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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • outro monologo possivel monologo

    OUTRO MONÓLOGO POSSÍVEL
    (Monólogo Festivo*)


    (a boazuda da Elsa Pataky)

    Ai, que homem este Jaime Ramos… Que charmoso, e que esperto, e que rápido da cabeça, e que bom é a resolver crimes de sangue, e que grande clube de futebol tem ele, e que jeito para escolher charutos cubanos, e que conhecimento do fascinante mundo da cerveja, e que bem que lhe ficam as tishârtes de algodão, e que voz eu lhe imagino. E, sobretudo, ai que feliz que ele me faz na cama. Ai.

    (*Com motivo do primeiro aniversário do blogue do Francisco José Viegas, A Origem das Espécies. Um beijo desde um Madrid, a quarenta graus à sombra das dúvidas.)



    Por Rititi @ 2006/08/30 | 2 comentários »


    querido blogue nao sei o que lhe da ao

    Querido Blogue,

    Não sei o que lhe dá ao gentio planetário para jurar em público que é virgem, cosidinha que tem a coisa e prometida penetração à irmandade do anel. A sério que não percebo. A virgindade não é mais que um estado anterior, como andar de gatas ou esperar que o dentista nos tire o aparelho e a vergonha do caldo verde escarrapachado no canino esquerdo, uma fase que todos deveríamos esquecer ou pelo menos ignorar. Ninguém faz nada de jeito sendo virgem, como a ninguém importa quanto tempo o esteve, e menos ainda como aprendeu a meter a pilinha, se fodeu com a prima ou o amor da escola, se tinha mamas ou pelos no grelo, se ele era bom, carinhoso, curto, grosso, coelhinho ou príncipe que virou sapo.
    Aliás, se ser virgem é ignóbil, mais ainda o dia em que se dá o passo à normalização do sexo, as gajas de perna aberta e a olhar para o tecto, um-dois-três-vá-lá, mas isto já está?, enquanto eles abanam o rabinho borbulhento num estranho caso de possessão pela nádega. Por muita vela, incenso, musiquinha de ir ao cu, preservativo com sabor a morango, lencinho no candeeiro, juro que serei delicado, dói, amor, vamos devagar, obrigada por teres esperado, digo, por muito que se disfarce o momento de comédia romântica que todos gostaríamos de protagonizar em domingos chuvosos de ressaca, nunca, mas nunca, jamais, ever será digno de ser comentado porque ninguém à face da Terra tem a culpa da fraca figura que todos fazemos na primeira vez que tentamos chegar ao orgasmo a dois.
    A primeira vez não é boa para ninguém e não há ser humano que me convença do contrário. Não há amor do verdadeiro nem tusa que chegue ao mínimo olímpico exigido para não fazer o ridículo, e para esquecer tanta humilhação são precisas semanas de sexo non-stop e muita dedicação ao álcool em estado puro rodeado de desconhecidos (ou sexo com estranhos em estado puro). E esta mania das gajas de jurarem a pés juntos que sim, que elas gostaram porque foi bonito, enfim, que mais vale fazê-lo com alguém que se ame que vir-se com fartura não só é o começo de uma frigidez congénita e mentalmente transmissível, como é muito mais patético que as supostas onzes vezes, mais a lotaria e terminação que o gajo consegue logo à primeira. Eles, coitados, só têm fé numa vida de orgasmos sem fim, enquanto o mulherio se resigna, logo desde o minuto um, a uma vida de insatisfação garantida a ver telenovelas e a sonhar com o corpo nacional de bombeiros.

    E tudo por esta estupidez pós-moderna de dar importância a um defeito que deve ser rapidamente ultrapassado, como não saber caminhar, falar, comer de boca fechada, conduzir ou manter uma conversa com seis uísques nos cornos. Vejam a Britney, alguém me pode explicar de que lhe serviu ser virgem?



    Por Rititi @ 2006/08/28 | 11 comentários »


    coisas que eu gosto de fazer em agosto

    COISAS QUE EU GOSTO DE FAZER EM AGOSTO (IX)

    “Los gorilas son capaces de mantener amistades más duraderas que las de los humanos porque no se prestan dinero”.

    Ler as crónicas – diárias – de Juan José Millás para a Revista de Agosto do El País.

    Porque escrever crónicas não é só achar, eu penso de que, ai eu que sei tanto disto, se eu mandasse, eu, eu, eu. Acontece que em Portugal, onde o desporto nacional é cagar sentenças, o papel do cronista passa pelo vómito de opiniões muitas vezes inúteis e mil vezes repetidas, e o mais curioso é que os próprios jornais, revistas e panfletos vários parecem estar orgulhosos de reduzir a coluna a enunciações de preconceitos mal enjorcados e que não trazem nada de novo ao já deprimente panorama intelectual da pátria. Há poucos cronistas que mereçam esse nome, rara é a originalidade nos espaços que se dizem de opinião, aborrecem as colunas, os raciocínios e os temas e o humor é tratado como um bicho de sete cabeças. Mal está o país que teme a gargalhada e mal está Portugal, a julgar pelo cinzentismo das letras e falta de graça em geral. As mulheres são uma minoria num género que mija de pé e que é machista, casposo e piroso de tão agarrado ao preto e branco e ao papel das mulheres nos jornais. As gajas que escrevem são, em noventa por cento, chatas, pretensiosas, cheias de medinhos e complexos, incapazes de estrebucharem e mandar para o caralho o que as impede de progredir. Ou seja: nada diferentes à maioria dos homens que tanto invejam, por tanto. Ambos os sexos, isso sim, vivem num mundo de arrogância e altivez, sentindo-se muito importantes por assinar uma coluna, por se considerarem opinion makers, convencidos que as linhas que escrevem mudarão a banal vida dos leitores presos à monotonia da ordinarice das nove às cinco. Ao contrário do que poderão pensar os estreados cronistas, uma coluna não é um post, mandar bitaites matinais, levantar o dedo e dar no botão de publish. Precisa-se muita investigação, curiosidade, cultura, tempo, dores de cabeça, imaginação, algo de sacrifício e vontade de contar alguma coisa nova, original e que faça reflectir, sobretudo, a quem escreve. Ou pelo menos deveria ser assim.
    Por isso é tão bom ler Juan José Millás nesta série chamada “Pie de Foto”, por ser tão despretensiosa, tão cheia de esperteza e sentido de humor. (Quase) Tudo o que falta por cá, não sei se me explico. E o MEC não conta.



    Por Rititi @ 2006/08/24 | 7 comentários »


    micro causa do verao rescue suri tambem

    A MICRO-CAUSA DO VERÃO: RESCUE SURI

    Também válida nas versões “Esterilizem a Katie”, “Stop Free Fathership”, “Antes no Zoo que na Mansão dos Cruise”, “It’s not Her Fault”, “A Cientiologia Aborta os Neurónios”, “Suri, Keep Breathing”, “Arrest Tom Now”, “Depois Admirem-se”, “Até os Beckham acham isto tudo muito esquisito”, a Micro-Causa do Verão 2006 visa arrebatar a Suri das garras dos Cruise, seres abduzidos por uma religião de plasticina e que cada dia se parecem mais às suas estátuas de cera.
    Porque acredito que é possível uma infância longe de psicopatas, convoco todos os leitores rititianos a manifestarem o seu repúdio a esta família de perigosos tarados que raptou um bebé inocente e que pretende fazer dele um alucinado terrorista suicida. Alguém quer novos Michael Jacksons no planeta terra? Acaso Tom Cruise precisa tanto assim de se reproduzir? Que escuras razões têm os Cruise para ocultar a Suri do olhar púbico? Aliás, porque não dar verdadeira utilidade ao arsenal nuclear iraniano? (Enquanto não chega a t-shirt podem ir jogando aqui).



    Por Rititi @ 2006/08/23 | 2 comentários »


    coisas que eu gosto de fazer em agosto_22

    COISAS QUE EU GOSTO DE FAZER EM AGOSTO (VIII)

    ÉNE-Á-DÊ-Á



    Por Rititi @ 2006/08/22 | 2 comentários »


    coisas que eu gosto de fazer em agosto_18

    COISAS QUE EU GOSTO DE FAZER EM AGOSTO (VII)

    Encomendar livros para o (meu, único e absoluto) Mr. Pinheiro. É assim o matrimónio, a gente casa-se com um loiro do nuorte e descobre que o gajo é um perito em Dostoiévski. Amigas, tenham cuidado, nunca sabemos com que tipo de homem partilhamos a casa de banho até que o mal está feito. Eu cá ainda não me refiz da impressão.



    Por Rititi @ 2006/08/18 | 11 comentários »


    coisas que eu gosto de fazer em agosto_17

    COISAS QUE EU GOSTO DE FAZER EM AGOSTO (VI)

    Ler as crónicas taurinas do ABC. Vestir-me de bonito para ir às corridas. E saber-me parte de uma elite que está unida pela paixão real por um animal que só se entende desde os tendidos. Porque o mundo dos touros, em que o tempo se mede por tercios, sortes e avisos, este mundo ao que pertenço por direito e o dever com a história da minha terra, não está feito para os que acreditam na justiça da vida. Nem na igualdade por decreto-lei. Nem na pobreza franciscana da morte higiénica porque assim o ditam as normas do politicamente correcto. No mundo dos touros não cabe a globalização, nem o antropomorfismo, nem a manifestação arruaceira, nem o dedo acusador dos que se esquecem que pecam desde que acordam, nem a vergonha de ser parte de uma península com páginas escritas em sangue e amores desde o burladero. No mundo dos touros conta o ontem tanto como o amanhã e sabe-se que tudo é vão se mandado de fora, por valores de uma Europa que decidiu que a fruta já não sabe a fruta e as vacas melhor mortas que úteis. Sim, gosto de ir aos touros em Agosto e desde Março até Setembro e acabar a temporada em Zaragoza, no Pilar. Gosto de acreditar que ainda há esperança para os valentes e que nem tudo se consegue esperando na bicha que tanto degrada por baixo. É o problema dos nossos tempos, valoriza-se demasiado o concurso público enquanto os génios, os heróis, deixam de contar para as estatísticas dos que temem a originalidade. Por isso gosto dos touros, porque este mundo faz superiores, únicos, a cada uma das partes implicadas e ainda bem que nem toda a gente o consegue compreender que o mundo tem bonitos, feios, pobres e coxos e contra isso, batatas. Afinal aqui não se entra invocando a democracia, o que é fodido quando não se aceita a diferença e que há sempre alguém melhor que nós.



    Por Rititi @ 2006/08/17 | 9 comentários »


    anormalidades do meu portugal e normal

    Anormalidades do meu Portugal

    - É normal a existência de um programa na RTP chamado “As Escolhas de Marcelo”? O que virá a seguir? As Dicas do Avôzinho? Marcelo lê histórias para dormir? Ou votem-me, se faz favor, que eu quero é ser Presidente da República? Portugal precisa tanto assim que lhe ensinem a pensar à hora de jantar? É normal que ninguém se queixe?

    - É normal que António Monteiro, director de comunicação da TAP, afirme que “entre um candidato não fumador e um fumador, em igualdade de circunstâncias, vamos optar pelo não fumador” para “evitar que o pessoal de bordo dê um mau exemplo aos passageiros”? E depois, que tal contratar homens em vez de mulheres porque estas podem engravidar? Ou que tal despedir todos os menores de trinta anos, não vão eles casar e passar tempo demais com a família? É normal que António Monteiro mantenha o posto de trabalho depois de emitir tamanhas barbaridades?

    - É normal que a directora da revista “Pais e Filhos” escarrapache no editorial de este mês a foto do seu próprio filho, criança esta que sofre de uma rara doença e que é obrigada a caminhar de muletas? É normal que esta psicopata se cresça como jornalista através da miserável história do filho, menor desprotegido da alucinação de uma mulher que o leva a curandeiras para que lhe “transmitam energia”? É normal que uma revista destas seja dirigida por uma tarada que se congratula com fazer chorar os leitores com a desgraça pessoal de outro ser humano?

    - É normal que um país como Portugal, onde as violações sexuais a crianças não indignam ninguém e a violência doméstica é coisa demasiado privada para ser considerada uma tragédia vergonhosa de âmbito nacional, de repente se arme em virgem ofendida e exponha publicamente os nomes dos devedores ao fisco? A quem interessa realmente este vexame em praça pública?

    - É normal que a PT utilize numa campanha publicitária televisiva três jovenzinhas que se comportam como as universitárias calientes, oh si cariño dame guerra da secção relax de qualquer jornal? É normal que a mulher seja sempre a putéfia que tudo vende na publicidade portuguesa?

    - É normal que tendo as melhores vistas da Europa, um clima abençoado, um rio azul, azul, seja quase impossível encontrar em Lisboa um lugar decente onde beber um copo ao fim da tarde? Porque continua Lisboa na mesma parvónia provinciana, condenando locais e turistas a tascas mal condicionadas ou espaços-instalações-ikea estupidamente caros?

    - É normal a construção de um condomínio no edifício da PIDE? É normal a amnésia selectiva?



    Por Rititi @ 2006/08/16 | 15 comentários »


    coisas que eu gosto de fazer em agosto_11

    COISAS QUE EU GOSTO DE FAZER EM AGOSTO (V)

    Recuperar Las Grecas

    Bom fim de semana, queridos e queridas todos, que eu vou caminho de Lisboa (de avião para não haver merdas), a cidade mais bonita do mundo. Lisboa, luz e céu, a casa onde eu quero voltar um dia.



    Por Rititi @ 2006/08/11 | 1 Comentário »


    querido blogue continua arder serra

    Querido Blogue,

    Continua a arder a Serra D’Ossa. Em vinte e quatro horas os eucaliptos da Portucel foram-se como palha seca, pauzinhos de palitar que são; o mato que ninguém achou importante limpar serviu de fósforo para os filhos da puta que serão identificados pela polícia como os autores materiais de um crime já suspeito de encomenda; no Monte das Carvalhas os meus pais esconderam as botijas de gás na piscina e os cães António, Melany, Fiona, Tomás, Kika e Miura foram resgatados do pânico e do fumo; ninguém sabe do gato, nem da águia, nem da família de perdizes que se cruzava da estrada de terra, nem dos javalis, nem das raposas; a Dona Margarida, que a semana passada viajou por primeira vez de avião, viu como as chamas ficaram a trezentos metros das cabras; cinzas pastosas, sujas, criminais, cobriram o céu e os carros de Badajoz; combatem o incêndio duzentos e quinze bombeiros, sessenta e um veículos, um avião Beriev, quilómetros de mangueiras, capacetes, gritos, alertas decretados pela Câmara Municipal de Estremoz, anónimos com mantas, rezas, lágrimas, foda-se porquê a nós, ai se os apanho, haviam de saber o que é sofrer, perder a casa e o gado e anos de amor a um pedaço de terra, que gente é esta, santo deus, que não respeita quem os alimenta, desespero, muitíssima indignação.
    Porque não é justo. Porque nada irá acontecer para punir a barbaridade de hoje e evitar a tragédia do amanhã queimado, da terra sem vida, sem o futuro do verde, da água. E os bombeiros continuam voluntários, abandonados à generosidade de entregar a dedicação que outros não querem investir em vigilância contratada, leis que sancionem com a proporcionalidade do crime cometido ou valentia política. É assim o meu país, sempre a caminho do Algarve, sempre a deixar para Setembro o assunto dos fogos, quando nada há para apagar senão a vergonha. É assim o meu país, pasto de condomínios, pasto de novo riquismo que olha para o monte como residência de férias, a origem pirosa de uns avós analfabetos e a vergonha dos amigos do centro comercial. É assim o meu país. Uma vergonha. A pena é que nem todos merecemos a merda de país que temos.



    Por Rititi @ 2006/08/08 | 11 comentários »