OS CASAMENTOS SÃO PARA O VERÃO
Trajes típicos

"Este ano, imagina, tenho dez casamentos", confessa desconsolada uma colega de torradinhas com compota de alperce na hora de pequeno almoço. Como que doze? Nem eu, a rainha da noite, tenho assim tantos amigos e/ou conhecidos em idade de comprar casa com recurso ao crédito! E porque aceitar todos os convites, se se sofre assim tanto? Porque é grátis. É a gula, senhores, é a gula e a perspectiva de beber à borla e o povo diz logo que sim, que lá vai à boda, tanto faz que seja onde Cristo perdeu o isqueiro ou que nem conheça os noivos, ora porra, ninguém diz que não a um casamento e à oportunidade de vestir o que de melhorzinho se tem guardado no armário: os vestidos/fatos de casamento.
Que se ofendam os pirosos: o povo veste mal e é nos casamentos que tem a oportunidade suprema de mostrar ao mundo o seu refinadíssimo gosto inspirado nas inúmeras telenovelas que lhe chupam o cérebro dia após dia desde as três da tarde à uma da manhã. E num alarde de inspiração e criatividade as gentes do povo decidem ignorar que existe uma Zara que a preços simpáticos até lhes daria um bom ar e vai ao pronto-a-vestir da Tânia, que até pode ser uma boa rapariga mas a quem a Mãe Natureza privou deliberadamente do sentido da estética, do gosto e do ridículo. Tudo isto e umas boas três horas no salão de beleza da menina Bela fazem o retrato típico das bodas ibéricas, que nisto somos todos iguais: senhoras bem entradas em anos e quilos que parecem travestis enfiadas em vestidos compridos de cetim vermelho paixão, com as banhas a espreitarem pelo atrevido decote das costas; jovens casadeiras com estranhos trapos semi-transparentes a fazerem equilibrismo em cima de uns saltos chúpame la punta; laca no ar e caras que parecem portas de tão pintadas. Eles, ai jasus, sapatinho castanho de biqueira afiada, com esses fatos brilhantes que nunca se abotoam e que deixam entrever umas camisas transparentes e gravatas com desenhos animados. E os adolescentes de fato de treino, e primo idiota que se diz de esquerda e por isso veste-se como se fosse à bola de ténis e t-shirt dos Metallica, e as coitadas das avós a quem mascaram de estrelas do cabaret...
Por quê, Santo Deus, tanta coisa horrenda para um dia tão belo? Porque, responde o Santo Deus, olha para os noivos e verás a luz. O noivo dá sempre a pista: se houver colete prateado a condizer com uma gravata que brilha mais que as minas do Peru, então a coisa aponta maneiras e só podemos esperar que a mãe dele leve na cabeça um chapéu como se estivesse nas corridas de cavalos de Ascot. Mas são as noivas, elas, o centro das atenções, quem definem o tipo de casamento ao que vamos. Efectivamente, e mente quem me disser o contrário, há noivas muito feias. Umas parecem freiras, como se lhes tivesse crescido o hímen aos trinta e sete anos, outras tentam imitar as actrizes nos Oscar e são verdadeiros trambolhos d'ouro, com vestidos impossíveis, cheios de pedras, rachas, decotes, transparências e demais barbaridades. O resto não conta, porque são minhas amigas e são sempre giras.
Que se ofendam os pirosos: o povo veste mal e é nos casamentos que tem a oportunidade suprema de mostrar ao mundo o seu refinadíssimo gosto inspirado nas inúmeras telenovelas que lhe chupam o cérebro dia após dia desde as três da tarde à uma da manhã. E num alarde de inspiração e criatividade as gentes do povo decidem ignorar que existe uma Zara que a preços simpáticos até lhes daria um bom ar e vai ao pronto-a-vestir da Tânia, que até pode ser uma boa rapariga mas a quem a Mãe Natureza privou deliberadamente do sentido da estética, do gosto e do ridículo. Tudo isto e umas boas três horas no salão de beleza da menina Bela fazem o retrato típico das bodas ibéricas, que nisto somos todos iguais: senhoras bem entradas em anos e quilos que parecem travestis enfiadas em vestidos compridos de cetim vermelho paixão, com as banhas a espreitarem pelo atrevido decote das costas; jovens casadeiras com estranhos trapos semi-transparentes a fazerem equilibrismo em cima de uns saltos chúpame la punta; laca no ar e caras que parecem portas de tão pintadas. Eles, ai jasus, sapatinho castanho de biqueira afiada, com esses fatos brilhantes que nunca se abotoam e que deixam entrever umas camisas transparentes e gravatas com desenhos animados. E os adolescentes de fato de treino, e primo idiota que se diz de esquerda e por isso veste-se como se fosse à bola de ténis e t-shirt dos Metallica, e as coitadas das avós a quem mascaram de estrelas do cabaret...
Por quê, Santo Deus, tanta coisa horrenda para um dia tão belo? Porque, responde o Santo Deus, olha para os noivos e verás a luz. O noivo dá sempre a pista: se houver colete prateado a condizer com uma gravata que brilha mais que as minas do Peru, então a coisa aponta maneiras e só podemos esperar que a mãe dele leve na cabeça um chapéu como se estivesse nas corridas de cavalos de Ascot. Mas são as noivas, elas, o centro das atenções, quem definem o tipo de casamento ao que vamos. Efectivamente, e mente quem me disser o contrário, há noivas muito feias. Umas parecem freiras, como se lhes tivesse crescido o hímen aos trinta e sete anos, outras tentam imitar as actrizes nos Oscar e são verdadeiros trambolhos d'ouro, com vestidos impossíveis, cheios de pedras, rachas, decotes, transparências e demais barbaridades. O resto não conta, porque são minhas amigas e são sempre giras.
Etiquetas: Os casamentos são para o verão

6 Comentários:
é coisa para lá de aflitiva. Eu juro que não compreendo o porquê de se ir piroso. Juro que não entendo as cabeças armadas de lacas e chapeus e muitas outras coisas mais que me dão a volta ao estômago. não ha casamento que se safe (por muito que custe, às vezes nem os das nossas amigas)
Ah ah ah Totalmente de acordo! Mais um grande texto, fechado com subtil chave de ouro. Estás perdoada! :P
M-Í-T-I-C-O!
Beijos!
PS: E tu nun ca viste um noivo de fato azul pitroile com florzinha de missangas, em azul "céu", colada na lapela! Agora, agora é que chegamos a entre-os-rios!
O da cabeças armadas, cara miss detective, nao tem explicaçao. Mas sabes que em Espanha ainda fazem pior: as senhoras levam "mantilla"!
Marta, obrigada pelo perdao, ehehehe!
Nuno, a sério? Isso existe? Bem a minha manamalindacolosi diz que esteve num casamento onde o noivo tinha SAPATOS BRANCOS...
Beijinhos
uma outra coisa que nao entendo e que esqueci de referir: a necessidade da "enxarpia" (apelidada assim entre amigas) tem que se levar sempre MAS SEMPRE essa treta porquê????!!!! eu entendo que as mulheres nao possam ir de pmbros à mostra pas igrejas, e foleiras?? já podem?? parece que sim, é que há cá cada combinação de exarpias que DEUS MA LIVRE!
Rititi,
este texto e de ouro. E brilhantes. E de todas essas coisas que reluzem muito. Escreves muito bem. Com muito salero.
beijos de uma emigrada
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