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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • madrid e os reis fea pobre y portuguesa

    MADRID E OS REIS

    «Fea, pobre y portuguesa. ¡Chúpate esa!». Assim se mofava o povo de Madrid quando conheceu o nome da que seria a segunda mulher do rei Fernando VII, Isabel de Bragança. Filha do nosso João VI e sobrinha do seu próprio marido, Isabel não só era conhecida pela carência de beleza, formosura, bom gosto, elegância, graça ou inteligência, como também pela majestade da sua realíssima cornamenta. Uma desgraça, enfim, essa nossa delegação diplomática no país vizinho. Por sorte para a pobre senhora e para a imagem de Portugal, em três anos morreu, deixando o rei sem descendência e na obrigação de arranjar outra herdeira de pedrigree nobiliário, talvez mais apta para a reprodução e as lides de cama e que não causasse nos súbitos liberais monumentais ataques de riso na Praça de Oriente. Escolheu o monarca, fazendo gala do bom senso de quem só frequenta bordéis e corridas de touros, uma criança de quinze anos, alemã e virgem, com fantasmagóricas versões sobre as obrigações conjugais ensinadas por freiras apocalípticas e cuja performance na noite de núpcias roçou por momentos uma hilariante escatologia, misturando a adoração do Terço, espasmos, lençóis urinados e um rei histérico exigindo por carta ao Papa uma solução a tanta falta mística de coito: «¡O yo jodo de una vez con esa pazguata o que el Santo Padre anule mi matrimonio!». Esta também morreu. Sem filhos. Fernando 3 – Elas O.
    E os madrilenos ficaram órfãos de uma monarca a quem dedicar operetas de escárnio, pasquins com caricaturas e filhos ilegítimos. Porque Madrid foi, é e será essa tia solteirona, sempre perto do alcoolismo, seca, bem vestida e com idade suficiente para falar mal dos outros. Madrid não respeita coroas, mas não pode viver sem elas. Fernando VII finalmente encontrou uma rainha à altura, que lhe deu duas filhas e se apoderou da regência do país. Graças a Maria Cristina, Madrid desfrutou da estrambótica figura de Isabel II, rainha, segundo o historiador José Luis Comellas: «desenvuelta, castiza, plena de espontaneidad y majeza, en el que el humor y el rasgo amable se mezclan con la chabacanería o con la ordinariez, apasionada por la España cuya secular corona ceñía y también por sus amantes». No universo mental do português actual, esta Isabel seria o resultado de clonagem do Alberto João Jardim, o Telmo-recruta e a doce irmã Lúcia. E Madrid vibrou com esta rainha, adolescente na cabeça e com o apetite sexual herdado no sangue borbón. Valle-Inclan desejou-lhe o exílio, o povo contava-lhe os amantes enquanto depositava naquela benfeitora com pouco alcance intelectual as esperanças democráticas de um país que ainda aprendia a brincar aos parlamentos. Quando Madrid se fartou de folhetins e de uma corte onde habitavam bruxas, santeiros e um rei paneleiro bastou-lhe expulsar Isabel II para os confins do esquecimento colectivo. «Y se armó la Gorda». Ou seja, a República.
    Desde que Madrid é capital das Espanhas não há geração de poetas, pintores, músicos, dramaturgos, talhantes e condutores de coches com ou sem motor que não tenham feito da Monarquia motivo de chacota. As crónicas do Rei Enfeitiçado, as aventuras da Duquesa de Alba, a alcunha de «Pepe Botella» ao irmão de Bonaparte, a depressão de Afonso XIII: a cidade não resiste a uma boa cusquice, à zombaria mais ácida proporcionada pela por vezes excessiva proximidade dos monarcas que não tinham pudor algum em exibir dramas familiares, infidelidades e vícios demasiado niveladores. Lady Di, ao lado destes reis e respectivos consortes, amantes, conselheiros, desvio de dinheiros públicos, corrupção e bastardos, mais se parecia a Maria Von Traap, aquela noviça armada em agitadora social nos Alpes. O génio de Madrid, como o da nossa tia alcoolizada, recai no sentido de humor, na gargalhada sarcástica que teorizou a Zarzuela, reiventou o chotis e caracteriza anualmente os quadros de Goya como mais uma tradição popular irremediável. A Joaquin Sabina, poeta da movida dos oitenta rentabilizado pelas discográficas e saudosista da República, não se lhe caíram os anéis por partilhar mesa e talheres com os actuais Príncipes de Astúrias e em conjunto com os intelectuais menos monárquicos da cidade publicou um poema corrosivo, inteligente e carinhosíssimo em honra da futura rainha: «Las faltas de ortografía que desdeña la poesía a mí me la ponen dura, y esa zeta de Letizia es la falta y la delizia de una carizia madura».
    Esta desvergonha tão castiça, esta sobranceria popular de quem tem os reis ao virar da esquina e que fez que Madrid idolatrasse uma rainha como Isabel II e fizesse da vida de José I uma galhofa constante, é um dos rasgos mais encantadores da capital desta Espanha em mutação constante, favorecido pela tradição da taberna, de passar o dia na rua, dos passeios pelo centro e da vida fora de casa. Enquanto os madrilenos sobreviverem ao complexo do centro comercial alcatifado e sem ruídos, a ousadia estabelecerá as normas de protocolo com uma casa real que se precisa com poder de encaixe e próxima do quotidiano dos madrilenos. Sem convulsões, mas com lucidez. «¿Por qué carajo te escribo? First of all porque estoy vivo y no me pienso morir», cantava Sabina a Letizia. Em outras palabras, porque assim é Madrid.

    (uma das minhas crónicas favoritas publicadas no DNA)



    Por Rititi @ 2007/02/28 | 1 Comentário »


    doida de amor

    DOIDA DE AMOR

    … Mas a Joana de Castela o que a perdeu foi a sinceridade das vísceras, esquecendo que esta naturalidade no sentir serviria como argumento perfeito de ataque aos seus inimigos políticos (começando por Felipe, o Belo): a feminidade no seu esplendor, reflectida na suposta incapacidade de toda mulher para dominar o útero, as hormonas e as emoções mais básicas. Hoje trataríamos a loucura de Joana com pastilhinhas às cores e um par de visitas ao terapeuta, mas não deixa de ser curioso ver como passados quinhentos anos as mulheres continuam a ser questionadas pela falta de controlo ou serenidade, como se nos faltasse o parafuso do sentido comum por oposição aos cabais homens…

    Sobre Joana, a Louca, na coluna “Mulheres à Solta” da Revista Atlântico de Março.



    Por Rititi @ 2007/02/28 | Sem comentários »


    melhor da noite little miss abigail

    A MELHOR DA NOITE

    Little Miss Abigail Breslin. Afinal não queremos todas ser princesas?



    Por Rititi @ 2007/02/26 | 3 comentários »


    oscares 2007 trambolhos douro beyonce

    OSCARES 2007: TRAMBOLHOS D’OURO

    Beyoncé

    A Rititi, o blogue, a cueca e touro dos tomates cor de rosa gostariam que alguém lhes explicasse esta ordinarice. Onde é que a moçoila arranjou o sapatinho? Nos saldos da maconde?? E que merda é essa que leva ao peito? A banda de Miss Pirosa Reboleira? Cristo, que cabelos, que nojeira de ar mais triste.

    Anika Noni Rose

    Aqui, em directo para Mundo, a protagonista de uma série de televisão dos oitenta. Ou a empregada da Beyoncé. Ou uma desgraçada a quem meteram num saco de plástico brilhante e ameaçaram de morte. Uma terrível combinação de mau gosto, miopia e falta de nalgadas em criança.

    Jennifer Hudson

    A irmã da empregada da Byoncé.

    Faye Dunaway

    Esta querida, como não tinha nada para vestir, deu um jeito às cortinas da funeraria do tio e, sem ir à cabeleireira do bairro por falta de tempo, apareceu assim de desgraçadinha na cerimónia. A idade, querida Faye, não nos faz nem mais espertas nem mais bonitas. Jasus, que susto!

    Kirsten Dunst

    Isto não tem explicação. Estou chocada. Alguém me traga um quilo de erva.

    (Blogue Rosa Cueca: um clássico da má lingua)



    Por Rititi @ 2007/02/26 | 16 comentários »


    bad bad girl sara da pin up

    BAD, BAD GIRL

    Sara da Pin Up. Ui.

    Meninas bonitas, mal-faladas, descaradas, sem uma pisca de vergonha na cara, boazudas e com muito pouco tempo para se deixarem perder nas lenga-lengas das histórias de amor empacotado no cimena do centro comercial. Um mundo em feminino e sem lacinhos, sem final feliz, sem cavaleiro salvador, sem adoçantes para alisar as arestas do quotidiano. E em espanhol. Já não era sem tempo.
    (Sim, eu sei, tudo isto vem na estela da suprema Mala Rodriguez, rainha do suburbano, letrista portentosa, recém parida e a cozinhar o seu terceiro album. Avé.)



    Por Rititi @ 2007/02/25 | 1 Comentário »


    o que tu precisas sei eu cancao de amor

    O QUE TU PRECISAS SEI EU

    (A canção de amor mais bonita da história cantada por uns gajos muito drogados)

    Mr. Pinheiro, sentado no Sir Alfred, zappeando pela triste realidade televisiva espanhola. Aqui entre o leitor de sexta-feira e eu, é bonito este homem. Mais que as costas, os lábios, as formas ou o caminhar, há uma surpresa diária neste meu homem que me tem completamente agarrada, mais que ao uisque ou o ensopado de borrego da minha mãe. Sim, isto é amor do bom, caro leitor aborrecido com o quotidiano que deu um salto à blogosfera para passar este tempo que tanto custa, um amor aparvalhado, de beijar o chão por onde pisa, de ficar feita tonta com o olho posto nele enquanto lê. Este homem, que tem um nome que aqui nunca digo, fez-me atravessar fronteiras e abdicar do que não importava, porque sim, porque não tinha mais hipóteses se queria continuar a respirar. O leitor sabe que por vezes a comida não nos chega para estar vivos, oxalá isto fosse só dormir e cagar. Mas não, falta-nos esse aconchego de sentir-nos queridos na cama e aí não importa nada, senão o nós construido do e com esse outro. E vê-lo, sentado, quieto, silencioso leitor, orgulha-me por osmose. Pois.



    Por Rititi @ 2007/02/23 | 4 comentários »


    rititi educa o povao ushuaia este gajo

    RITITI EDUCA O POVÃO: USHUAIA

    Este gajo está sentado no meu sofá e daqui a umas horas vai apanhar um avião, caminho da Argentina. Diz que passará quatro dias em Buenos Aires, depois três em Ushuaia, mais uns quantos en Punta Arenas, Puerto Montt e Santiago, no Chile, e finalmente, mais uma semana em BA. O cabrão. E eu lembro-me de uns vinte e tal dias, há 5 anos atrás, em que a minha vida virou ao contrário e falei espanhol com sotaque italiano enquanto viamos como a Argentina caía nos oitavos no Mundial de Futebol do Japão. Sim, eu estive lá, na Tierra del Fuego, a ver glaciares, focas e baleias, a patinar sobre o gelo, a comer cabrito fueguino, a tentar esquiar, a lamber-me por uma sopa de caranguejo num restaurante de madeira, a ser feliz tão longe de tudo, na cidade mais austral do mundo. Tenho uma vida bem boa, agora que penso nisso.



    Por Rititi @ 2007/02/23 | 2 comentários »


    quero meu vanity fair ja ou o meu

    QUERO A MEU VANITY FAIR, JÁ!!!

    Ou o meu quiosqueiro José se despacha ou ainda me dá um badagaio. Como pode uma suposta urbana sibarita estar na moda sem a sua bíblia mais sagrada? Como, meu Santo Tom Ford, poderei sobreviver ao tédio vital sem as divinas páginas capazes de mistificar as viagens matinais no autocarro 52? Oh, terror! A minha vida é patética.


    Por Rititi @ 2007/02/23 | Sem comentários »


    outro feio giro para luna oscar jaenada

    Outro feio giro para a Luna



    Oscar Jaenada



    Por Rititi @ 2007/02/21 | 4 comentários »


    santa estupidez jornalistica valha me

    SANTA ESTUPIDEZ JORNALÍSTICA, VALHA-ME NOSSA SENHORA DA CORNAMENTA

    Caro João Pedro Fonseca, Editor do Cidades do DN e, já agora, estimada Senhora Jornalista Sónia Correia dos Santos:

    - A Praça de Touros de Lisboa chama-se Campo Pequeno. A única Monumental está em Madrid e chama-se Las Ventas.
    - A Jornalista Sónia relata exactamente um concurso de quê? Novilheiros a cavalo ou a pé? Já tomaram a alternativa? E se eram matadores, morreram os touros e foram todos presos? Havia prémio monetário ou apoderamento especial?
    - Já agora, de que ganadaria eram os touros? Não se informa já da tipologia ou idade das reses? Eram nobres, mansos, bravos, algum defeituoso, bem apresentados, afeitados, bons, maus, encastados, com trapío ou sem presença?
    - Qual foi o prémio atribuído pelo público a cada toureiro (ainda estou sem saber se é novilheiro ou matador): volta, ovação, apitos, silêncio?
    - A jornalista Sónia pode precisar o que é “muito público”? Dois terços? Meio aforo? Não há bilhetes?
    - Quem apodera os (acho eu) novilheiros? Foi uma corrida com ou sem picadores? Quem exerceu de “inteligente”?
    - Que tipo de faena é, jornalista Sónia, “uma lide brilhante, com passes originais e criativos”? Houve tercio de capote, sorte de varas? Os touros foram recebidos em porta de toriles, por gaoneras? Houve quites? Quem pôs as banderilhas, os próprios ou a quadrilha? Pode explicar ao leitor se o touro humilhava ante a muleta, se os passes eram longos, em frente a que tendido foram toureados? Que tal descrever os muletazos, pases de pecho e molinetes? A morte, simulada, foi ao natural? Houve avisos?
    - Gostei especialmente da importância dada pela jornalista Sónia aos “olés”, “Aí touro, venga”, “los pasodobles”, que resume na perfeição a ideia que tem a cronista do mundo do touro, da corrida, dos tempos, dos tercios, dos ritos e da tradição centenária.
    - Aproveito para recomendar à jornalista Sónia que evite escrever sobre touros como se fosse uma analfabeta funcional ou, directamente, imbecil. Penso que na TV Guia há sempre trabalho. E ao Senhor Editor da Secção Cidades, por respeito aos aficionados, amantes da Festa e portugueses em geral, aconselho que se abstenha de publicar estas barbaridades que ofendem a inteligência de qualquer leitor que compra o jornal para estar informado e não para que lhe contem pamplinas mal escritas e sem sentido nenhum.
    Que o DN não tenha a decência de procurar um jornalista que saiba relatar uma corrida de touros não só é penoso e patético, como também revela a classe de jornalismo de pacotilha (e de agência e estagiário) que impera nas redacções portuguesas. Mais valia não terem escrito nada a fazer esta figura triste e tão insultuosamente pobre para a Tauromaquia portuguesa. Que vergonha, é o que é.



    Por Rititi @ 2007/02/21 | 5 comentários »