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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • outros dialogos possiveis portugueses e

    OUTROS DIÁLOGOS POSSÍVEIS
    Portugueses, é com orgulho e satisfação que anuncio que SAR Rititi e Pinheiro com sorte iniciaram na passada quarta feira a sua habitual visita de Estado a Lisboa. Assim, e em retribuição ao carinho e devoção que lhe tem demonstrado o povo português nestes últimos anos, SAR Rititi tem vindo a encontrar-se com representantes das diversas camada sociais, nomeadamente artistas, professores, economistas, desempregados e uma que outra puta em restaurantes, bares e casas de má fama e sempre depois da meia noite. Por isso, portugueses, até terça feira têm a oportunidade de ver, tocar e pagar um copo à Rititi e desfrutar da sua fluida e sempre interessante conversa e particular sentido de humor. Eu e a Isa somos fãns confessos e os meninos amam-na, ai. Assim é a Rititi, melhor que um ferrero roché, uma excursão de joelhos a Fátima ou a final do campeonato do mundo de coches ingleses.


    Por Rititi @ 2007/04/28 | 2 comentários »


    querido blogue hoje ha trinta e tres

    Querido Blogue,

    Hoje, há trinta e três anos, a história do meu Pai mudou para sempre. Depois desse 25 de Abril a preto e branco o meu pai soube da decepção, da vida no exílio, dos atentados, da impotência, da dor de não abraçar a mãe, das saudades do cheiro da terra. Morreu cedo demais para perceber porque pegou nesse tanque em Estremoz e tomou a PIDE, por que valeu a pena honrar com um golpe de estado toda uma geração perdida nas guinés e angolas que agora já ninguém recorda. A ele que um ano depois numa carta de duas folhas disse que assim não, que Portugal não merecia desperdiçar-se nas mãos de gananciosos e miseráveis aduladores da liberdade, deve ter-lhe custado assimilar o fracasso dos homens. E agora, neste meu país infestado de supostos patriotas, imbecis que adoram hinos, neste Portugal dele onde qualquer banco viola a bandeira para vender produtos financeiros, se estivesse vivo, rodeado de traidores que se enriqueceram vestidos de sindicalistas e meninos de papá que votam por sms no Salazar sem sonhar o que é viver numa ditadura e morrer na guerra, tenho a certeza que voltaria a pegar nesse tanque, honroso da farda. Quando releio essa carta, a da deserção de 75, a que nos levou a todos em viver em hotéis e a ter guarda-costas, vejo um homem digno, profundamente democrata e entregado ao País, que se levantou da cama e da burguesia para democratizar um Portugal analfabeto, mutilado em África, estupidificado pela solidão e o fado. O que aconteceu depois, a manipulação dessa ousadia, o roubo de terras e a estupidificação do povo faminto nada tem a ver com essa madrugada esperançosa.
    Por isso, se me repugna a apropriação da esquerda da luta pela liberdade mais ainda me enoja esta onda pós-moderna dos betinhos da direita, que ofende com o seu desprezo e falta de patriotismo estes homens, capitães e jovens, que num dia como hoje, há trinta e três anos atrás, só quiseram um país melhor. 25 de Abril, para sempre não, mas hoje sim.



    Por Rititi @ 2007/04/25 | 6 comentários »


    quando ele e o menino da festa tom

    QUANDO ELE É O MENINO DA FESTA


    Tom Waits – Temptation

    Ao contrário do que a maioria pensa, Mr. Pinheiro não é (só) uma entidade supranacional. Ele também cozinha, anda de bicicleta, tem este ídolo musical e faz anos. Va por ti, razón de mis días! Parabéns.


    Por Rititi @ 2007/04/24 | 3 comentários »


    madalena numa sala do museu do prado

    MADALENA

    Numa sala do Museu do Prado enfrentam-se os dois super-ícones femininos do imaginário católico. Do lado esquerdo, com túnica branca folgada, expressão místico-elevada e rodeada de anjinhos massajando-lhe o virginal calo, pendura a Nossa Senhora da Conceição, cheia de luz e expectante devoção segundo a imaginação de Bartolomé Murillo. Na parede direita , de ombros impudicos à mostra, observa tão amoroso retrato a que foi e será a Grande Pecadora do mundo ocidental e a penitente para efeitos litúrgicos e pictóricos: Maria Madalena. Ou assim a pintou José de Ribera, El Españoleto, escondida na gruta da vergonha eterna onde expiar os pecados anteriores à Grande Redenção, que não foi outra que o perdão definitivo de um homem, por muito filho de Deus que fosse. Duas mulheres que existiram talvez com outros nomes, de certo com outra cara e uma história que não coube na rígida numeração dos versículos canónicos nem na histeria conspirativa dos evangelhos apócrifos.
    Escolhidas por homens para representar o lado feminino da Humanidade, nenhuma das duas parece suficientemente verídica para que as mulheres as reconheçamos como exemplos de comportamento. Afinal, ninguém é assim tão casta nem tão cabra. E o exagero sente-se mais quando se trata da coitada de Maria Madalena. Apesar dos esforços da Liturgia católica actual para apagar do subconsciente colectivo a imagem da prostituta arrependida, segundo a informação genética do catolicismo esta mulher só foi aceite por Cristo porque se envergonhou de ter dormido sabe Deus com quantos legionários, mercadores, talhantes, fariseus, carpinteiros e apóstolos em geral. Madalena, lógicamente, teve imensos remorsos da vida passada de orgasmo em orgasmo, pesarosa pelas cambalhotas dadas e os amores dos homens sem compromisso, roupa para estender, filhos que criar ou apelidos masculinos a adoptar. O perdão vem do arrependimento – e, sobretudo, dos actos de contrição como lavar os pés de Cristo e secá-los com o cabelo – e do arrependimento, o amor e a integração num grupo de discípulos barbudos e de quem nunca se soube os devaneios carnais.
    A mulher, cheia de mestrados, multas de trânsito e horas de ginásio, ainda continua a pecar pela cama. E, perante o medo de ser apontada como a adúltera com um passado que sempre importa quando se trata de desprestigiar, muitas preferem que fingir-se virgens, como se o hímen lhes crescesse aos trinta e muito anos. É melhor ser-se sonsa que gaja, suja de homens e noites mal dormidas. Porque por muito que se tenha arrependido, por muito que a tenha amado Cristo, Madalena, a dos cabelos longos, a que ficou até ao fim chorando-lhe aos pés da cruz, Madalena, a primeira em vê-lo ressuscitado, sempre será a puta favorita da cristandade.

    (publicado na Atlântico em Setembro de 2006)



    Por Rititi @ 2007/04/22 | 2 comentários »


    rititi educa o povao mala rodriguez

    RITITI EDUCA O POVÃO: MALA RODRÍGUEZ (outra vez)


    Por la noche

    E depois de este tempo todo nada mudou. Continuo a assustar as betinhas com vocação de senhora com os meus palavrões, as mal amadas não me querem lida pelos maridos, as penteadas acham que falo demasiado claro para ser mulher poque há coisas que não se dizem, os que gostavam de ser respeitáveis não entendem porque não me conformo e me envergonho da mediocridade pátria, deste complexo de inferioridade que se exporta com tanta facilidade e o meu país ainda vive agarrado aos valores de ontem. Não serve de nada a tentativa do choque tecnológico, as campanhas de publicidade com jornalistas estrangeiros, a Moda Lisboa nem a reconstrução do Chiado. Portugal tem um mal endémico que não se cura nem emigrando, que é o que mais me custa.


    Por Rititi @ 2007/04/20 | 5 comentários »


    trambolho douro ministra nas galas

    TRAMBOLHO D’OURO: A MINISTRA NAS GALAS

    A Ministra da Cultura da era Zetapê diz gostar muito de moda. Porra, ainda bem…

    Carmencita Calvo nos prémios Goya de 2006

    Não contente com ser capa da Vogue, nesta ocasião a Carmencita apostou pela cor, que assenta bem a qualquer senhora de meia idade que se queira parecer à filha adolescente. No rititi gostamos especialmente da vocação de prenda de anos: esses laçarotes, corações laranjas, rosa choque nas ancas e inocência a rodos… Isto não é gostar de moda, é mesmo falta de jeito.

    Incansável, nos prémios Goya de 2007

    Com as hormonas mais calmas, a ministra encomendou ao estilista um vestido que adaptasse a tradição aos novos tempos. E olha, deu nisto: hábito de freira mas em fino, mamas espalmadas e luvas à gilda, um cabelo de dona de casa pindérica com vontades indómitas e ausência total de jóias. Carmen, querida, lê a Marie Claire e depois falamos de tendências.

    ARG!

    Ai, Carmen, Carmen, voy a tener que emborracharme… Mesmo, porque não entendemos nada do que se passou nos prémios Max de Teatro 2007. Nem este lindo modelo de homenagem à república espanhola de 36 que mais parece um pijama de verão de uma gorda amadorense, ai, nem essas meias cinzentas largueironas nos joelhos, nem esse penteado de francesinha rebelde, nem essa pose de patético palhaço de circo em falência. Não posso com a minha alma.

    MAS, DESCANSEM, QUE HÁ DISTO EM TODO O LADO

    Porque quando a direita quer também pode imitar a bruxa má do Feiticeiro de Oz, aqui a nossa Espe, presidenta da Comunidad de Madrid e falcoazinha do PP. Inenarrável.



    Por Rititi @ 2007/04/18 | 7 comentários »


    alianca c ada vez que toco com o

    A ALIANÇA


    Cada vez que toco com o polegar na minha aliança lembro-me do salto quântico do sim, quero, daquele dia em que falei por primeira vez do meu marido, do outro começar. Uma aliança não nos livra de nada mas sem essa carícia involuntária falta-me a certeza absoluta de que uma gaja só está casada quando tem aliança no segundo dedinho a contar da esquerda posta lá por um indivíduo autorizado pelo Estado, que não é de certeza um samoano alcoolizado em Bali.
    PS: Claro que a aliança apareceu e não precisei amputar o dedo, como pretendia o querido do Mr. Pinheiro,
    esse fanático do pragmatismo.



    Por Rititi @ 2007/04/17 | 5 comentários »


    momento desolacao carmen maura mujeres

    MOMENTO DESOLAÇÃO


    (Carmen Maura, Mujeres al borde de un ataque de nervios)

    Não sei da minha aliança desde sábado.
    Não está na mesinha de cabeceira, debaixo da cama, nem no lava-loiças, na banheira, nem na despensa, no armário da casa de banho, nas calças que vesti esse dia, nem mala, nem no lado dele da cama. Anda cá por casa, mas onde? Sinto-me a preto e branco, como amputada.



    Por Rititi @ 2007/04/16 | 4 comentários »


    rititi educa o povao concha buka mi

    RITITI EDUCA O POVÃO


    Concha Buka – Mi Niña Lola

    A copla em voz de África. Bom domingo!



    Por Rititi @ 2007/04/15 | 6 comentários »


    imaculada concepcao por ela enfrentaram

    Imaculada Concepção

    Por ela enfrentaram-se correntes doutrinais, levantaram-se edifícios e talharam-se obras de arte; é fonte de inspiração para Cantatas de Bach, romarias populares e fenómenos extraordinários com velinhas na Avenida da Liberdade; exemplo de caridade e amor, a essência da maternidade. Maria. Nunca houve mulher que contribuísse mais para a discussão filosófica no Ocidente e nenhuma mulher mereceu mais devoção que ela. Pura, virgem e imaculada. Mas também caridosa, auxiliadora, mística, dolorosa, reconciliadora ou milagrosa. E a mulher que se espera sejamos todas as que viemos depois. Concordarão que não é propriamente fácil sobreviver a um modelo destes. E não me leiam aqui como uma iconoclasta radical de esquerda, sou só realista. Como alcançar tamanha virtude num mundo pejado de excessos carnais, publicidade erótica na televisão e incentivos à evasão fiscal? Não se nos terá exigido demais ao género feminino? Não poderiam ter escolhido Maria Madalena, pecadora, mas arrependida apesar de tudo?
    Comemora-se este ano o 150º aniversário do Dogma da Imaculada Conceição. Quase dois milénios demorou a Igreja Católica em oficializar algo que toda a gente já sabia: que Maria, mais que virgem, estava limpa de pecado original, livre do fardo de depender do perdão pela oração e pelos actos caridosos que nos redimem ao final dos nossos dias. Segundo a doutrina dogmática Maria nasceu sem a oportunidade de errar, incapaz de gerar ódio, impossibilitada pela graça divina para a mesquinhez ou a preguiça: nunca mentiria, nunca desejaria o alheio, seria infalível nos pensamentos, virtuosa e magistral no dom de amar e compadecer-se das misérias alheias. Magnífica. Mais além do culto mariano, indispensável para a crença católica, o conceito abstracto de Maria sempre me ultrapassou. Não pelo facto de ela própria ter sido concebida sem pecado no seio de Santa Ana, ou que tivesse aceitado a maternidade de Cristo sem a menor dúvida, ou que toda a vida a tenha dedicado a Deus. Mas sim pelo que essa mulher, como exemplo de comportamento, significou para todas nós. Todos aqueles maiúsculos atributos passaram culturalmente para as fêmeas do mundo, como se esse fosse o nosso fim último: ser mães impecáveis, serenas mulheres, impassíveis ante a morte, obedientes – e virgens, como não.
    Eu não posso, nem sei se me apetece, ser assim. Quero-me imperfeita, com a minha dose de pecado original e, sobretudo, com liberdade total para me enganar, para fazer merda da grossa, se me permitem. Claro está que Deus nunca me escolheria para sua Esposa Celestial, pois são demasiados os vícios aos que me habituei desde muito novinha e poucos dos que tenha renegado ao longo da vida. Não houve confessor a quem não aldrabadasse a troco de uma penitência mais benévola e até sou pessoa para preferir por vezes a inveja infantil à caridade sem contemplações. A minha humanidade, tão pouco venerável nas ressacadas manhãs de domingo, não atribui ao meu quotidiano qualidades metafísicas, dignas para recordar quando tiver netos, antes pelo contrário: recorro facilmente à blasfémia oral quando perco o autocarro e a paciência; entre os meus desportos favoritos encontram-se os nobres prazeres de comer, beber e fumar e raramente pratico a caridade. Até a figura maternal de Maria me parece estranha: a candura supostamente feminina, o gesto delicado ou a abnegação não cabem no meu historial familiar onde as mulheres sempre olharam para a morte nos olhos e à vida esperam-na com as mãos nas ancas, insubornáveis e nunca menores. Antes mulheres que mães e nunca concebidas sem o pecado do amor carnal.
    Do quotidiano de Maria pouco se pode deduzir do Novo Testamento, enquanto que o Antigo se fica por profecias sobre a estirpe da mulher (para alguns Maria) que se inimistará com a serpente (claramente Satanás). As qualidades humanas desta mulher, a celestial beleza ou a impecabilidade são conceitos posteriores de homens, santos ou não, que desenharam para sempre o destino do culto mariano e do modelo para o resto da humanidade feminina. Altamente interessantes e curiosas são as teorizações de alguns Pais da Igreja sobre a absoluta pureza de Maria: «isenta de todo defeito» (Typicon S. Sabae) ou «incorrupta, virgem, imune pela graça de toda a mancha de pecado» (Ambrósio). As doutrinas escolásticas que se seguiram continuaram a aprofundar a natureza da concepção de Maria, a falta de culpa no corpo que acolheu o Messias e os artistas plásticos fizeram o resto: imagens de uma beleza intacta, a substância da feminilidade, pele branca, compaixão no olhar. Talvez fosse assim Maria – caridosa, auxiliadora, mística, dolorosa, reconciliadora, milagrosa. Mas quero acreditar que no retrato da imaculada virgem sem rugas que me pintaram também cabe a mulher arrojada, corajosa, velha, com dúvidas e ciúmes, mãe chata, trabalhadora incansável, reivindicativa, péssima cozinheira, mas excelente bailarina, com calos e varizes, leitora de poemas, valente e apaixonada. Porque um modelo precisa de ser humano e mais quando é um dogma de fé.

    (crónica publicada no DNA)



    Por Rititi @ 2007/04/13 | 9 comentários »