Caro amigo não fumador,
Faz-me o favor de não te exaltar. Esta minha guerra contra a lei anti-fumos não tem nada a ver contigo. Confesso-te, com o coração na mão e desejando-te o melhor na vida, que me estou bem cagando para ti. Agora, para esta onda puritana promovida por uma comissão longínqua das bruxelas que me quer o bem, ai, já não me estou a cagar. Não te confundas, caro amigo não fumador, esta lei não visa proteger a qualidade dos teus brônquios, mas sim evitar que os meus se contaminem, que eu me mantenha dentro dos parâmetros do socialmente adequado. Porque esta lei é o princípio de uma outra maneira de governar, aquela que nos quer o bem, o melhor para o cidadão que teima em comportar-se como um troglodita. Nós somos uns idiotas imaturos. Eles, as comissões encarregadas de elaborar estudos e dossiers, as ligas da luta contra o dente amarelo, os anúncios do ministério com fotos de meninos infelizes rodedados de fumo, os nossos amigos e sabem o que nos convém: jornadas laborais das sete às duas, jantar antes das dez, almoços de trabalho sem conhaque e dominó, junk-food baixa em calorias, sessões matinais de jogging pelo parque, colesterol baixo e iogurte sem gorduras. Um mundo onde todos sejamos felizes, sem defeitos nem doenças, onde ninguém ofenda o outro com vícios hediondos e terceiromundistas. Querem-me tanto e tão bem eles que não consentirão que se me suba a tensão, foda sem camisa ou me cure a depressão com a ingestão massiva de dez menus mcroyal deluxe com cocacola. Isto é só o princípio. Oxalá a minha saúde lhes importasse uma merda, oxalá que estes governos amiguinhos se preocupassem com a minha real qualidade de vida, como o poder de compra, a poluição acústica nas cidades, a qualidade dos transportes públicos, a criação de mais escolas públicas, a segurança no centro e me deixassem em paz sobre o que como, fumo ou bebo e mais quando pago com isso tudo o que eles não fazem.
Faz-me o favor de não te exaltar. Esta minha guerra contra a lei anti-fumos não tem nada a ver contigo. Confesso-te, com o coração na mão e desejando-te o melhor na vida, que me estou bem cagando para ti. Agora, para esta onda puritana promovida por uma comissão longínqua das bruxelas que me quer o bem, ai, já não me estou a cagar. Não te confundas, caro amigo não fumador, esta lei não visa proteger a qualidade dos teus brônquios, mas sim evitar que os meus se contaminem, que eu me mantenha dentro dos parâmetros do socialmente adequado. Porque esta lei é o princípio de uma outra maneira de governar, aquela que nos quer o bem, o melhor para o cidadão que teima em comportar-se como um troglodita. Nós somos uns idiotas imaturos. Eles, as comissões encarregadas de elaborar estudos e dossiers, as ligas da luta contra o dente amarelo, os anúncios do ministério com fotos de meninos infelizes rodedados de fumo, os nossos amigos e sabem o que nos convém: jornadas laborais das sete às duas, jantar antes das dez, almoços de trabalho sem conhaque e dominó, junk-food baixa em calorias, sessões matinais de jogging pelo parque, colesterol baixo e iogurte sem gorduras. Um mundo onde todos sejamos felizes, sem defeitos nem doenças, onde ninguém ofenda o outro com vícios hediondos e terceiromundistas. Querem-me tanto e tão bem eles que não consentirão que se me suba a tensão, foda sem camisa ou me cure a depressão com a ingestão massiva de dez menus mcroyal deluxe com cocacola. Isto é só o princípio. Oxalá a minha saúde lhes importasse uma merda, oxalá que estes governos amiguinhos se preocupassem com a minha real qualidade de vida, como o poder de compra, a poluição acústica nas cidades, a qualidade dos transportes públicos, a criação de mais escolas públicas, a segurança no centro e me deixassem em paz sobre o que como, fumo ou bebo e mais quando pago com isso tudo o que eles não fazem.

8 Comentários:
Isto não é uma cruzada contra o iliberalismo ou higienismo da lei, é uma campanha pelo direito a ser cretino.
a questão é para quando a proibição da circulação de veiculos movidos a hidrocarbonetos, a proibição de localizar fabricas junto a campos de cultivo, de criminalizar os dejectos de cães na rua, os neons á noite, enfim... isso a mim incomoda.me imeeeeenso...
Cara rititi:
Mais não poderia concordar!
Isto é o princípio do fim.
é a adopção do modelo "Big Brother" americano, sítio onde me vi a fumar à porta de um restaurante, depois de jantar, a levar com chuva miúdinha e com carros a pararem (pensariam que eu era uma profissional do sexo à espera de cliente).
Será o princípio do que Aldous Huxley previu no seu livro "Admirável Mundo Novo".
Qualquer dia todos os bébés serão convenientemente e genéticamente fabricados em série e o sexo será uma coisa suja e primitiva. (ser até é, mas sabe bem!)
E quando é que proibem crianças aos berros e guinchos em locais fechados? É que, já agora também podiam considerar a poluição sonora uma afronta à saúde pública.
vc é um espectáculo.
Rititi, adoro o blog, farto-me de rir e de aprender, mas neste caso discordo completamente. Não vejo aqui uma intenção de proteger os brônquios dos fumadores, há ainda bastantes situações em que os fumadores estão perfeitamente à vontade para fumarem tanto quanto lhes apetecer. De facto não me parece nada o início de leis para nos tornarem betinhos perfeitinhos que vão para a cama cedo e só comem coisas saudáveis.
A lei não é perfeita mas sinceramente, eu como não fumador não tenho de aguentar com o fumo dos outros e o pior é que onde não é proibido fumar, os não fumadores não têm alternativa a não ser aguentarem com o fumo alheio. Tenho muita pena, mas fumar é um capricho e como tal todos os fumadores têm de ter em conta as pessoas que estão a incomodar, principalmente porque lhes estão a prejudicar a saúde.
Mas a sério que não estou exaltado :P
O respeito pelos outros e' tao dificil de ver quando somos egoistas. Incrivel.
Os argumentos esgrimidos pelos fumadores nao fazem sentido e rocam a estupidez. Pensem e olhem para a coisa com perspectiva.
Eu tenho direito a nao levar com o fumo de ninguem. E' simples. Muito simples.
Vou ali cravar um cigarro e já comento.
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