MOMENTO RAMBO: A VINGANÇA DO OPERÁRIO
Dezasseis indivíduos mascarados de comandos, um campo de batalha povoado de bidões, armadilhas e pedras, trinta graus, máscaras cheias de micróbios e bichinhos que infectam até os corpos mais estragados, armas de plástico, balas cor-de-laranja... Num mundo que proíbe o palavrão e a xenofobia verbal, onde o politicamente correcto comanda os pensamentos e em que os empregados têm ódios ancestrais acumulados pela falta de aumento, eis que se inventa o PAINT BALL, estupidez americanóide e única escapatória para os conflitos mal resolvidos com a cabra da colega que nos rouba o agrafador e nos critica pelas costas. Contra o mal dizer provocado pela inveja suburbana, nada como um par de tiros nos cornos... nem que sejam de mentira e mais não provoquem que uma nódoa negra.
-Defino o alvo à partida e tento estar na equipa contrária à da vaca velha mal cheirosa que me inferniza o quotidiano. Determino com o meu comando um plano de ataque e assalto ao território inimigo, mas no fundo eu só tenho um objectivo.
- Carrego a arma à cunha de bolinhas. Não perco de vista a cabra da colega que ri alheia ao seu destino. Puta, não devias ter-te chibado, mala hembra.
- Começa o jogo. Tomo posições. Corro até o campo inimigo, sorteando tiros certeiros, um entorse, quatro galinhas e um sniper míope que entretanto leva com um tiro no joelho e é eliminado.
- Alvo à vista. Sprint alucinante até à vala: salto, como pó, rebolo, tento não partir uma perna. Rastejo durante meio minuto de cu para o ar rezando que não venha ninguém por detrás.
- A filha da puta da gaja está escondida detrás de um carro velho. Mas eu chego lá. Sou ferida num braço, arrancou-se a unha recém pintada, os meus dentes estão castanhos como a merda. A batalha está renhida. Alguém grita de dor algures no meio dos bidões. O chefe foi alvejado pelo comando revolucionário dos administrativos descontentes.
- A ordinária não me viu. Está entretida a mandar mensagens ao amante que está no outro grupo. Além de cabra é uma traidora. Odeio traidores. Da minha mochila tiro a pintura de rambo, verifico que a arma está operativa e sigo o meu caminho.
- De pé e sem vergonha, como se a vida se me fosse nesse instante, faço pontaria. Respiro. Sorrio. Sinto a morte a sussurrar-me ao ouvido.
“MUERE CABRONA, MUEEEEEEEEEEEEEEEEEEREEEEEEEEEEE!!!!!!!!”
....
Dois jogos mais e fui expulsa. Sou alvo de um processo disciplinar e ninguém me fala no trabalho. Mas ninguém me tira a alegria de ter disparado quinze vezes ao olho da gaja. Nada como um Momento Rambo para por a escrita em dia com os nossos ódios de estimação.

12 Comentários:
Lindo!
Há aqui na empresa tanta gente com quem eu gostava de ter um momento Rambo!
Sei do que falas, cara Rititi. Nada me deu mais gozo do que alvejar com uns sete tiros o gordo mal-cheiroso de um chefe que me pagava uma miséria e que ainda por cima fazia um jornal de merda.
E aquela cena da máscara que nos faz sentir a respiração estilo Darth Vader??? «May the force be with you...» De certeza que a gaja mereceu os balázios....
Isso é que é "engajar", Ó Rititi. *risos*
Livro nas bancas e posta fresca, sem passar pela lota. Isso é que é "pescar" de blogs! *piscar de olho*
Bejos, mtos.
P.S.: Os fãs (bom, falo em nome desta gaja que te escreve) exigem baby-book autografado, e com dedicatória.
Está genial! Vou propor uma cena dessas por aqui! :)
Confesso que não sou grande fã de paintball, mas arranjar uma jogatana de basquet e futebol onde possamos realmente dar umas castanhadas de criar bicho nos tipos gorduchos e imbecis que me infernizam o dia inteiro.
O conceito parece-me muito bom!
estou a imagina-la de arma na mão e oculos escuros:
-"Hasta la vista...Baby"
Muito bom.
Lindo gostei muito
Bem... começo a achar que essa ideia do paint ball é melhor ainda do que eu já pensava... Hum... começo a ter ideias...
ADOREI!!!! Ao menos descarregaste o que sentias....No último fim de semana também participei num jogo de paintball. Estava o meu ex-namorado com a nova namorada. Era o aniversário de um amigo comum. Resolvi ir..e por acaso a rapariga apreceu pela frente. Acertei-lhe em cheio na parte traseira esquerda. Deu-me gozo, mas todos acharam que era de proposito. Não foi..garanto que foi coincidência...feliz, ma spor acaso
nada como uma boa dose de "violência saudável" para nos sentirmos melhor. imagino o grito de guerra no momento dos disparos. e toda a gente sabe que "morre, puta!" é uma frase emblemática dos campos de batalha.
se fossem ler livros de história e enfiassem os processos disciplinares num sítio que vê pouca luz...
Ninguém lhe fala?! Que inveja... Queria eu nunca ouvir a voz de certos colegas!
Ah,ah,ah! Linda a história. Devo ser um gajo odioso, mas o meu cérebro debitou umas vinte pessoas para pôr atrás do carro.
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