COISAS BOAS DO MEU PORTUGAL

Portugal, um retrato social, de António Barreto. Um preciosidade de série, tão honesta que até dói. Aquilo somos mesmo nós: agora isto é um fartote de sexo para toda a gente, os putos saem até de madrugada, todos os meses temos direito a um macro-festivail pop/rock/indie/pimba, há centros comerciais, ócio para o povo, somos modernos, somos europeus! E livres! E capitalistas! Entre tanta eforia um jovem com dois brincos confessava num bar que não votava porque não percebe nada dessas coisas e que a relação com a mãe dele era fluída porque lhe podia pedir sempre tudo. Uma operária textil não sabia se estava sindicalizada nem quanto durava o seu contrato de trabalho. Sim, há carros novos em todos os passeios de Lisboa, há ATL na escolas, há bichas na zara e acordos colectivos de trabalho. Só que parece que não sabemos como é que isto nos foi cá parar às mãos, parece que vivemos de emprestado. Espero que o programa do António Barreto seja visto por muita gente, que se edite em DVD, que as pessoas falem dele nos cafés. É bom ver por uma vez um programa de televisão que nos questiona e sem procurar um culpado lá fora, sem nos vitimizar.

8 Comentários:
Parece que o Chelsea de José Mourinho perdeu...
É assim o nosso país: fútil!
É verdade, de uma qualidade assombrosa.
O retrato não é bonito mas o fotógrafo é bom.
Para mim a culpa é do novo Sousa Cintra que se veste "à la" Luis de Matos: o Joe Berardo. :-)
Haverá melhor personificação do novo "tuga" do que o Joe Berardo?
Também adoro o programa, não o perco, mas parece-me que não terá muitos telespectadores, porque como dizes, não se ouve falar dele nos cafés, no trabalho, no autocarro. Mas é um excelente programa.
Gostei muito deste teu post, Rititi; vi o episódio de que falas e também me ficou, entre outras, a impressão de uma certa inconsciência que cada um (de nós, ou da maior parede nós) tem do todo, como se a comunidade/país/sociedade portuguesa (o que fomos e o que temos construído) fosse uma abstracção, ou uma fatalidade.
Isto de ser português, admito, não é fácil. Talvez demasiado fatalismo, talvez a puta da vida, talvez que isto não desanda e nem queremos que nada mude.
O programa era bom. Mas parece-me que passou ao lado de quase toda a gente.
Estamos mesmo fodidos, eu já o sabia mas como não teria sido capaz de de produzir este documentário agradeço a quem o fez. Infelizmente não terá qualquer efeito neste povo de merda que prefere ver as novelas da SIC ou da TVI.
Enviar um comentário
<< Home