Querido Blogue,
Tenho pena de não saber como era o mundo a preto e branco, de ter sido parida após o 25 de Abril. Sofro por nunca ter sido alvo da opressão do sistema fascista, do machismo e da Igreja e até posso dizer que sinto cá nos meus interiores hormonais uma certa desilusão por jamais ir presa por fumar na rua, ser adúltera, conduzir sem autorização do meu pai, votar, beber sozinha em casa, comprar a pílula, faltar ao emprego, ser fã dos Anjos, comprar vibradores, não me confessar ou abortar
O problema da intelectualidade feminina da época do canal único é que ainda não descobriu que a depilação não é sinal de fraqueza ante o poder do falo dominante. Elas, as senhoras da esperteza das letras, sonham no escuro da noite pela continuação da luta, do quebrar das normas imperialistas, massacrando com o seu discurso todos aqueles que não ocupam o tempo no estudo da anti-matéria, da discriminação racial e o sexo dos anjos. E nós, as fúteis da vida, as meninas mimadas da democracia, nada sabemos. Como elas, as que não têm sexo sem se sentirem violadas, as que compram sabendo que estão a contribuir para a degradação do terceiro mundo, as que assistem a casamentos cagando-se nas mamas da nossa senhora.
O que algumas chamam crítica social eu digo ser inveja complexada. Por não ter nascido na minha época, em democracia, onde qualquer uma pode ser stipper, massoquista, dona de casa, puta e até, imaginem, editar um livro.

13 Comentários:
Ora, ora, rititi: tudo isto por causa da crítica que saiu no Expresso do passado fim-de-semana?! Eu, que até gosto da sua escrita, tenho que a corrigir num ponto. Tudo aquilo que refere no último parágrafo já existia antes do 25 de Abril, excepto a capacidade de editar um livro. Claro que é tudo uma treta: não há mal nenhum em editar muitos livros, mesmo que muitos sejam maus. Quem quer ler os bons, como eu, sabe perfeitamente onde encontrá-los. Já agora, uma recomendação: da mesma editora do seu, a Oficina do Livro, saiu agora uma colectânea das crónicas que a Maitê Proença publicou na revista Época nos últimos dois anos. Serão, certamente, menosprezadas e criticadas pela crítica. Mas sabe que mais? Adorei; são deliciosas!
As velentes fêmeas do Maio de 68!
O feminismo exacerbado é tão mau.. não! É pior! Muito pior, que o machismo. Porque cai no mesmo arro, após a crítica, o que lhe esvazia a razão com a mesma facilidade com que os bueiros engolem as águas das chuvas. Porque aumenta a consternação a quem observa, como se tivesse entrado numa banheira com água quente e sais de banho (remédio de muitos males) apenas para descobrir que a água se esvai porque não se teve o cuidado de tapar o ralo e, entretanto, ali estamos nós... nús e cada vez mais frios!
Mas que sei eu? Também fui parido depois do 25 abril de 74!
arro = erro :).
Não consegui ler o artigo inteiro porque no site do Expresso só dá para ler um bocado, para ler o resto tem-se que pagar. Mas pelo que li, parece dor de cotovelo. Não é preciso nenhum curso para escrever um livro, por isso "qualquer um" escreve e só compra quem quer. Por isso rititi não te rales com gente mesquinha que não tinha nada de interessante sobre que escrever e decidiu chatear-te a tola. Beijo.
rititi
cagando e andando para a frente.
mas quem é que ainda compra o Espesso???
Ainda não comprei o teu livro, mas fiquei com mais vontade ainda de o ler, como alguém dizia (Salvador Dali?), é bom que falem de nós, bem ou mal, mas que falem.
beijoquita
portanto, um gajo ou gosta do teu livro ou é invejoso... tá certo.
tá gira a tua crónica no dna esta semana. e parabéns pelo primeiro aniversário.
Ponto 1) A Rititi queixa-se de nunca ter apanhado porrada? Venha ter comigo que isso resolve-se!...
Ponto 2) Também penso que gostar dos Anjos é condição suficiente para ir de cana durante 10 anos...
Abraços.
Sona: Salvador dali?
Quem disse "Falem bem de mim, ou falem mal, mas falem!" foi a Madonna :)
Claro que sabe gerar sururu. E eu aqui vou também...Estou com o outro [raramente me envolvo nestas merdas, mas custou-me]. Não li o seu livro porque ainda não calhou. Eu até leio rótulos de garrafas de lixívia. Ainda não calhou mesmo e agora talvez até o procure nos escaparates e isto minha amiga é que não existia antes. Esta possibilidade de nos insurgirmos contra quem diz que fedemos, ripostarmos contra o olfacto dos gajos e de caminho até vendermos mais. Quanto ao resto, vítimas, fémeas literatas, santas beatas, valentes tontas, fracas nevróticas e ressaibiadas não são apanágio de 68. Infelizmente são intemporais.
Siga a marinha!
Essa perspectiva saudosista dos "bons velhos tempos" e da geração rasca já tem mofo, já..
Ora porra! Tudo isto por causa do jornal "Expresso"? Ainda se fosse o "24 horas", ou o "Crime", ou até o "Ocasião"! Esses sim, jornais de gabarito, boa escrita, feitos para o povo. Agora o "Expresso"? O que sabem eles sobre o bem escrever? Digam, o que sabem eles? Nada... Jornalescos que estão na banca e servem meia dúzia de intelectuais, vêm criticar as escritoras promissoras do nosso país? Caramba, não é justo! Dizer mal de uma Margarida REbelo Pinto, de uma Lopo de Carvalho e até de uma Rititi? Foda-se, armam-se porquê? Sejamos honestos!, para bem vender há que saber como chegar ao âmago do nosso povo. E, para isso, não há necessidade de profundidade. Quem quer coisas profundas, atira-se ao poço ou faz umas consultas de psiquiatria... Por isso, nada contra os produtos ligth. Eu até gosto: não engordam (embora até o próprio ar pareça fazer-me engordar. É por isso que agora falo muito menos); não enjoam (quando consumidos rapidamente); e não deixam mossas para o futuro... Estes livros nunca mudarão o mundo, ou a vida de ninguém mas, se tiverem capas bonitas, sempre podem embelezar a estante lá de casa. É que uma gaja que é gaja, não pode dedicar muito tempo à leitura. (Queridas, leiam os resumos, dá sempre resultado. Podeis passar por intelectuais sem gastar o precioso neurónio ou a vossa rica vistinha). Eu, ´cá por mim, não perdia o sono por causa de uma crítica. Porquê? Dobrava a dose dos soníferos... Eu cá sou assim.
Pronto!, confesso! Nasci antes do 25 de Abril. E, quando a minha mãe me perguntou? "Filhinha, o que queres ser, quando fores grande"? Eu titubeei a medo "Posso ser puta, minha mãe"? Eu lá sabia o que era isso... Bem, o estalo deu-me a resposta.
As mulheres podiam ser putas, masoquistas, enfim, o que quisessem, E, carregariam esse estigma, como agora ainda o fazem. Agora, pergunto-me, foi essa, afinal, a conquista destas grandes mulheres pós 25 de Abril? Sinto que não acrescentou grande colorido ao pano de fundo branco e preto de Salazar.
amelia
pensei escrever um post solidário quando li a dona Dóris, mas sabia que tu melhor do que haverias de a mandar à merda com a falta de classe que nos é exclusiva a nós, gajas do pós-25...
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