mínimo, um "melhoramento" -um "upgrade", digamos) também não fica obrigatoriamente mais chata, nem mais desinteressante, nem sem outro tema de conversa que não a caca dos rebentos, SÓ POR SER MÃE.

    Vamos lá a não meter as mãezinhas todas no mesmo saco (que aqui há de tudo, como na farmácia). Às tantas, isto já parece conversa de ressabiadas que não controlam como gostariam o dlindlão biológico e caem em cima de quem já se rendeu a ele.

  • Rita says:

    Nem mais, Vieira!
    E acrescento, além de não termos ficado fixadas em fraldas e afins, aposto que nem sequer deixámos de ser umas gajas giras. Ai não que não deixámos….

  • Charlotte says:

    Ainda vou a tempo? Jan-ta-ra-da! Jan-ta-ra-da! Jan-ta-ra-da!

  • vieira do mar says:

    JANTARADA, caralho!

  • clô says:

    Vieira: Isto de ter conversas nos comentários dá sempre espaço a mal entendidos ;-). Eu não tenho nada contra o casamento nem contra a maternidade, apenas contra as evangelistas do casamento e da maternidade. É que havia que pessoas que me perguntavam quando é que eu me casava quando eu nem sequer tinha namorado, e que me perguntam quando eu tenho filhos assim a frio, logo depois do bom dia. E eu acho isso insensivel porque faz parte de um mundo íntimo que os outros não conhecem…

    Vão lá jantar e divirtam-se!

  • Avozinha says:

    E, já agora: há algum mal em ser avó?

  • vieira do mar says:

    Clô: ok, tudo bem. É, de facto, algo do foro íntimo de cada um e, em certas circunstâncias, pode denotar falta de tato. Mas, para que conste: eu curto bué ser mãe e, apesar de não ser crente, gostei de ir de branco. 😉

    Avozinha: como em tudo, depende do tipo de avó.

  • Lady [mãe] says:

    Ser mãe nem sempre se integra nesse tipo de cenário!
    Um filho só acrescenta. Felizmente não tira nada.
    Sai-se à noite, bebe-se(muito), mas demanhã há uma razão para a ressaca ser menor.
    Felizmente não se fala só nisso!
    E nem imaginas como é bom ter um filho gajo!
    Mas para mim é igualmente normal ser-se feliz sem os ter.

  • Prusidente says:

    Dói-me o pescoço. Um problema neurológico, disse o Sr. Doutor. Queria referir-se a nervos, claro está. Agora ando com um espeto enfiado, que vai da nuca até ao meu braço esq… direito. Será razão para me preocupar? Vou ressonar em breve, é o que vale.

  • Lizabeth says:

    Hey, that post leaves me flieeng foolish. Kudos to you!

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