Bebe domina en las candidaturas a los premios Grammy Latinos

Tem um olhar escuro, profundo, feminino na sua valentia. Num minúsculo corpo suporta uma voz áspera e esses bracinhos que parecem denunciar fome ou noites mal dormidas escondem a força real desta miúda de 25 anos. Conheci-a quando queria ser actriz, muitos anos atrás, antes de ser a nova estrela da música pop espanhola, naqueles tempos em que carregava às costas uma guitarra e uma cassete com músicas gravadas em casa. Hoje está nomeada para 5 Grammys Latinos, é super-vendas, a referência da nova voz de mulher que não esconde que se masturba, que sente saudades dele ou que tem pena de um planeta doente. Com um único disco, “Pá Fuera Telarañas”, vai à televisão, enche estádios e salas de concerto, ganhou todos os prémios que pode conceder a indústria espanhola, é respeitada pela crítica e idolatrada pelos jovens carentes de letras sinceras, puras e sem a mesquinhice da modernidade.
Bebe merece isto e tudo mais. Porque se fartou de dar concertos à borla, visitar editoras discográficas, trabalhar noites a fio perseguindo um sonho, o seu, com esse delicioso sotaque de Badajoz, com esse corpo minúsculo, com essa força que é dada aos que estão destinados a marcar o tempo dos outros. Gosto de ver como tanto esforço vale a pena.
Felicidades, Bebe, te lo mereces, chacha!

11 Comentários:
Olá Rititi,
passei só para dar um alô e partilhar contigo esse gosto pela Bebe. Fortíssima em palco (até se vêm as veias no pescoço enquanto canta), com óptimas canções, look fanomenal, enfim. Tem que de quem os tem no sítio. Inteiramente merecidas as nomeações, e, espero, os prémios.
Beijinhos
já cá faltavam estes gajos...
Rititi, gosto quando escreves assim de uma forma séria. Gosto de ver que és exactamente aquilo que eu penso que és: inteligente, esperta, compenetrada. Sei que não te interessa o que eu penso de ti, como também não me interessa o que pensas de mim mas, reconheço que se te aponto os erros devo apontar-te as qualidades. Bom, não mudei, não me tornei dócil ou sem personalidade (como o zeca tão bem gosta de apontar), mas sinto que devia dizer-te isto. Porque me apetece. Porque estou em democracia. Porque devemos enaltecer o que achamos de bom no ser humano. Não conheço essa "Bebe" (uma falha, confesso) mas deste-me vontade de conhecê-la, porque gostei do que disseste dela e gostei da forma como o disseste. Vou ouvi-la e vou dar-te a minha opinião. Talvez não te interesse. Talvez... mas dir-te-ei o que penso. Como é o meu costume.
Amelia
Então e que tal falar sobre a falta da lusofonia neste género de prémios. Deviam de mudar o nome para prémios hispânicos!
Ps: O teu texto lembrou-me alguém, cuja força (não sei onde ela a ia buscar), serviu para marcar o meu tempo. Ela nunca o soube, ou penso que não, porque é tão dificil dizer aos outros que os amamos, que eles são tudo para nós. E que sem eles estamos perdidos... Melhor não continuar...
Amelia
Actriz. Está aqui o segredo para o sucesso desta "menina". Embora tenha por detrás uma grande produção, é na interpretação que ela se faz notar. Voz frágil, nasalada (muitos fumos?), não parece o que é, e, à primeira vista, ninguém descobre o que ela é. Mas é! É muito. Lembra-me o Leonard Cohen. O Berry White. Até o Bob Dylon. A Piaff. A Melanie Safka. Até a Elis. Grandes, muito grandes da música universal, sem grandes vozes, mas grandes, imensamente grandes, actores. Actores da palavra dita. Da palavra cantada.
A Bebe, que não conhecia - obrigado, Rititi - é maravilhosa a dizer as palavras. Cantadas. Não sonhasse ela um dia ser actriz. É-o. E canta. Palavras duras arrancadas da dureza dos nossos dias. Palavras expressivas que exigem expressão.
A Bebe, faz de cada música uma peça. Sonho de actriz que não foi. Sonho de actriz que é.
Armstrong. Brell. John Lee Hooker. Ou o Zucchero dos nossos dias.
Vozes sem voz mas com alma.
Como a Bebe.
Afinal o que é que ela Bebe?
Não conheço, nem me parece que a sua música seja do estilo do que ouço, mas se lutou muito, então merece o êxito que está a ter.
Esta Bebe é um autêntico achado!
Patxi Andion de saias: a mesma intervenção, a mesma carga dramática posta nas canções, a mesma raiva, a mesma força, a mesma luta, o mesmo sarcasmo, a mesma alegria, a mesma tristeza, o mesmo ódio, o mesmo amor, a mesma voz... Mulher.
"Ska de la tierra", "Ella", "Con mis manos", "Cuidandote", "Malo Malo", "Razones"... Razones tienes tu, mujer!...
Bebe não conheço. Mas talvez me dê ao trabalho de conhecer. No mundo da música latina, o único projecto que conseguiu (sur)prender foi Amparanoia... absolutamente excelente... eu que nunca pensei que fosse dizer isto acerca de música latina...
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