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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • aviso urgente procuro amigos com

    AVISO URGENTE: PROCURO AMIGOS COM PISCINA.


    Duvido que sobreviva a outro dia de piscina pública madrilena. Demais para o meu body, tú, a visão de pelos púbicos a saírem de fatos de banho, varizes por todos os lados, tatuagens com erros ortográficos, ordinarice e mau gosto aos quilos, famílias com lancheiras e sandes de courato, engate com o socorrista e demais comportamentos típicos da classe operária. Lamento, mas não nasci eu para amar assim tanto o povão em geral.


    Por Rititi @ 2007/07/29 | 7 comentários »


    mais atleti simao em lagrimas na

    MAIS ATLETI


    Simão em lágrimas na despedida do Benfica

    Sem chegar, como o Bernardo Pires de Lima, à demissão colchonera, só posso dizer ante tanta emoção choraminguinhas do Simão, que se este ser vai começar assim a temporada mais vale torcer já o tornozelo e deixar a afición sossegada. Como se não nos bastassem todas as desgraças, a falta de pontaria, a demolição do Calderón, ainda temos que levar com paneleirices. Qué coñazo de tío, la virgen…


    Por Rititi @ 2007/07/29 | 2 comentários »


    o cantinho da hooligang de perna de pau

    O cantinho da hooligang ©

    De Perna de Pau no Passeio dos Melancólicos

    Madrid, Paseo de la Castellana: arranha-céus que da altura dos seus trinta andares observam a cidade, vaidosos no domínio das finanças e dos dinheiros da pátria; palácios senhoriais que se resistem a ficar no passado, albergando bancos e consultoras internacionais; tascas, bares e discotecas que exercem como montras de novíssimas tendências: seis quilómetros de demonstração de poder económico, social e arquitectónico. E lá ao fundo, ergue-se, sobranceiro, o Estádio Santiago Bernabéu, casa do Real Madrid, clube de clubes, vinte e nove vezes campeão da Liga e nove da Liga dos Campeões, fábrica de vencedores, firmamento onde brilham estrelas-deuses com fama interplanetária e fortunas asquerosamente inquantificáveis. O Real Madrid até parece uma central eléctrica, porra, tal a maneira de brilhar das estrelas, dos carros das estrelas, das jóias das estrelas, dos contratos publicitários das estrelas, das barbies recauchutadas que se passeiam com as estrelas… Glamour associado a golos, reinvenções futebolísticas para o século XXI.
    Quando uma emigrante procura desesperadamente a verdadeira e rápida integração social, o futebol é o caminho mais rápido. E eu decidi, com a inocência de quem considera o fora de jogo um dogma de fé, ser sócia do Real Madrid porque, claro, não há clube mais perfeito que o que nunca perde. Como se pode apreciar, esta era a primeira vez que me decidia a pôr os pés no Clube dos Amantes Incondicionais e Fanáticos da Bola. Mas para uma portuguesa habituada aos eternos fiascos da selecção nacional, viciada na saudade e na sardinha assada com pimentos, tanta ostentação de riqueza até parece mal. Que mania esta de querer ganhar tudo, bolas, que falta de humildade ante a hecatombe do empate, que cagança, nem que Figo, Ronaldo e Beckham mijassem Chanel n.º 5. Não rima sobranceria com lusitanidade.
    Desolada com a ideia de nunca poder vir a ser confundida com uma indígena, por pouco me entregava ao vício do bagaço português se não fosse a visão tenebrosa que a Marisol teve do futuro que me esperava: deitada no sofá, cantando fados de garrafa na mão, a gata Lucrécia alcoolizada por osmose, e o meu coração destroçado por nunca encontrar um clube de futebol pelo qual derramar lágrimas ao domingo. Num acto de generosidade incomparável, a gestora da higiene do meu lar abriu-me as portas à luz da Verdade, justificando pela primeira vez os dois contos que lhe pago à hora. Com a promessa de permitir a minha assimilação com os locais, a minha mulher-a-horas convidou-me para um jogo de futebol. Só que o protagonista do espectáculo era o outro clube de primeira divisão da capital: o Atlético de Madrid.
    Equipada com cachecol branco e vermelho, boné a condizer e um «bocadillo de calamares» oleoso dentro do casaco, acompanho a Marisol à bola. As primeiras vezes devem ser inesquecíveis, diz-me a boazona da Marisol, e obriga-me a aprender o hino do Atlético em dó menor. «Yo me voy al Manzanares, al estádio Vicente Calderón, donde acuden a millares los que gustan del futbol de emoción». Pura poesia. A paisagem urbana a caminho do estádio ganha as tonalidades do bairro operário onde se enquadra. Os grandiosos edifícios financeiros são substituídos por blocos de cimento próprios da classe média-baixa; em vez de executivos apressados avistam-se grupos de donas-de-casa com bandeiras e senhores de fatos de treino e rádio pegado à orelha. Fábricas à volta, um rio ao longe e uma paragem obrigatória para abastecer a alma de cerveja.
    Entre pevides e goladas rápidas para não chegar tarde ao jogo, tento explicar aos outros clientes que também vão mascarados de gelado Perna de Pau que realmente não há diferenças entre um clube e outro, que afinal o Real e o Atlético são fruto da mesma necessidade de pertencer a uma comunidade maior que grita anonimamente por penalties que não existem. Não tenho amor à vida, pelos vistos. Patética a imagem de uma portuguesa escondida na casa de banho dos homens a fugir da fúria de centenas de «colchoneros». Ser «atlético», explicam-me depois de ter pago uma rodada para sossegar as hostes enraivecidas, é uma maneira de sentir que parece não ter explicação no mundo da lógica dos incrédulos futeboleiros.
    É sentir-se de Madrid sem a arrogância da Castellana, é entender que a vida pode ter mais derrotas que vitórias e que até sabe melhor assim. É esperar que um dia nos toque a sorte grande para poder mandar o patrão às urtigas e levar a patroa a jantar fora a um sítio finório. É ser estranho em terra de ricos mas orgulhoso de que nunca falte o pão na mesa. É pensei, o mais próximo de Portugal que podia estar. Afinal, depois de tanto tentar ser uma verdadeira madrilena, encontrei um clube de futebol que poderia ser da minha terra, aqui no centro da capital de Espanha e cujo estádio tem como morada o Passeio dos Melancólicos. Só não vê as pistas quem não tem olhos.
    O Atlético, mais uma vez, perdeu o jogo em casa. Nem os gritos da tal «afición», nem a esperança de um dia poder ganhar outra vez uma taça, valeram. Mas ganhou uma nova sócia. Portuguesa, emigrante, mas do Manzanares, Atleti, Atleti, Atlético de Madrid…

    (crónica publicada no DNa em Fevereiro de 2005 e dedicada agora ao Francisco José Viegas)



    Por Rititi @ 2007/07/27 | Sem comentários »


    os casamentos sao para o verao

    Os casamentos são para o verão.
    O convite

    A estas alturas da história uma gaja só se pode considerar ser social se a meados de Maio já tem no mínimo cinco convites para bodas várias pendurados no frigorífico. Ex-colegas da faculade, a filha da porteira, esse gajo com quem bebiamos copos nesse tempo em que amanhã não havia que trabalhar, o primo em segundo grau do marido que vive no Luxemburgo e a quem nunca ninguém lhe viu a fuça, maltosa do trabalho, un puto coñazo, com todas as letras e a ruina total das férias, porque o povo quer casar no verão que é quando está bom tempo e as gajas podem ir todas descascadonas e com os pés à mostra dentro de horrendas sandálias prateadas. De convites de papel amarelo sépia com letras góticas aos modernaços que imitam maços de tabaco, os nubentes têm um mundo de possibilidades para anunciar ao mundo o feliz acontecimento que normalmente acontece numa quinta no cu de judas e sem táxis à vista lá para o interior do país. Agosto, saltos altos, Lavacolhos de Cima e centenas de desconhecidos mascarados de finos, que perspectiva fascinante, oyes.
    Mas o que me deixa fora de mim, de boca aberta e com uma desculpa perfeita para poder baldar-me ao casamento é o último grito em convites: o número da conta bem escarrachapado entre o nome dos pais, dos filhos e da igreja, porque toda a gente é católica mesmo que nunca tenha ouvido uma missa na puta da vida. Mostrar o número de conta no convite é objectivamente mau, pirosão e triste, obsceno até, que queres que te diga e eu fico sempre com a sensação que estou a ser chulada por uns gajos que até podem ser meus amigos da alma mas que parece que aproveitam o casamento para comprar a televisão de plasma e a carrinha familiar. O que a gente precisa é de dinheiro, pois tá bem, mas que me expliquem quando se perderam as formas e o sentido comum e por que carga de água agora tudo se mede em euros. Juro que o que me apetece é oferecer um dálmata de porcelana, só para foder e para se deixarem de merdas.
    (Continua que ainda não jantei)


    Por Rititi @ 2007/07/25 | 12 comentários »


    isto tambem e rititi sim ja estou na

    ISTO TAMBÉM É A RITITI
    (sim, já estou na fase nostálgica)


    Héroes del Silencio – Flor Venenosa

    no encuentro palabras para decirlo
    y a veces siento
    que el pensamiento
    es un idioma de signos … sin sentido.
    no siempre entiendo qué sucede conmigo
    zarandeándome voy
    hasta que caigo
    terriblemente borracho.
    tan solo déjame estar
    un momento a solas.
    tan solo déjame en paz.
    este intervalo de tiempo
    que siempre he estado perdiendo.
    quizás en este precioso momento
    pueda ser …
    como tú, como tú, como tú, como tú …
    prefiero explotar de tanto alcohol
    con tu jarabe de flor venenosa,
    y vender a una madre
    por otra copa.
    tan solo déjame estar
    un momento a solas.
    tan solo déjame en paz.
    este intervalo de tiempo
    que siempre he estado perdiendo.
    quizás en este precioso momento
    pueda ser …
    como tú, como tú, como tú, como tú …



    Por Rititi @ 2007/07/23 | 1 Comentário »


    isto tambem e rititi heroes del

    ISTO TAMBÉM É A RITITI


    Héroes Del Silencio – Mar Adentro (1993)

    y por fin he encontrado el camino
    que ha de guiar mis pasos,
    y esta noche me espera el amor
    en tus labios.
    de cada mirada, por dios,
    ardía el recuerdo en mi interior,
    pero ya he desechado
    por siempre la fruta podrida.
    en la prisión del deseo estoy.

    y aunque deba cavar en la tierra
    la tumba que sé que me espera,
    jamás me vio nadie llorar así.
    ¡que termine un momento precioso
    y le suceda la vulgaridad!
    y nadar mar adentro
    y no poder salir.
    en la prisión del deseo estoy
    junto a ti.

    y por fin he encontrado el camino
    que ha de guiar mis pasos,
    y esta noche me espera el amor
    en tus labios.
    de cada mirada, por dios,
    ardía el recuerdo en mi interior,
    y nadar mar adentro
    y no querer salir.
    en la prisión del deseo estoy.
    en la prisión del deseo estoy
    junto a ti.
    en la prisión del deseo estoy
    junto a ti.



    Por Rititi @ 2007/07/23 | Sem comentários »


    eu nem sei que te diga nuestros vecinos

    EU NEM SEI QUE TE DIGA

    Nuestros vecinos alegan razones prácticas, nada viscerales, para seguir siendo un Estado libre“, escreveu ontem Miguel Mora, o correspondente do El País em Portugal na página 2. Assim. “Los portugueses ya no odian ni miran a los españoles con el rencor y los prejuicios de otros tiempos (..) y, aunque su economía depende en gran medida del comercio con España y adoran ir a Zara o El Corte Inglés, antes muertos que renunciar a la patria y la bandera para convertirse en una comunidad autónoma y fundirse en un país de 55 millones de habitantes llamado Iberia“. Estúpidos de nós. Aliás, o grande tema dos debates parlamentares neste momento em Portugal é: “Portugal, até quando?” ou “Eu até curtia ser espanhol, mas agora renovei o BI e não me calha lá muito bem”. O gajo percebeu perfeitamente a mentalidade portuguesa, não há dúvida. De facto, somos portugueses porque nos dá jeito, básicamente, ter um IVA a 21 por cento e uma crise do caralho. Mas em qualquer momento poderemos vir a mudar opinião e então, os dez milhões de portugueses que por razões prácticas continuamos presos a um estado soberano, iremos bater à porta do Juan Carlos, grande amigo do nosso Portugal, pedir-lhe que nos mude a certidão de nascimento e que nos faça espanhóis para poder comer calamares e gajas maquilhadas em Torremolinos. Porque a gente, no fundo, nem sabe muito bem como veio cá parar, se foi a cegonha ou se fomos cagados, o que é ter sentimento nacional, uma língua própria, uma fronteira, história e cozidos com farinheira. “Hoy, en el siglo XXI y gracias a la única ideología rampante (el mercado libre), España y Portugal están, paradójicamente o no, más unidos que nunca. (….). Pero ha sido tanto tiempo de desprecio mutuo que la idea sigue excitando a las personas.” Concretamente ele. Uma reportagem a toda página sobre as reacções às cagadas de Saramago, que para Miguel Mora é o portavoz de um país de idiotas pobres que se casam com espanhóis e vão parir a Badajoz e que teimam em continuar independentes por razões prácticas. E não lhe dou um prémio vai ao cu a ti porque visto o panorama ainda me sequestram o blogue.



    Por Rititi @ 2007/07/23 | 4 comentários »


    el jueves na prisa el juez de la

    EL JUEVES, NA PRISA

    El juez de la Audiencia Nacional Juan del Olmo ha ordenado, a petición de la Fiscalía General del Estado, retirar de los quioscos y prohibir la difusión del último número de la revista satírica El Jueves por un supuesto delito de injurias a La Corona. (20 de Julho no El País)

    Como as injúrias ao sucessor da Coroa podem dar prisa, segundo a Constituição espanhola, e esta capa do El Jueves é, segundo o juiz Del Olmo, “claramente denigrante y objetivamente infamante“, a polícia foi à redacção da revista, deu-se ordem de sequestro de todos os números e a página web foi fechada. Punto pelota, coño hombre ya, e assim se protege a dignidade da Casa Real, o cumprimento das regras democráticas e põe-se ordem neste país sem respeitinho por nada, sem norte, sem valores, ah pois, que alguém tem que parar esta rebaldaria! Que pouca vergonha, uma caricatura dos príncipes a foderem numa revista de humor… Mas quem se acham que são estes gajos? Humoristas?
    Tiene cojones la cosa, sequestar uma revista a estas altura do campeonato, quando cada vez mais gente se questiona o papel e os custos da Monarquia, a figura do Príncipe, a nítida falta de empatia de Letizia com o povão e há mais contribuintes que se perguntam porque Espanha não pode ser uma república, um país sem rei e sem férias de barcos em Maiorca, caçarias na Romenia, baptizados reais e uma família numerosa paga por todos. A instituição sagrada em Espanha não é a Monarquia, é o Jueves e os seus trinta anos de humor, umas vezes ordinarote, com falta de gosto e pouco inteligente. E tocando o El Jueves, toca-se na liberdade de expressão e retornamos mais uma vez às caricaturas de Maomé, aos limites do humor e à suposta evolução de Europa onde tudo deve ser criticável, risível e motivo de troça pública. Sequestar uma revista porque o alvo da sátira é a Família Real obriga a repensar um modelo democrático que permite o insulto ao Papa mas que prende quem desenhar a Letizia de quatro, mesmo que seja (e é) claramente denigrante y objetivamente infamante“. Fraco favor lhe fez à Casa Real o juiz Del Olmo, sem dúvida o mais republicano de todos os espanhóis.
    Adenda: Mais capas polémicas de El Jueves

    (E já que estão com a mão na massa, o juiz, o ministério público e os valedores da moral pública e das boas maneiras à mesa poderiam castigar, multar e perseguir todas as bestas que se enriquecem diariamente com o escárnio do outro, a mentira descarada e a pura difamação. Assim de repente lembro-me de pelo menos dez programas de televisão e uma mão cheia de revistas de vendas milionárias).



    Por Rititi @ 2007/07/22 | Sem comentários »


    heroinas de plastico post em transito

    HEROÍNAS DE PLÁSTICO
    (post em trânsito)


    Victoria Beckham estava um dia sossegada na sua mansão de cristal da Boémia e pilares forrados em ouro quando reparou que há muito tempo que ninguém falava dela. Ora bolas, que chatice. E sendo como é uma gurua da comunicação, chamou a si a imprensa e abriu a boca. A mulher é, no mínimo, um génio: bastou-lhe conceder uma única entrevista para voltar como a Rainha do Vazio Mental à ribalta do mundo do papel cor-de-rosa, sendo colocada de seguida nos cabeçalhos dos jornais e com o nome posto na boca de intelectuais de renome, pedagogos, editores de jornais e tertulianos vários. Para merecer tamanho protagonismo a fêmea com a cara mais encerada da Europa simplesmente teve de anunciar ao mundo que nunca, em toda a sua genial e completa existência, jamais, ever, leu um livro. Porque é uma canseira ser mãe, uma fêmea fabulosa, magra e depilada e, aliás, ser a imperturbável esposa cornuda de um dos homens mais desejados do universo da publicidade. Se esta mulher não é um génio da auto-promoção, então vive no eterno Mundo da Fantasia, junto da Cindelera e da Bela Adormecida.
    E claro, perante tamanha declaração de interesses vitais, o Verão espanhol parou, escandalizado ficou o povo, horrorizados gelaram os cérebros da imprensa nacional: burra, frívola ou irresponsável pelo modelo que representa para milhões de adolescentes, a coitada foi vilipendiada, assobiada e com o nome transformado em sinónimo da estupidez mais profunda. Imagino o pasmo de Lady Becham ante tanta indignação popular: afinal onde está o mal de nunca ter pegado num calhamaço como Guerra e Paz? Acaso foi-lhe exigida a leitura das Memórias de Adriano quando a seleccionaram para integrar essa experiência kitsch e malcheirosa chamada Spice Girls, a embaixada da pirosice britânica de finais do século XX? Para quê tanta histeria, se nunca necessitou da leitura de Borges para se casar com o futebolista mais loiro do Manchester United e juntar em tempo recorde uma das fortunas mais colossais das terras de Sua Majestade? Se fechar os olhos, até consigo vislumbrar uma doce e estilizada Vicky, impávida e serena na Gucci da Calle Serrano num domingo qualquer, perguntando-se qual a urgência de ter um livro na mão se a vida se resolve a golpes de cartão de crédito. Isto tudo se a sua massa encefálica conseguir emitir um juízo de valor sem criar um curto-circuito no sistema nervoso.
    Pouco me surpreende que esta Barbie recauchutada tenha alergia à literatura em geral, e se amanhã partilhar com o comum dos mortais que desconhece quem seja Cristóvão Colombo, Adolf Hitler ou até Jesus Cristo, mais não posso que confirmar o óbvio. Não que seja burra, o que não é necessariamente mau porque de mulheres parvas está farta de rezar a História, mas sim que para encher capas de revistas, ser recebida pela Rainha Isabel II, imitada pelas crianças com cultura de supermercado, perseguida por fotógrafos, basta ser podre de rica. Mais, nem lhe é obrigatório ser especialmente bonita, nem a rainha da elegância, ou doar umas massas de vez em quando aos meninos de África. Basta-lhe ser co-titular das contas do marido, ir a desfiles de alta-costura e gastar euros obscenamente.
    Sem ofício mas com toda a classe de benefícios, a «cheerleader» da nova aristocracia iletrada é o paradigma duma classe de mulheres que apesar de viver no absoluto desprezo pelo conhecimento, o estudo e o pensamento crítico, são amadas, invejadas e proclamadas pelos media como novos ícones a imitar. Não são assim tão poucas. E que agora os profetas da cultura de massas se escandalizem, mais não aponta a hipócrita cegueira em que estamos metidos. Os novos ídolos femininos das adolescentes são analfabrutas totais, personagens de telenovela que se roçam em horário nobre, ignorantes absolutas que passam os dias nas compras para deleite dos paizinhos dos menores telespectadores; em Espanha aplaudem-se mais as mulheres que vendem o seu passado que as cientistas peritas em genética; Britney Spears pare em directo… Victoria Beckham é só uma consequência deste encolher de ombros geral perante a estupidez no feminino.
    Para rematar a famosa entrevista, a «Spice Posh» confessa, de coração na mão, que adoraria ser mãe de uma menina: «para lhe pintar as unhas, maquilhá-la e ir às compras». Prevejo para potencial criatura de Deus uma infância rodeada de bonecas Versace, sapatinhos Dior, mini-ferraris e uma original permanente aos três anos, altura em que dará o primeiro exclusivo à Hello! Aos doze será apresentada em sociedade com vestido de Dolce & Gabbana do braço de Elton John, aos dezasseis namorará com o filho de um magnata do petróleo, e com vinte e três antecipo-lhe duas depressões, uma cura de desintoxicação de toxinas porcinas e um casamento frustrado. De Geografia, Álgebra, Gramática, Filosofia ou Física, pouquinho lhe auguro. Atrás, no escuro da História, ficaram as figuras de Leonor de Aquitânia, Cristina de Suécia ou Marie Curie. «Quem?», perguntaria Victoria Beckham. Pois é. Bem-vindas sejam, senhoras e senhores, as novas rainhas do mundo moderno, as heroínas de plástico.

    (Crónica publicada no DNA em 2005)


    Por Rititi @ 2007/07/20 | 5 comentários »


    para tudo que o blogue dela faz um ano

    PÁRA TUDO, QUE O BLOGUE DELA FAZ UM ANO HOJE


    Pin-up de Earl MacPherson

    Parabéns, querida Ticcia, mulher imperativa. Tu sabes como eu gosto de ti, do teu blogue de madame, do teu poema remilgado, do sotaque brasileiro, da tua foto de Itacaré, da criada intrometida e até da receita de gaspacho. É bom ter gajas assim como tu no mundo, lindeza.
    Notinha deprimente de rodapé: aqui no outro do charco é verão, mas as minhas férias acabaram. É fodido ser pobre e mais ainda que me obriguem a a cumprir horário de escritório para poder pagar os litros de uisque que tenho que beber para esquecer que trabalho. É injusto, bem sei, pois eu, aqui onde se me lê, tenho um perfil de milionária chupa-fortunas que te cagas. Por favor, que alguém me retire da miséria laboral. Agradecida.



    Por Rititi @ 2007/07/18 | 1 Comentário »