Segunda-feira, Maio 01, 2006

PRÉMIO VAI AO CU A TI: A CULPA É TUA POR IR ASSIM VESTIDA

Almoço no porto de Lisboa. Marido e mulher põem a escrita e as saudades de Lisboa em dia. Gosto tanto de ti, meu amor, e venha mais um copo, que a vista é curta e o rio, ai o Tejo, traz memórias de quando Lisboa era casa e as vistas se encurtavam com só abrir a janela. Mas a mesa do lado, toda ela gestores ou gerentes de alguma coisa com curvas e orçamentos, fala alto, era uma garrafa de conhaque ófaxavor e as gajas da empresa querem todas dormir comigo, elas é que não sabem. E nós, de mão dada, suspiros e beijinhos, porque no matrimónio nem tudo é partilhar despesas e broncas sobre a sogra. Gosto do meu marido, gosto de como me toca a perna, gosto de o ver a fumar, gosto das histórias que me conta sobre a infância em Espinho. E a mesa do lado continua com charutos e as vozes vão-se elevando à medida que se enchem os cinzeiros. Pelos vistos alguns daqueles homens de fato e barriga exerceram como forcados numa época em que a gente era só miúdas sempre prontas e noitadas bem regadas. Cada vez ouço menos o meu marido, talvez porque a mesa do lado, com as suas gravatas desmanchadas e a voz potenciada pelo excesso da sobremesa, tenha escolhido um novo tema de conversa: eu. E mais concretamente as minhas mamas, que por um estranho mistério da natureza, vejam lá, estavam a apontar na direcção daqueles inocentes machos lusitanos.
Quem me manda? Ir assim vestida, com a quantidade de gajos que andam por aí, como me atrevo a excitar a tarde de copofonia daqueles gestores? E para aquele bando de pichas tortas, nem eu mereci ser mais a mulher sentada à mesa com um marido recordando a vida em Lisboa e a sonhar a volta a casa. Porque a partir do momento em que as minhas mamas entraram na órbita visual dos antigos forcados, passei de indivíduo contribuinte, votante, livre-pensadora e leitora compulsiva num naco de carne, num pedaço de sexo a quem apontar o dedo e virar as costas. Em algo inferior que não merece respeito. Porque na consciência alcoolizada daqueles garanhões de meia tigela eu não era igual a eles.
Falar de quotas, igualar por decreto, encher horas e páginas de comunicação social sobre direitos que não existem é fácil. Mas o que já custa mais é ter os tomates de mudar em casa, nos restaurantes, anúncios publicitários, revistas de género, no quotidiano deste meu Portugal onde a mulher ainda não é considerada digna de ser tratada como igual. E assim a gente não vai longe.

10 Comentários:

Na 4:51 PM, Blogger cafajeste disse...

Mas Rititi, se são bonitas...

 
Na 7:25 PM, Blogger joe indian disse...

Um gentleman cultiva uma relação informal e passageira com as mamas da senhora da mesa do lado, não fala alto com os amigos, por exemplo do estado "piton de alumínio" em que a mesma possa estar. Que prática tão ascorosa, apre!

 
Na 8:06 PM, Blogger katraponga disse...

Há uns dias tinha também uns energúmenos na mesa ao lado da minha enquanto almoçava com a minha namorada. É impressionante como uma mulher não pode vestir algo mais ousado que, mesmo estando com o seu companheiro, é alvo não só das miradas como das bocas mais saloias que se possa imaginar. E o valor da conta não baixa sequer por levar com este tipo de companhia.

 
Na 5:02 PM, Blogger celeman disse...

Não vai longe?Já era bom que se conseguisse ir a algum lado...

 
Na 6:29 PM, Blogger exactamente disse...

Vide sketch dos Gato Fedorento "O Que Tu Queres Sei Eu".

 
Na 7:35 PM, Blogger sldance disse...

mas em espanha as mulheres são tratadas como iguais? homens assim só existem aqui em portugal?

 
Na 5:16 PM, Blogger paulo2006 disse...

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Na 5:22 PM, Blogger paulo2006 disse...

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Na 5:32 PM, Blogger sexlibris disse...

Rititi,
Tenho sido um visitante infrequente, mas lembro-me de ter lido este texto já há algum tempo atrás...!
Foi só para saber se estamos atentos?

 
Na 5:39 PM, Blogger paulo2006 disse...

Olá. Deixei dois comentários..,depois arrependi-me e por fim deixo o link para o meu forum.
Dá uma vista de olhos.

 

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