Querido Blogue
Acontece, contados os votos, que em Espanha nenhum partido perdeu as eleições. Acontece que todos ganharam. O PP, O PSOE, a IU, as plataformas de cidadãos independentes que já se estão a esfregar as mãos por pactar com o cacique de turno, os nacionalistas, os nostálgicos da república e os grupúsculos fascistas, todos começaram a semana com um sorriso pateta na boca e a cabecinha cheia de trafulhices futuras, negocios debaixo da mesa, segredinhos e a importância de aparecer no jornal local todos os dias. Ganharam os construtores civis, esses mafiosos que desejam para Espanha uma costa amuralhada de paraísos de vinte andares para indesejáveis de sandálias e libras, esburacadores das horas de sono em nome do progresso, os que se acham os donos das cidades e as convertem em franchisings sem alma, mas muito pulidas e catalogáveis. Ganhou o país dividido, a crispação, o retorno da guerra civil, o discurso reaccionário, a Barcelona anti-taurina, o Madrid olímpico e as obras por cojones. Ganharam os de sempre, os autarcas acusados de corrupção, o caso Malaya, a expansão turística, os campos de golf, os subúrbidos com as suas vivendas geminadas, jardim e centro comercial, o crescimento económico à base do tijolo, o novorriquismo, a morte da província, o deserto. E, claro, perdemos os cidadãos que achamos que temos direito a uma cidade sem viadutos que nos atravessem, com um centro habitável e escolas públicas e laicas, bares que não fechem às duas da manhã, gentinha, como eu, que está farta de ser enrabada por especuladores imobiliários e pós modernos que nos chulam dez euros por um uisque e trinta por um almoço sem calorias no bairro da moda. Mr. Pinheiro, desde sala, apela à minha esperança, afinal não todos são assim, ainda deve sobrar algum que nos queira o bem e nos arranje autocarros de jeito, mas eu, que já não tenho idade nem pulmões para confiar na raça humana, muito menos espero desta gentalha ególotra que se está a cagar para as reais necessidades de quem os vota, que não são, tenham bem a certeza, se o Juana Chaos passeia pelo hospital, que explosivos se usaram no 11-M, a memória histórica e os mortos da guerra ou se em Bilbao o eléctrico se chama euskotren. Como sempre, politiquices 1 - cidadãos 0. Bela merda.
Acontece, contados os votos, que em Espanha nenhum partido perdeu as eleições. Acontece que todos ganharam. O PP, O PSOE, a IU, as plataformas de cidadãos independentes que já se estão a esfregar as mãos por pactar com o cacique de turno, os nacionalistas, os nostálgicos da república e os grupúsculos fascistas, todos começaram a semana com um sorriso pateta na boca e a cabecinha cheia de trafulhices futuras, negocios debaixo da mesa, segredinhos e a importância de aparecer no jornal local todos os dias. Ganharam os construtores civis, esses mafiosos que desejam para Espanha uma costa amuralhada de paraísos de vinte andares para indesejáveis de sandálias e libras, esburacadores das horas de sono em nome do progresso, os que se acham os donos das cidades e as convertem em franchisings sem alma, mas muito pulidas e catalogáveis. Ganhou o país dividido, a crispação, o retorno da guerra civil, o discurso reaccionário, a Barcelona anti-taurina, o Madrid olímpico e as obras por cojones. Ganharam os de sempre, os autarcas acusados de corrupção, o caso Malaya, a expansão turística, os campos de golf, os subúrbidos com as suas vivendas geminadas, jardim e centro comercial, o crescimento económico à base do tijolo, o novorriquismo, a morte da província, o deserto. E, claro, perdemos os cidadãos que achamos que temos direito a uma cidade sem viadutos que nos atravessem, com um centro habitável e escolas públicas e laicas, bares que não fechem às duas da manhã, gentinha, como eu, que está farta de ser enrabada por especuladores imobiliários e pós modernos que nos chulam dez euros por um uisque e trinta por um almoço sem calorias no bairro da moda. Mr. Pinheiro, desde sala, apela à minha esperança, afinal não todos são assim, ainda deve sobrar algum que nos queira o bem e nos arranje autocarros de jeito, mas eu, que já não tenho idade nem pulmões para confiar na raça humana, muito menos espero desta gentalha ególotra que se está a cagar para as reais necessidades de quem os vota, que não são, tenham bem a certeza, se o Juana Chaos passeia pelo hospital, que explosivos se usaram no 11-M, a memória histórica e os mortos da guerra ou se em Bilbao o eléctrico se chama euskotren. Como sempre, politiquices 1 - cidadãos 0. Bela merda.
Etiquetas: crónicas de españa

8 Comentários:
tendo em conta que só seriam necessárias pequeninas alterações para adequar o texto a portugal, pergunto-me quais serão os válidos argumentos dos iberistas quando defendem uma integração do nosso país no de nuestros hermanos... para sermos uma grande ibéria 'bela merda'?
Cuanta razón!
Rititi for president!
Os Iberistas do Magreb é que querem por o pézinho sagrado aqui na Al iberia isso é que vai ser...O que vale é que malta é da TAP... e da Somague e do Minipreço e da Prisa e da Cepsa e da Repsol e del camandro niño tio conho que pasa alomejor chichitita pilar consuelo arriba arriba andale speedy gonzalez... esta llegando el Verano Azul...
palpita-me que podes fazer um repost no dia 16 de julho...
afinal aí n se está tão melhor do que aqui. talvez devessemos importar só o IVA a 16% e s salários um bocadinho mais altos...
A-DO-RO este blog!! Já tinha ouvido falar dele, mas vê-lo "ao vivo e a cores" é muito melhor! Tenho estado a ler os posts desde o início, mas vale a pena; ó se vale! :) A Rita é um génio! E, inveja das pilas, é MULHER! ;) Próximo passo: comprar o livro da Rititi. Tem que ser um "must have" para os tempos vindouros. Vou pôr o Dorian Grey de lado, "por supuesto"! Ah, dizem que "de Espanha, nem bom vento nem bom casamento", mas venham lá o IVA e os salários...
E em jeito de post scriptum: rio-me que nem um tolo com os posts sobre gays e restantes homossexuais em geral! lol Mesmo sendo um "desses", não resisto à (na minha opinião) doce crítica... :)
É verdade, estou depressiva total com a politiquice. Claro que Portugal, más de lo mismo.
Markz: bienvenido ao mundo Rosa Cueca!
Lá com cá, venha o Diabo e escolha...!
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