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Rititi

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INÍCIO

  • momento gina magra e obediente no

    MOMENTO GINA: MAGRA E OBEDIENTE

    No reality mais alucinante da têvê espanhola que toda a gente vê (considerando toda a gente aquele ser humano ou animal que chegue aos mínimos olímpicos de sentido estético, tempo livre para ler revistas de assuntos rosa e tenha as unhas dos pés arranjadas todo o ano), doze adolescentes com trinta quilos de massa corporal – que inclui cérebro, ossos e lábios – lutam, sofrem e choram pela promessa, a potencialidade, ou seja, por poderem eventualmente-talvez-quem-sabe ser eleitas como A candidata para um concurso de modelos internacional. Toda a gente está viciada, rodeada, isso sim, por um sentimento de culpa que mistura asco, adoração, ressaca domingueira e preguiça de mudar de canal. Toda a gente discute as nomeações, as passarelles da semana, as provas de fotografia, toda a gente comenta os cortes de cabelo e toda a gente acha que as miúdas são tratadas abaixo de cão. Os professores, quando homens, são uns panascas sádicos, untados por um machismo ultra fundamentalista e alheios a qualquer preocupação de ordem moral, considerando-se, sempre e aliás, superiores a essas pobres criaturas escanzeladas e dependentes da sua genialidade para o inútil mundo da moda. E aquelas crianças de metro e oitenta, bonitas e estupidamente magras, obedecem, posam, trotam, rebolam, passam frio, medo e humilhações, já não pelos quinze minutos de fama, mas porque acham que é assim que deve ser, que assim é que chegam ao elitista universo das capas de revistas, sapatos que fazem calos e champanhe ao pequeno-almoço.
    E deste lado do ecrã ainda ninguém reclama. Toda a gente está tão fascinada pela capacidade de sofrimento destas criaturas e pela sua coragem de bulímicas assexuadas e sem mamas obrigadas a olhar para a câmara fotográfica como cadelas em cio, que se esquece que é assim que os ideólogos da moda pensam nas mulheres. Como cabides das suas criações, magras e obedientes, sem a ordinarice das curvas, da carne, do rabo, desse asco de carne que se pendura entre o pescoço e o umbigo chamado mamas. Eu, que sou toda a gente, passo uma fome do caralho cada vez que vejo o programa. A sério. Só me apetece comer chouriço, sandes de toucinho frito, azeitonas, pezinhos de coentrada, sopas de tomate com ovos escalfados, bifes da Portugalia da Almirante Reis, mesmo sabendo que depois não há camisa hiperquerida que me caiba nas mamas. Tenho fome. Estou totalmente out. E ainda bem.



    Por Rititi @ 2006/09/15 | 14 comentários »

  • Alexandre says:

    Incrível como se pensa que os ícones de beleza passam por este tipo de adolescentes escanzeladas e sem curvas…

    Eu prefiro o oposto… Se calhar também estou completamente "out"…

    Parabéns pelo blog! É extremamente empático para quem a visita!

  • Anabela S. Dantas says:

    Completamente out é não haver dois dois dedos de testa que caibam na cabeça dessas "Bundchen-wannabe´s"…
    Out é elas acabarem a mostrar as mamas que não têm para um calendário qualquer por 50 euros! Mais out é não terem tido educação para gozarem de um pouco de bom-senso!

  • definitivo says:

    "Só me apetece comer chouriço, sandes de toucinho frito, azeitonas, pezinhos de coentrada, sopas de tomate com ovos escalfados…".
    Sabes que mais? – servindo-me de uma das tuas -, fiquei com uma fome do caralho.

    PS: dás-me um prazer dos diabos quando mostras que, afinal, Espanha e Portugal, são mais que irmãos: são gémeos.

  • Carlota says:

    Quando chegará essa "maravilha" à Pátia Lusa, na cauda da Europa mas… sempre pronta a adoptar tudo o que é novidade patetica??

  • K. says:

    Asqueroso…

  • Penelope says:

    Não sei quando começou isso, mas em nome deste ideal bulímico ja devorei milhares de pasteis de nata em frente a tv num momento de puro masoquismo vendo as beldades esqueleticas
    (ideal esse que persigo a anos sem hipotese de alcançar)Ai me pergunto…quem foi o infeliz que decretou que o padrão estético vigente tinha que ser o visual miss anorexia?

  • Ana F. says:

    Digo mais: quem é o infeliz que julga que ser feminina é não ter curvas?
    E com olhos como se tivessem sido recém-desenterradas…

  • Ana 100 Sentidos says:

    Absolutamente extrodinária a forma como (d)escreve esse programa que só vi uma ou duas vezes.
    Por estar em completo acordo, é só mesmo para dizer que gosto do que escreve.
    Beijinho

  • hey says:

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