PRÉMIO VAI AO CU A TI: A CULPA É TUA POR IR ASSIM VESTIDA
Almoço no porto de Lisboa. Marido e mulher põem a escrita e as saudades de Lisboa em dia. Gosto tanto de ti, meu amor, e venha mais um copo, que a vista é curta e o rio, ai o Tejo, traz memórias de quando Lisboa era casa e as vistas se encurtavam com só abrir a janela. Mas a mesa do lado, toda ela gestores ou gerentes de alguma coisa com curvas e orçamentos, fala alto, era uma garrafa de conhaque ófaxavor e as gajas da empresa querem todas dormir comigo, elas é que não sabem. E nós, de mão dada, suspiros e beijinhos, porque no matrimónio nem tudo é partilhar despesas e broncas sobre a sogra. Gosto do meu marido, gosto de como me toca a perna, gosto de o ver a fumar, gosto das histórias que me conta sobre a infância em Espinho. E a mesa do lado continua com charutos e as vozes vão-se elevando à medida que se enchem os cinzeiros. Pelos vistos alguns daqueles homens de fato e barriga exerceram como forcados numa época em que a gente era só miúdas sempre prontas e noitadas bem regadas. Cada vez ouço menos o meu marido, talvez porque a mesa do lado, com as suas gravatas desmanchadas e a voz potenciada pelo excesso da sobremesa, tenha escolhido um novo tema de conversa: eu. E mais concretamente as minhas mamas, que por um estranho mistério da natureza, vejam lá, estavam a apontar na direcção daqueles inocentes machos lusitanos.
Quem me manda? Ir assim vestida, com a quantidade de gajos que andam por aí, como me atrevo a excitar a tarde de copofonia daqueles gestores? E para aquele bando de pichas tortas, nem eu mereci ser mais a mulher sentada à mesa com um marido recordando a vida em Lisboa e a sonhar a volta a casa. Porque a partir do momento em que as minhas mamas entraram na órbita visual dos antigos forcados, passei de indivíduo contribuinte, votante, livre-pensadora e leitora compulsiva num naco de carne, num pedaço de sexo a quem apontar o dedo e virar as costas. Em algo inferior que não merece respeito. Porque na consciência alcoolizada daqueles garanhões de meia tigela eu não era igual a eles.
Falar de quotas, igualar por decreto, encher horas e páginas de comunicação social sobre direitos que não existem é fácil. Mas o que já custa mais é ter os tomates de mudar em casa, nos restaurantes, anúncios publicitários, revistas de género, no quotidiano deste meu Portugal onde a mulher ainda não é considerada digna de ser tratada como igual. E assim a gente não vai longe.

10 Comentários:
Mas Rititi, se são bonitas...
Um gentleman cultiva uma relação informal e passageira com as mamas da senhora da mesa do lado, não fala alto com os amigos, por exemplo do estado "piton de alumínio" em que a mesma possa estar. Que prática tão ascorosa, apre!
Há uns dias tinha também uns energúmenos na mesa ao lado da minha enquanto almoçava com a minha namorada. É impressionante como uma mulher não pode vestir algo mais ousado que, mesmo estando com o seu companheiro, é alvo não só das miradas como das bocas mais saloias que se possa imaginar. E o valor da conta não baixa sequer por levar com este tipo de companhia.
Não vai longe?Já era bom que se conseguisse ir a algum lado...
Vide sketch dos Gato Fedorento "O Que Tu Queres Sei Eu".
mas em espanha as mulheres são tratadas como iguais? homens assim só existem aqui em portugal?
Esta mensagem foi removida por um administrador do blogue.
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Rititi,
Tenho sido um visitante infrequente, mas lembro-me de ter lido este texto já há algum tempo atrás...!
Foi só para saber se estamos atentos?
Olá. Deixei dois comentários..,depois arrependi-me e por fim deixo o link para o meu forum.
Dá uma vista de olhos.
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