Sexta-feira, Maio 20, 2005

MOMENTO RAMBO: A VINGANÇA DO OPERÁRIO

Dezasseis indivíduos mascarados de comandos, um campo de batalha povoado de bidões, armadilhas e pedras, trinta graus, máscaras cheias de micróbios e bichinhos que infectam até os corpos mais estragados, armas de plástico, balas cor-de-laranja... Num mundo que proíbe o palavrão e a xenofobia verbal, onde o politicamente correcto comanda os pensamentos e em que os empregados têm ódios ancestrais acumulados pela falta de aumento, eis que se inventa o PAINT BALL, estupidez americanóide e única escapatória para os conflitos mal resolvidos com a cabra da colega que nos rouba o agrafador e nos critica pelas costas. Contra o mal dizer provocado pela inveja suburbana, nada como um par de tiros nos cornos... nem que sejam de mentira e mais não provoquem que uma nódoa negra.

-Defino o alvo à partida e tento estar na equipa contrária à da vaca velha mal cheirosa que me inferniza o quotidiano. Determino com o meu comando um plano de ataque e assalto ao território inimigo, mas no fundo eu só tenho um objectivo.

- Carrego a arma à cunha de bolinhas. Não perco de vista a cabra da colega que ri alheia ao seu destino. Puta, não devias ter-te chibado, mala hembra.

- Começa o jogo. Tomo posições. Corro até o campo inimigo, sorteando tiros certeiros, um entorse, quatro galinhas e um sniper míope que entretanto leva com um tiro no joelho e é eliminado.

- Alvo à vista. Sprint alucinante até à vala: salto, como pó, rebolo, tento não partir uma perna. Rastejo durante meio minuto de cu para o ar rezando que não venha ninguém por detrás.

- A filha da puta da gaja está escondida detrás de um carro velho. Mas eu chego lá. Sou ferida num braço, arrancou-se a unha recém pintada, os meus dentes estão castanhos como a merda. A batalha está renhida. Alguém grita de dor algures no meio dos bidões. O chefe foi alvejado pelo comando revolucionário dos administrativos descontentes.

- A ordinária não me viu. Está entretida a mandar mensagens ao amante que está no outro grupo. Além de cabra é uma traidora. Odeio traidores. Da minha mochila tiro a pintura de rambo, verifico que a arma está operativa e sigo o meu caminho.

- De pé e sem vergonha, como se a vida se me fosse nesse instante, faço pontaria. Respiro. Sorrio. Sinto a morte a sussurrar-me ao ouvido.

“MUERE CABRONA, MUEEEEEEEEEEEEEEEEEEREEEEEEEEEEE!!!!!!!!”

....

Dois jogos mais e fui expulsa. Sou alvo de um processo disciplinar e ninguém me fala no trabalho. Mas ninguém me tira a alegria de ter disparado quinze vezes ao olho da gaja. Nada como um Momento Rambo para por a escrita em dia com os nossos ódios de estimação.

12 Comentários:

Na 1:24 PM, Blogger Jack the Nipple disse...

Lindo!
Há aqui na empresa tanta gente com quem eu gostava de ter um momento Rambo!

 
Na 1:28 PM, Blogger Rita disse...

Sei do que falas, cara Rititi. Nada me deu mais gozo do que alvejar com uns sete tiros o gordo mal-cheiroso de um chefe que me pagava uma miséria e que ainda por cima fazia um jornal de merda.

E aquela cena da máscara que nos faz sentir a respiração estilo Darth Vader??? «May the force be with you...» De certeza que a gaja mereceu os balázios....

 
Na 2:12 PM, Blogger Patrícia Rocha disse...

Isso é que é "engajar", Ó Rititi. *risos*

Livro nas bancas e posta fresca, sem passar pela lota. Isso é que é "pescar" de blogs! *piscar de olho*

Bejos, mtos.

P.S.: Os fãs (bom, falo em nome desta gaja que te escreve) exigem baby-book autografado, e com dedicatória.

 
Na 2:13 PM, Blogger lilla mig disse...

Está genial! Vou propor uma cena dessas por aqui! :)

 
Na 4:02 PM, Blogger Stephen King disse...

Confesso que não sou grande fã de paintball, mas arranjar uma jogatana de basquet e futebol onde possamos realmente dar umas castanhadas de criar bicho nos tipos gorduchos e imbecis que me infernizam o dia inteiro.
O conceito parece-me muito bom!

 
Na 4:19 PM, Blogger miss caipira disse...

estou a imagina-la de arma na mão e oculos escuros:
-"Hasta la vista...Baby"
Muito bom.

 
Na 1:59 AM, Blogger Benjamim disse...

Lindo gostei muito

 
Na 1:14 PM, Blogger Catarina em Lx disse...

Bem... começo a achar que essa ideia do paint ball é melhor ainda do que eu já pensava... Hum... começo a ter ideias...

 
Na 12:16 AM, Blogger Maria disse...

ADOREI!!!! Ao menos descarregaste o que sentias....No último fim de semana também participei num jogo de paintball. Estava o meu ex-namorado com a nova namorada. Era o aniversário de um amigo comum. Resolvi ir..e por acaso a rapariga apreceu pela frente. Acertei-lhe em cheio na parte traseira esquerda. Deu-me gozo, mas todos acharam que era de proposito. Não foi..garanto que foi coincidência...feliz, ma spor acaso

 
Na 12:08 PM, Blogger Paulo disse...

nada como uma boa dose de "violência saudável" para nos sentirmos melhor. imagino o grito de guerra no momento dos disparos. e toda a gente sabe que "morre, puta!" é uma frase emblemática dos campos de batalha.

se fossem ler livros de história e enfiassem os processos disciplinares num sítio que vê pouca luz...

 
Na 12:42 PM, Blogger Carlos Azevedo disse...

Ninguém lhe fala?! Que inveja... Queria eu nunca ouvir a voz de certos colegas!

 
Na 5:17 PM, Blogger PmCDP disse...

Ah,ah,ah! Linda a história. Devo ser um gajo odioso, mas o meu cérebro debitou umas vinte pessoas para pôr atrás do carro.

 

Enviar um comentário

<< Home