Quarta-feira, Abril 12, 2006

Agora, se me desculpam,

vou lá abaixo ver o passo de Nuestro Padre Jesús de la Salud, o de Medinaceli, pequenino e um bocado deslocado entre a romaria urbana das obras, dos bares, das tapas de pimientos del piquillo e dos guiris com mapas da cidade. Este Cristo de madeira não tem quem lhe cante, nem velhas enlutadas pela agonia do retablo, só uns fieis antigos, de quando o bairro não era das Letras e os únicos habitantes eram burgueses de fatos de linho e umas quantas putas com casa oficial ao lado da pastelaria Suiza. Afinal Madrid não é Sevilha: o cheiro da cera não contamina o quotidiano dos utentes do metro. Aqui segue-se o passo até o próximo compromisso. Nem é Castela, fria e sombria, vestida com a mortalha que há de cobrir o cadáver do penitente. Em Madrid já nos basta o trânsito diário para ser um bom temente de Deus Nosso Senhor.
Em Madrid, o de Medinaceli passa ao lado do bar. Sai-se à rua durante dois minutos. E cada um reza como sabe. Eu, normalmente, com o copo na mão, porque os meus também bebem e são eles os únicos que contam nas minhas orações.

2 Comentários:

Na 6:25 PM, Blogger katraponga disse...

Quando vivia em Madrid, na quinta-feira santa saía para almoçar com os meus colegas de trabalho, e já não voltávamos da parte da tarde. Caminhávamos desde a Plaza Pablo Ruiz Picasso até à Castellana e almoçávamos no El Lateral, e bebíamos cañas a tarde toda enquanto falávamos de nós, e das nossas famílias. Comíamos morcilla de Burgos con pimientos de Padrón, picadillo de ciervo e embutidos de bellota. Para mim eram mais Páscoa esses almoços risonhos do que qualquer outra memória que tenho desta data.

 
Na 1:38 PM, Blogger Miss Spring disse...

Boa Pascoa Rititi!
Pois pelas italias, depois do drama berlusconi so nos resta acender cigarros em vez de velhinhas e almoçar tortellinis com cabrito e colombas, um doce em forma de pomba, igual ao doce em forma de coroa que comem no natal. E viva a originalidade!.

 

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