Domingo, Julho 22, 2007

EL JUEVES, NA PRISA



El juez de la Audiencia Nacional Juan del Olmo ha ordenado, a petición de la Fiscalía General del Estado, retirar de los quioscos y prohibir la difusión del último número de la revista satírica El Jueves por un supuesto delito de injurias a La Corona. (20 de Julho no El País)

Como as injúrias ao sucessor da Coroa podem dar prisa, segundo a Constituição espanhola, e esta capa do El Jueves é, segundo o juiz Del Olmo, "claramente denigrante y objetivamente infamante", a polícia foi à redacção da revista, deu-se ordem de sequestro de todos os números e a página web foi fechada. Punto pelota, coño hombre ya, e assim se protege a dignidade da Casa Real, o cumprimento das regras democráticas e põe-se ordem neste país sem respeitinho por nada, sem norte, sem valores, ah pois, que alguém tem que parar esta rebaldaria! Que pouca vergonha, uma caricatura dos príncipes a foderem numa revista de humor... Mas quem se acham que são estes gajos? Humoristas?
Tiene cojones la cosa, sequestar uma revista a estas altura do campeonato, quando cada vez mais gente se questiona o papel e os custos da Monarquia, a figura do Príncipe, a nítida falta de empatia de Letizia com o povão e há mais contribuintes que se perguntam porque Espanha não pode ser uma república, um país sem rei e sem férias de barcos em Maiorca, caçarias na Romenia, baptizados reais e uma família numerosa paga por todos. A instituição sagrada em Espanha não é a Monarquia, é o Jueves e os seus trinta anos de humor, umas vezes ordinarote, com falta de gosto e pouco inteligente. E tocando o El Jueves, toca-se na liberdade de expressão e retornamos mais uma vez às caricaturas de Maomé, aos limites do humor e à suposta evolução de Europa onde tudo deve ser criticável, risível e motivo de troça pública. Sequestar uma revista porque o alvo da sátira é a Família Real obriga a repensar um modelo democrático que permite o insulto ao Papa mas que prende quem desenhar a Letizia de quatro, mesmo que seja (e é) claramente denigrante y objetivamente infamante". Fraco favor lhe fez à Casa Real o juiz Del Olmo, sem dúvida o mais republicano de todos os espanhóis.
Adenda: Mais capas polémicas de El Jueves

(E já que estão com a mão na massa, o juiz, o ministério público e os valedores da moral pública e das boas maneiras à mesa poderiam castigar, multar e perseguir todas as bestas que se enriquecem diariamente com o escárnio do outro, a mentira descarada e a pura difamação. Assim de repente lembro-me de pelo menos dez programas de televisão e uma mão cheia de revistas de vendas milionárias).

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