COISAS QUE EU GOSTO DE FAZER EM AGOSTO (IX)
"Los gorilas son capaces de mantener amistades más duraderas que las de los humanos porque no se prestan dinero".
Ler as crónicas - diárias - de Juan José Millás para a Revista de Agosto do El País.
Porque escrever crónicas não é só achar, eu penso de que, ai eu que sei tanto disto, se eu mandasse, eu, eu, eu. Acontece que em Portugal, onde o desporto nacional é cagar sentenças, o papel do cronista passa pelo vómito de opiniões muitas vezes inúteis e mil vezes repetidas, e o mais curioso é que os próprios jornais, revistas e panfletos vários parecem estar orgulhosos de reduzir a coluna a enunciações de preconceitos mal enjorcados e que não trazem nada de novo ao já deprimente panorama intelectual da pátria. Há poucos cronistas que mereçam esse nome, rara é a originalidade nos espaços que se dizem de opinião, aborrecem as colunas, os raciocínios e os temas e o humor é tratado como um bicho de sete cabeças. Mal está o país que teme a gargalhada e mal está Portugal, a julgar pelo cinzentismo das letras e falta de graça em geral. As mulheres são uma minoria num género que mija de pé e que é machista, casposo e piroso de tão agarrado ao preto e branco e ao papel das mulheres nos jornais. As gajas que escrevem são, em noventa por cento, chatas, pretensiosas, cheias de medinhos e complexos, incapazes de estrebucharem e mandar para o caralho o que as impede de progredir. Ou seja: nada diferentes à maioria dos homens que tanto invejam, por tanto. Ambos os sexos, isso sim, vivem num mundo de arrogância e altivez, sentindo-se muito importantes por assinar uma coluna, por se considerarem opinion makers, convencidos que as linhas que escrevem mudarão a banal vida dos leitores presos à monotonia da ordinarice das nove às cinco. Ao contrário do que poderão pensar os estreados cronistas, uma coluna não é um post, mandar bitaites matinais, levantar o dedo e dar no botão de publish. Precisa-se muita investigação, curiosidade, cultura, tempo, dores de cabeça, imaginação, algo de sacrifício e vontade de contar alguma coisa nova, original e que faça reflectir, sobretudo, a quem escreve. Ou pelo menos deveria ser assim.
Por isso é tão bom ler Juan José Millás nesta série chamada "Pie de Foto", por ser tão despretensiosa, tão cheia de esperteza e sentido de humor. (Quase) Tudo o que falta por cá, não sei se me explico. E o MEC não conta.

7 Comentários:
O que falta não é o humor e a despretensão. O que falta cá é a falta de tomates. E se houver quem os tenha e não diz o que deve ser dito, é porque não pensa lá muito bem.
Há dias de manha que um gajo à tarde não deve sair à noite! Nos outros, é sair e fazer directa!
Enfim... acrescento esta frase batida, não vá alguem julgar que a falta de originalidade se está a despedir de nós!
allez hezbolah!
Concordo plenamente.. e adorava poder ter despretensão suficiente pa te dizer sem parecer pretensiosa que vou usar o teu blog nos meus links, :D, ms tomates é uma coisa que ja estou habituada a nao ter n mnha vida (acredita)!! fui credível?
continua o bom trabalho :)
Discordo. Uma vez emprestei dinheiro ao Barradas e desde aí nunca mais me livrei dele. Continua a ser meu amigo e a pedir-me dinheiro emprestado até hoje.
Ñ posso senão concordar e mto!
E o MEC já voltava a publicar mais qq coisita das suas crónicas...
Não podia concordar mais.
é por isso mesmo, para alem de outras coisas, que o el pais é um dos melhores jornais europeus...
bjs
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