Agora, se me desculpam,

vou lá abaixo ver o passo de Nuestro Padre Jesús de la Salud, o de Medinaceli, pequenino e um bocado deslocado entre a romaria urbana das obras, dos bares, das tapas de pimientos del piquillo e dos guiris com mapas da cidade. Este Cristo de madeira não tem quem lhe cante, nem velhas enlutadas pela agonia do retablo, só uns fieis antigos, de quando o bairro não era das Letras e os únicos habitantes eram burgueses de fatos de linho e umas quantas putas com casa oficial ao lado da pastelaria Suiza. Afinal Madrid não é Sevilha: o cheiro da cera não contamina o quotidiano dos utentes do metro. Aqui segue-se o passo até o próximo compromisso. Nem é Castela, fria e sombria, vestida com a mortalha que há de cobrir o cadáver do penitente. Em Madrid já nos basta o trânsito diário para ser um bom temente de Deus Nosso Senhor.
Em Madrid, o de Medinaceli passa ao lado do bar. Sai-se à rua durante dois minutos. E cada um reza como sabe. Eu, normalmente, com o copo na mão, porque os meus também bebem e são eles os únicos que contam nas minhas orações.
2 Comentários:
Quando vivia em Madrid, na quinta-feira santa saía para almoçar com os meus colegas de trabalho, e já não voltávamos da parte da tarde. Caminhávamos desde a Plaza Pablo Ruiz Picasso até à Castellana e almoçávamos no El Lateral, e bebíamos cañas a tarde toda enquanto falávamos de nós, e das nossas famílias. Comíamos morcilla de Burgos con pimientos de Padrón, picadillo de ciervo e embutidos de bellota. Para mim eram mais Páscoa esses almoços risonhos do que qualquer outra memória que tenho desta data.
Boa Pascoa Rititi!
Pois pelas italias, depois do drama berlusconi so nos resta acender cigarros em vez de velhinhas e almoçar tortellinis com cabrito e colombas, um doce em forma de pomba, igual ao doce em forma de coroa que comem no natal. E viva a originalidade!.
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