Segunda-feira, Junho 26, 2006

SEMANA DE MUDANÇAS (e de postes muito curtinhos)

Que em dois anos e meio me tenham crescido nas estantes recibos, cartões de visita mutilados pelo destino do filtro, livros de outros e prendas de natal da empresa, parece-me bem. Também é normal o excesso de casacos de malha, meias sem par e malas no fundo do armário. Ou o nascimento espontâneo de carregadores de telemóveis nokia detrás do sofá. Sem esquecer os especiais de férias, moda, teatro, bodas reais e motor para ler mais tarde. Na boa. Acontece em qualquer casa de passagem, minúsculos habitáculos onde nem sequer se penduram os quadros porque a gente sabe que daqui a nada vai sair, é só até encontrar uma coisa melhor, maior, com corredor, varanda, forno e espaço para desanuviar as diferenças conjugais sobre os estilos maternos na confecção do arroz de pato. Afinal, as pessoas não só crescem de abdómen, e no amor também se necessita muita luz, janelas para a rua, elevador, porteiro físico e armários embutidos onde despejar toda a tralha a que chamamos recordações.
Mas o que a mim me encanita neste guardar de roupa velha e móveis demasiado passeados pelas fronteiras da península é que depois de mil mudanças continuo sem encontrar aquele livro de Onde está o Wally? E já lá vão seis caixas de literatura. Nada. Não o encontro. Ganhou o criador do gajo com
cara de parvo e camisola às riscas.

1 Comentários:

Na 6:56 PM, Blogger aNa disse...

afinal não era só Wally que era difícil de encontrar... o livro também :)
beijos.

 

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