Querido Blogue,
No meu Portugal está tudo parvo. Ai, ai, ai, que a minha vida é tão triste, ai, ai, ai, que a gente não tem dinheiro, ai, ai, ai e a depressão, a recessão, a inflação e constipação do cão, ai, ai, ai, que há de ser de nós, pobres, sem esperanças até para a segurança social na rua da amargura como o nosso fado, ai, ai, ai, quem nos salvará desta sina, ai, ai, ai, que sobem os juros, ai, ai, ai minha machadinha que a culpa, essa, nunca é minha. Olha, deste lado da fronteira tenho a vos dizer: fodei-vos! Que falta de pachorra, cum caralho, dasse que uma gaja já não vos pode ouvir. Uma semana em Lisboa e tudo com a mesma lenga-lenga tremendista: comerciantes, jornalistas, bancários, putas e pretos, bêbedos, dealers de drogas duras, taxistas, funcionários da EPAL, arrumas e vendedores de botões, designers, modernos e instaladores, canalizadores, quiosqueiros, alunos de liceu, comentadores e colunistas, pensadores, arrivistas e gentes que a gente até acha sérias e voluntariosas, trabalhadoras e peritas
No fundo trata-se de uma questão de sorte, ou melhor, da sorte que OS PORTUGUESES (sim, sim, não virem a cara que a conversa é com vocês) achamos que a história, o descobrimento do Brasil, Fernando Pessoa e a bunda brasileira nos deve. Afinal, se estamos neste estado deplorável (pobres, feios e mal fodidos segundo todas as crónicas da imprensa séria) é porque um cataclismo universal que só afectou Portugal nos impediu de ser tão altos como os alemães, ricos como os noruegueses e felizes como qualquer Pepe de Sevilla. Porque o nosso mal é estrutural, estruturante e endémico, uma putada genética, um cancro que nos recome a economia e a vontade de seguir em frente desde que sucumbiu Lisboa, ou entrou a Inquisição, ou quando chacinámos aqueles judeus todos, ou no 25 de Abril ou quando perdemos o Europeu. Ou, ou, ou...
A culpa, minha machadinha, nunca é minha. Dos políticos e do regime, toda a gente sabe, ao tempo que um perigosíssimo sentimento patriótico inunda as janelas e conversas do meu Portugal. Bandeiras para paliar as contas a negativo, a tristeza, as olheiras e os incêndios. Bandeiras e hinos contra a corrupção nas autarquias e as faltas não justificadas dos deputados. Bandeiras a preparar o caminho para um tirano, um demagogo qualquer que nos diga que a culpa é dos deputados, da política e do Estado das coisas. Está tudo pronto para levar no cuzinho, grátis e sem vaselina. E gostaremos de ser mandados, gozados e expoliados do único que nos resta: a decência.
Realmente é de ter pena. E muito medo. Coitadinhos, pá.
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Contudo, ainda há quem tenha esperança. Diz o Francisco José Viegas, na Origem das Espécies que «Se os «indivíduos» fossem mais exigentes, mais corajosos na sua exigência (para consigo, para com o Estado, para com os serviços prestados pelos outros), andaríamos muito melhor. Nem era preciso chegar aos quartos-de-final e às festas na Expo se Portugaaaale passar nas eliminatórias do Mundial.»

11 Comentários:
Assim é que é falar... sim porque quem assim fala, não é gago, nem engasgado, mesmo se sem vazelina, haja que nos faça falar de falos, só para não falarmos...
Até mais...
E agora diz lá com sinceridade: dá uma vontade danada de voltar pa cá n dá?? :) Quaaaaaaase!!
Como eu te compreendo!.. e olha que eu estou deste lado da fonteira! adoro portugal pq continuo c um nacionalismo puro de quem nasce portuga e morre portuga... detesto é estes portugueses de bosta que nos trocam as voltas todas e nos lixam cada vez mais!...
Rititi a presidente!!
É constrangedor concordar com estas lúcidas palavras.
Quando passo dias fora daqui e por comparação de vivências experimento sempre
esse sentimento de indignação...
Tambem vivi no estrangeiro, lá dizia-se que nos tropicalizavamos, aqui diz-se que nos aportuguesamos, ou seja, nos tornamos descrentes e abastardados. Fica tudo como nos fados que é um fado "sermos assim" e afinal "eles" é que se governam. Mas os "eles" são os "espertos" que elegemos, porque os tipos "inteligentes" estão todos a dizer mal dos "espertos", tipo ciclo vicioso.
O país somos nós, vamos ser tão exigentes com o país como somos quando vamos ao café e nos servem o mesmo morno.
Uma queixa sobre as queixas dos portugueses.
Achei o texto tão engraçado, que o destaquei no meu blog.(www.urban-jungle.name )
Espero que não haja problema!
Vou voltar!
Observatório da Jihad:
http://www.observatoriodajihad.blogspot.com/
Sou eu de novo.
Espero que não te importes que eu coloque o teu post no meu forum.
Clique aqui para ver forum
Acho que não é coisa genética, mas de esforço e vontade.
pois é, nós Tugas somos genéticamente queixinhas e preguições
Com lciença que me vou por de pé! Clap, clap, clap, clap!!!!!
É que é tal e qual!!!!!!!
É por estas e por outra que vou emigrar!!!!!!
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