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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • rititi em campanha contra violencia de

    RITITI EM CAMPANHA: CONTRA A VIOLÊNCIA DE GÉNERO


    Silvia Abascal para a exposição da Fotoarte.

    Não vou em manifestações de solidariedades partilhadas, abraços por uma causa que encha espaços públicos e estádios de futebol. Estou-me bem cagando para a vida do ganso que acaba no meu prato em forma de paté, as peles da J.Lo me la sudan e, para dizer a verdade, acho piroso de tão justo o Live 8, 10 ou 51 e todos os actos de consciencialização massiva. O cancro da mama trato-o no ginecologista e contra a guerra exerço o meu direito ao voto. Não apoio candidatos à Presidência da República com interesses económicos numa África que morre de fome, assim como denuncio os autarcas que choram para encher as contas privadas deixando o povo sem acesso a transportes e escolas decentes.
    O único que me tira do sério é o mau trato à mulher, o desprezo pelo sexo. Porque me ataca diariamente nas bocas do café, porque é contra mim que se dirige esse ódio concreto ao meu direito ao desenvolvimento social, à liberdade de fazer o que me sair do grelo. Religiões que proíbem o acesso da mulher ao mercado de trabalho, educações baseadas na diferença de trato à hora de pôr a mesa e cozinhar o jantar, clichês sobre vocabulário e maneiras de vestir, considerações sobre quem pode sair à noite e quem não se deve enfrascar, a contabilidade das quecas e o apontar com o dedo à puta, as dúvidas sobre o sucesso profissional da gaja, tudo isto é mau-trato. Não só a sova e a pancada em frente aos filhos.
    E contra a violência verbal, familiar, social, física e económica sim que me manifesto. Para o resto que venham os louçãs dos blogues, os megaconcertos e donativos em directo, as galas de beneficiência e as manifestações contra as touradas que nem me despenteio.



    Por Rititi @ 2005/11/22 | 16 comentários »

  • xixaovc@hotmail.com says:

    Transcrevi-te no meu blog. Devidamente identificada.
    Belo post!

  • Francisca says:

    Rititi, desculpa mas não posso concordar inteiramente com o que está escrito.
    É, sem sombra de dúvida, repugnante que se maltrate uma mulher e estamos, infelizmente, muito longe ainda de ultrapassar essa "moda" quase milenar que destruiu vidas de mulheres, nem que seja porque em tantos sectores da vida social a mulher continua a ser encarada como ser humano de segunda categoria (até por aquilo com que a sobrecarregam – filhos, gestão doméstica, estética, cultura e carreira- sem espaço nem oportunidade de exigir que a letra da Constituição não seja, quanto a ela, uma letra morta em coisas tão básicas como vencimentos iguais.
    Mas adiante. Porque a mulher tem a capacidade de lutar em várias frentes, entendo que eu ( por ser mulher e, portanto, ser humano de corpo inteiro)tenho o dever – ou pelo menos o direito – de sentir e lutar por outras vítimas.
    É certo que não sou dada a manifestações mas nem sempre só o voto mata a guerra.
    Por todas as vítimas sinto comiseração, sejam animais, ambiente, património…destruir é a forma mais vil de dominar.
    Herdando o antropocentrismo judaico-cristão, o homem (com letra minúscula) transformou-o em tremendo domínio do género, mas não se ficou por aí.
    Por isso, não como paté de ganso ou uso peles naturais:)

  • bonifaceo says:

    Acho que a francisca tem razão, os animais não se podem defender dos maus tratos que lhes damos, tal como o povo subnutrido de África não tem meio de defesa se não for ajudado, ao contrário das mulheres que podem lutar por elas mesmas, embora eu também defenda essa tua causa rititi, não queria parecer um machista com este comentário, porque obviamente não o sou.

  • hobbes78 says:

    As mulheres são inteligentes e têm vontade própria. Se preferem ser o saco de pancada de quem não sabe o que é ser homem, é deixá-las ser.

    Tal liberdade não tinham os escravos e lá foi abolida a escravatura. Tal liberdade não têm os touros e já ouvi dizer que em Barcelona já as touradas estão proibidas o que é capaz de ser um sinal que na Ibéria as pessoas estão a ficar mais civilizadas.

    Agora revoltar-me por essas mulheres que são vítimas porque querem? Eu não. Que acontecerá a seguir, manifestações contra o sadomasoquismo? Cada um faz aquilo que quer…

    Sinto solidariedade é com as mulheres do mundo islâmico, pois essas não têm a liberdade que as portuguesas têm (mas que algumas decidem não utilizar).

  • rititi says:

    Francisca, entendo o que queres dizer, mas o ganso só me preocupa no pão. É por isso que não sou vegetariana. Claro que cada um é livre de apoiar as causas que lhe apeteçam e neste meu espaço, assim como na minha vida, inclino-me pelas causas (como odeio o nome causas) que me tocam diariamente.

    Bonifaceo, que uma mulher se pode defender… olha, depende o que consideres maus tratos. E a capacidade de defesa.

    Hobbes… olha, nem sei que diga ante um ser que sente mais solidariedade por um touro que por uma mulher. Muito mau.

  • Lost In Lisbon says:

    talvez queiras lero mpost que acabei de escrever sobre um encontro de terceiro grau no Parque Eduardo VII e a reacção que susctiou junto de um amigo… é como tu dizes, um atentado diário à minha dignidadde enquanto ser humano ao amesquinharem a minha dor, o meu medo, aminha existêncis porque sou mulher…

  • bonifaceo says:

    Rititi, considero maus tratos aqueles que referistes, morais, fisícos, ou de qualquer outra natureza que humilhe e desrespeite um ser. Obviamente que quando falei em ir à luta não era andar à paulada a esses gajos, se bem que o mereciam.
    O foe-gras é animalesco como é feito, às vezes não sei quem são os racionais e os irracionais.

  • hobbes78 says:

    «um ser que sente mais solidariedade por um touro que por uma mulher»… duh…

    Também há homens que são vítimas de violência doméstica e estes casos são socialmente ainda mais humilhantes.

    Se eu sinto solidariedade por estes homens? Tenho mais que fazer.

    Por isso corrijo-te rititi: sou um ser que tem mais solidariedade por um touro do que por mulheres ou homens que tendo a liberdade de saírem de um ambiente que os constrange, não o fazem. Ou por outras palavras: não tem nada a ver com o facto de serem mulheres as vítimas.

    Alguém leu «As Aventuras de João Sem Medo»? Nele é mencionada uma terra chamada Chora-Que-Logo-Comes. É esta terra que toda esta situação me faz lembrar. Uma terra onde as pessoas em vez de trabalharem e lutarem pela vida, limitam-se a chorar à espera que caia uma migalha. Mulheres e homens vítimas de violência doméstica: lutem, façam algo, mas deixem-me em paz.

    Detesto estas tentativas de tornar o estado num estado paternalista. Faz-me lembrar os tempos do salazarismo. Como dizem os ingleses: «Behave, kids!…».

  • xylophóros says:

    Hobbes, impressiona saber, sabe-se lá por que motivos (ser do contra, por ser, ou… estupidez mesmo?…), tratar(?) de um qualquer assunto, pelo seu lado contrário.
    Exemplificando, Hobbes, quando passares por debaixo de um beiral e te cair uma telha na cabeça, a culpa nunca será da telha, do dono da telha, do fabricante da telha, do trolha que assentou a telha, do proprietário da casa, do inquilino do último andar ou da PQP. A culpa será sempre tua pois, como mandam as normas, é tua obrigação andares de cabeça para o ar para veres quando te vai cair uma telha na mona.
    Aliás, Hobbes, se reparares, hoje em dia, anda toda a gente a olhar para cima: os beirais do nosso país estão de tal modo, que só nos resta olhar-mos para cima para não apanharmos com a tal telha… na tola.
    Hobbes, Hobbes, do que um gajo se serve pra botar faladura!…

    I'll be back. Desta vez pra falar do assunto. Dos maus tratos. Mesmo.

  • xylophóros says:

    ADENDA

    Eu não queria dizer "olhar-mos" (embora me apetecesse que alguém "mos" olhasse!) mas sim, olharmos como é bom de olhar.
    Peço desculpa por me sair sempre a boca para a verdade.

  • Mario Pai Natal says:

    arriba,arriba. andale, andale!

  • sexlibris says:

    xylophóros disse…
    "Hobbes, impressiona saber, sabe-se lá por que motivos (ser do contra, por ser, ou… estupidez mesmo?…), tratar(?) de um qualquer assunto, pelo seu lado contrário."
    Caro Xylophóros, tenho de sair em defesa da digníssima e legítima abordagem do Hobbes.
    Apesar das considerações femininíssimas da Rititi (a palavra não poderia ser apropriada: impenetráveis para o raciocínio masculino, que é o meu também, e algo rude…), não estão a salvo dos comentários de quem os rebate, como diz, pelo seu lado contrário. Ou estamos aqui só para abanar o nosso rabinho canino?
    A revolução feminina não pode ser feita no mesmo nível de violência psicológica em que é feita a guerra contra/pós-taurina; a revolução feminina só vai acontecer porque está a livrar-se da maior oposição que tinha: a das próprias mulheres; e também porque as mulheres são superiores no domínio da… estratégia (vêem?, um cérebro masculino pensa imediatamente: intriga).
    Sejamos justos, se vamos colocar a liberdade de mulheres e toiros na mesma discussão, teremos de colocar a liberdade dos homens… na discussão da liberdade dos cavalos dos sultões das arábias.
    Há muito ainda a acrescentar sobre a discriminação e moralidade mesquinha que persegue as mulheres. Continue-se a discussão.

  • hobbes78 says:

    Sou contra os tempos do salazarismo em que uma mulher para viajar para o estrangeiro tinha de ter uma autorização escrita do marido.

    Sou a favor da entrada da Turquia na UE somente pelo facto de ser um passo em frente na direcção das mulheres desse país passarem a ser tratadas com igualdade, tal como acontece no resto da união.

    Sou contra os comentários machistas que se ouvem quando uma mulher comete um erro a conduzir, do género «vê-se logo que é gaja».

    Sou contra o facto de se um gajo andar com muitas gajas é o maior e se uma gaja andar com muitos gajos ser uma puta. É injusto para elas.

    Sou contra o facto de muitos empregadores discriminarem as mulheres na altura da contratação só porque podem engravidar, ou contratá-las com a cláusula de não poderem engravidar.

    Considero um crime sujeitar uma rapariga que ainda não tem idade para decidir, à circuncisão feminina, como acontece na comunidade guineense e na Guiné Bissau.

    Conheço pouca gente que leve em consideração a igualdade de direitos entre homens e mulheres como eu.

    Mas considero que uma protecção específica para casos de violência doméstica uma forma de dizer que as mulheres são umas coitadinhas, uns seres incapazes de se defender por não serem tão inteligentes como os homens, gente a quem não deveria ser dada liberdade por não conseguir fazer uso dela. É um absurdo. Por isso sou contra.

  • amelia says:

    Uma altura li um artigo sobre educação infantil: como tratar os nossos filhos… Num certo momento do texto dizia-se para incentivar os nossos filhos, não os maltratando com frases que parecem inofensivas, género "és um desastrado, és um burro, e ~por aí adiante". Passado algum tempo, a criança interioriza tudo isso e, passa, efectivamente a acreditar que é verdade.
    Será que isto só se passa com a criança? Penso que não… Se a pessoa a quem um dia amámos ( e quiça, continuámos a amar), passa a vida a dizer que não prestámos, que somos uma nulidade, etc, etc… em pouco tempo esses insultos vão minando o nosso amor-próprio. E, passamos a acreditar que somos realmente assim. Não sei que impulsos leva um homem a maltratar uma mulher, não sei que sentimentos ou que medos continuam a prender a mulher a esse idiota que a menospreza e que aniquila a sua integridade física e moral, só sei que acho ridículo e redutor falar que uma mulher apanha porque quer.
    "Ser vítima porque se quer???". Levar pancada, dar entrada no hospital, viver no medo que desta vez a coça seja maior, viver no medo de simplesmente respirar mais alto e apanhar? Vítima porque se quer? Ninguém me tinha dito que apanhar dá status, dá estilo e aumenta-nos o ordenado. Ninguém me tinha dito que estas vítimas, magoadas física e moralmente, são-no só porque querem. E não porque não têm alternativa. Só porque o medo as paralisa. Só porque têm pavor de ser julgadas.Só porque, nesta sociedade nojenta e absurdamente machista, apanhar do marido é ser uma nulidade como mulher e como esposa.,e o pobre é sempre o homem, o coitado descontrolado, cuja mulher até nem o compreende. Ser mulher ainda é do caralho, sabem porquê? Porque os homens ainda se julgam o melhor que pode acontecer na vida de uma mulher. Por isso, este semi-deus, que não passa de um frustrado,um ignorante e um castrador, deve punir a mulher por ela simplesmente existir…

  • Anonymous says:

    Há gente muita parva! E em gente incluo homens e mulheres!
    O sr. hobbes, que não é sem dúvida o tigre de peluche do Calvin, porque até esse conseguiria entender a pertinência da questão! O que se discute aqui já não é a violência doméstica, mas a "causa" da violência doméstica… é o que nos fazem os media…só minhocas!
    Uma coisa é a pertinência da questão social da violência doméstica, a sua implicação directa na vida dos cidadãos, outra coisa é "será que eu concordo que a violência doméstica (ou violência de género) seja considerada uma causa?"
    O que se discute aqui não é mais o problema em si. E acerca desse tenho a dizer (defendendo as que não falam) que as mulheres não são necessariamente umas fraquinhas, cobardes, que não fazem nada contra essa situação por se habituam à auto-comiseração das suas vidas… a maioria delas tem Graves problemas económicos, dependência Económica do companheiro e tantas vezes filhos e filhos que não podem afastar duma relação desse tipo sem recursos mínimos. Quando não é o dinheiro, é o amor-próprio que se vai, e muitas vezes a dependência do companheiro é também amorosa: muitas vezes estão apaixonadas ou vicidas nessas relações (e não é porque são maluquinhas).
    "Mulheres e homens vítimas de violência doméstica: lutem, façam algo, mas deixem-me em paz."(hobbes) Este é um exemplo da atitude do português, e do espanhol, do inglês, etc. … para com a violência doméstica: a alergia aos problemas privados que se misturam com a vida social. Há assuntos que São e Devem ser do respeito de todos e se não querem ser incimodados desliguem a televisão mas não batam na mulher por frustração… A hipocrisia à portuguesa chega a isto…

  • Anonymous says:

    Comentário publicado pela Sufragista da autoria de Ricardo(ainda sem blog…)

    A violência sobre o género feminino existe, existiu, e continuará a existir, se bem que nuns países mais do que noutros. O livro "Queimada Viva", de Souad, é um exemplo do pior que se faz. E pensar que o Corão dá o direito à mulher de pedir divórcio por o marido não lhe servir café após o jantar… Adiante. Nos países ditos "desenvolvidos", essa violência manifesta-se sobretudo sob a forma de descriminação, o que não quer dizer que situações de violência física não existam. Tanto sobre mulheres, como sobre homens, companheiros na vida, ou no trabalho, ou sem serem companheiros de todo. Provavelmente, o sr. Hobbes (não devia ter escrito o "sr.", pois não merece tal título) encara o problema como uma daquelas coisas que "só acontece aos outros". Mas a verdade é que para eles, os outros, os outros somos nós. Não quer que o chateiem, e esquece toda uma série de condicionantes afectas ao problema (já referidos nos comentários, por isso não me vou repetir), e nem sequer se quer dar ao trabalho de usar dois dedos de testa para reflectir a sério sobre o problema (talvez não tenha os dois dedos de testa…). É o velho argumento do sexo forte e o sexo fraco. Mas minha querida, aprendi há muito que o verdadeiro sexo forte são vocês: são mães, e isso basta.
    Quanto a ti… bem, ficas indiferente a tanta coisa menos a este problema. Estás, também, no teu direito. É verdade que grande parte das vezes LIVE 8s e afins não dão em nada, ou melhor dar dão, mas não a quem realmente precisa. Quando mais altos valores se levantam (monetários), coisas como solideriedade, compaixão, altruísmo passam a ser o que são exactamente: palavras. Mas recorda-te de uma coisa: Foi por causa de pessoas que vieram muito antes de ti e de mim que, por se manifestarem e indignarem, nos deram o direito a viver num mundo (semi) livre de escravatura. Foi por causa de pessoas que tiveram a coragem de em meados do século passado se revoltarem contra um regime tirânico que ameaçava tomar conta do mundo que as gerações seguintes não tiveram de o fazer. Foi por causa de muitos se manifestarem e levarem porrada de criar bicho que, tirando algumas excepções, se acabaram com os ensaios nucleares.
    Tens todo o direito de te indignares contra a violência do género. Mas o voto pode não chegar para impedir uma guerra. Veja-se o caso dos EUA. E de qualquer forma, reflecte apenas nisto: Se, no teu tempo de vida, forem abolidas todas as injustiças que se cometem sobre as mulheres, se por acaso quiseres ter filhos, queres trazê-los a um mundo onde, embora não haja violência baseada no género, há guerra, pobreza, fome e miséria, ou onde não existam gansos, martas, focas e outros bichinhos assim?

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