Querido Blogue,
Não sei o que lhe dá ao gentio planetário para jurar em público que é virgem, cosidinha que tem a coisa e prometida penetração à irmandade do anel. A sério que não percebo. A virgindade não é mais que um estado anterior, como andar de gatas ou esperar que o dentista nos tire o aparelho e a vergonha do caldo verde escarrapachado no canino esquerdo, uma fase que todos deveríamos esquecer ou pelo menos ignorar. Ninguém faz nada de jeito sendo virgem, como a ninguém importa quanto tempo o esteve, e menos ainda como aprendeu a meter a pilinha, se fodeu com a prima ou o amor da escola, se tinha mamas ou pelos no grelo, se ele era bom, carinhoso, curto, grosso, coelhinho ou príncipe que virou sapo.
Aliás, se ser virgem é ignóbil, mais ainda o dia em que se dá o passo à normalização do sexo, as gajas de perna aberta e a olhar para o tecto, um-dois-três-vá-lá, mas isto já está?, enquanto eles abanam o rabinho borbulhento num estranho caso de possessão pela nádega. Por muita vela, incenso, musiquinha de ir ao cu, preservativo com sabor a morango, lencinho no candeeiro, juro que serei delicado, dói, amor, vamos devagar, obrigada por teres esperado, digo, por muito que se disfarce o momento de comédia romântica que todos gostaríamos de protagonizar em domingos chuvosos de ressaca, nunca, mas nunca, jamais, ever será digno de ser comentado porque ninguém à face da Terra tem a culpa da fraca figura que todos fazemos na primeira vez que tentamos chegar ao orgasmo a dois.
A primeira vez não é boa para ninguém e não há ser humano que me convença do contrário. Não há amor do verdadeiro nem tusa que chegue ao mínimo olímpico exigido para não fazer o ridículo, e para esquecer tanta humilhação são precisas semanas de sexo non-stop e muita dedicação ao álcool em estado puro rodeado de desconhecidos (ou sexo com estranhos em estado puro). E esta mania das gajas de jurarem a pés juntos que sim, que elas gostaram porque foi bonito, enfim, que mais vale fazê-lo com alguém que se ame que vir-se com fartura não só é o começo de uma frigidez congénita e mentalmente transmissível, como é muito mais patético que as supostas onzes vezes, mais a lotaria e terminação que o gajo consegue logo à primeira. Eles, coitados, só têm fé numa vida de orgasmos sem fim, enquanto o mulherio se resigna, logo desde o minuto um, a uma vida de insatisfação garantida a ver telenovelas e a sonhar com o corpo nacional de bombeiros.
E tudo por esta estupidez pós-moderna de dar importância a um defeito que deve ser rapidamente ultrapassado, como não saber caminhar, falar, comer de boca fechada, conduzir ou manter uma conversa com seis uísques nos cornos. Vejam a Britney, alguém me pode explicar de que lhe serviu ser virgem?

11 Comentários:
fartei-me de rir enquanto lia.
rititi...continua cariño
um besito
A Rititi tem é um trauma com a sua primeira vez...
lollllllllll
Muito bom!!É um facto, a primeira vez, por muito cutchi-cutchi que seja, ai amor que gosto tanto de ti, ai, ai, é um horror.
A minha primeira vez foi com a mão direita e foi bom. Mas quando, anos mais tarde, a troquei pela esquerda, ela nunca mais quis nada comigo.
ahahhahahah
Mas a primeira vez não existe para poder vir a segunda? ;)
És minha santa padroeira e te seguirei até o fim do mundo!
Ave, Rititi!
Nem mais...
Mas nos homens é diferente... a primeira vez não dói, nem suja as mãos do Lazlo :).
Excelente post.
Estou simplesmente sem palavras para comentar este post... bom demais para ser falado, só apreciado...
"Estou simplesmente sem palavras para comentar este post... bom demais para ser falado, só apreciado..."
Eu também estou sem palavras. É realmente maravilhoso este post, uma pérola de argúcia, poesia (sobretudo a parte em que ela fala do "sexo com estranhos em estado puro") e inteligencia, nunca alguém se tinha lembrado de dizer que a virgindade já nao está na moda. Um Nobel para a Rititi e já!
Será que o marido da Rititi também concorda com a parte do "sexo com estranhos em estado puro"?
ah desculpa, mas pra mim foi bom na primeira vez sim. foi ótimo!!!! a gente já se agarrava tanto que um dia não deu pra segurar. e eu adorei!
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