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Rititi

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INÍCIO

  • querido blogue os governantes asseados

    Querido Blogue,

    Os governantes asseados, Francisco, legislam com luvas de cirurgião. Há temas que ficam sempre bem nas fotos com os ministros dessa Europa moderna, da que fode com camisinha e fuma charros dermatologicamente testados. A Europa rica onde as putas estão na montra, são eslovacas e com os papeis em dia, actualizadas conforme as regras da OCDE e a esterilização vaginal obrigatória. No mundo além dos Pireneus as pessoas vivem sem cortinados nas janelas, escolhem o ramo de cristianismo que mais convém e estão-se bem cagando como ganha cada um o pão para levar à boca, sempre que seja legal. A legalidade dignifica, não o trabalho e o saldo médio da conta bancária.
    E os nossos governantes, viajados e com MBA pagos lá no mundo dos ricos, pensam que afinal as putas também são pessoas, coitadas, gentinha com tanto direito a contribuir pró PIB como os empreiteiros de Braga, os presidentes dos clubes de futebol da terceira divisão regional e os advogados que ganham o ordenado mínimo. Mas o nosso país, apesar de legislável, tem parâmetros diferentes quando legisla a dignidade. E o putedo nacional não é digno. Não existe. Porque ninguém decente vai às putas. Nem existem as máfias que extorquem as famílias no terceiro mundo, não se investigam os bares de estrada com néons cor de rosa à porta, sobre os dinheiros que enchem as contas resultados das entidades financeiras não há quem queira saber. O que têm em mente os nossos gestores da política local são as meninas do Elefante Branco, mais próximas ao ideal da producção pornográfica, recauchutadas e sempre limpas, em vez das búlgaras que servem copos no interior do país em buracos onde se ejacula por vinte euros e nem o médico entra lá. As drogadas que se deixam cair no Intendente, os travestis do Técnico, as velhas que se vendem no Rossio, as brasileiras com filhos nas terras do Nordeste e sem direito ao passaporte, essas nem sequer são gente, não cabem nas estatísticas da legalidade. Ninguém as vê.
    São o dejecto da vida com pressa, a vergonha das casas sérias mas que tanto jeito dão quando a mulher não quer e o marido não sabe. As nossas putas, abandonadas à má sorte do quotidiano e de uma família que perdeu o norte, esquecidas nas bermas das estradas, enganadas pela promessa do fim da fome, escravizadas, maltratadas, violadas, sem fé, não são legisláveis. Porque nem sequer são mulheres, dignas de pertencer à população activa, quanto mais legisláveis. Pois é, Francisco, trata-se unicamente de uma decisão
    «politicamente respeitável», mas vergonhosa e hipócrita.



    Por Rititi @ 2005/10/25 | 8 comentários »

  • xixaovc@hotmail.com says:

    Li e gostei, do teu post, do do francisco e do da miss pearls. Bom tema. Clap, clap!
    Gosto sempre muito de vir aqui!

  • Nuno says:

    Sim, sim e sim!
    Olé tus huevos e beijos, minha querida, ainda desde Barcelona.

  • UGAJU says:

    A legalização da prostituição, criminalizando o comprador de favores sexuais segundo o modelo sueco ou humanizando a actividade segundo o modelo alemão, vai produzir quedas drásticas no consumo. De facto, a actividade ao ser fiscalizada passa a ser tributada. Estima-se assim um aumento de 21% nos preços sem que as facturas possam ser descontadas fiscalmente ou justificadas familiarmente.
    Tentando perceber a preferência dos portugueses por estas profissionais, fez-se uma sondagem no continente e ilhas onde se apurou, com um grau de probabilidade de 95% para um erro máximo da amostra de 2,1%, que as mulheres de alterne não têm dores de cabeça…

  • bahia says:

    Cá para mim falamos muito e não fazemos nada, tem de haver pressão, manifestações, lobbie, tudo, tem de se acabar com as redes de prostituição, é miserável pensar que uma pessoa possa ser comercializada…???????

  • quiosque says:

    É uma tristeza ver as pobres brasileiras e ucranianas exploradas apenas por serem mulheres e bonitas. O ter de levar o pão à boca, faz com que estas mulheres se humilhem, sejam "violadas" no seu intimo mais profundo – a sua sexualidade. Tudo por serem pobres… mundo miserável este, homens miseráveis aqueles que tiram prazer de uma mulher a troco de 20€. Mundo cão este.

  • BMFB says:

    falta de pensar à frente, capacidade de previsão, os famosos quinze minutos à frente. é no fundo o que esta medida nos faz pensar. mas não é bom pensar que "lá fora" é por regra melhor que "cá dentro". Lá fora também se fazem argoladas, tambem tomam medidas na base do tentativa e erro. o problema é com o vazio e a qualidade da nossa classe política e esse… é geral!
    bom artigo rititi!

  • Portuga says:

    Tenho para mim que uma prostituição legalizada e regulamentada havia de ser bem melhor que a decadência que se vê nas ruas de hoje. Mas há quem prefira fingir que elas são transparentes e que não existem.

    Era melhor que não houvesse prostituição? Talvez, mas a discussão é estéril. E raismepartam se percebo por que car… alguém há-de ter alguma coisa com o assunto se uma mulher ou homem querem ter sexo a troco de dinheiro.

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