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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • outono ainda nao consegui ver onde cono

    Outono


    Ainda não consegui ver onde coño está a piada da chuva, do vento, dos dias que se encurtam, das meias, da roupa de meia estação, da mudança da hora, do frio ao acordar, do fecho das esplanadas, do fim do verão. Madrid enche-se de tristeza e mala hostia assim que começam a cair as folhas das árvores do Retiro e o trânsito se converte num caos de buzinas, choques e mecagoentó. Não há luz nas manhãs de Outono e as pessoas nos autocarros parecem pálidas, com se obrigadas pelo acordar da noite que promete ser eterna quando chega Outubro e as modas nas montras, e os chapéus de chuva, e as botas altas, e o castanho das blusas, e cabelos enredados pelo vento, e o peso de uma escuridão que só acabará em Junho.

    Os adoradores do Outono só podem ser uns tarados, ninguém no seu juízo pode gostar de passar uma tarde de domingo a ver chover.


    Por Rititi @ 2007/09/30 | 4 comentários »


    momento gina velhadas que alguem me

    MOMENTO GINA: VELHADAS

    Que alguém me explique em que momento esta trintinhas, com pernas até ao cu, bebedora com experiência públicamente demonstrada, com dotes para amestrar as massas, divertida, com menos de sessenta quilos e um par de razões bem sustentadas deixou de interessar aos gajos da idade dela. Trinta e dois anos e já sou velha? Ou serão eles têm assim tanto medo de crescer e só se podem dar com pitinhas que entendam as piadas infantilizadas? Se fosse solteira estava fodida, tinha que me acamar com uma gaja.


    Por Rititi @ 2007/09/28 | 11 comentários »


    tenemos chica nueva en la oficina

    TENEMOS CHICA NUEVA EN LA OFICINA


    PÚBLICO

    Um novo jornal diário, de papel, espanhol e de esquerdas. E sem secção de touros. Isto promete.
    Bienvenidos!



    Por Rititi @ 2007/09/26 | 3 comentários »


    bem me parecia que ja tinha escrito

    Bem me parecia que já tinha escrito sobre os cursos de formação

    To VIP or not to VIP (lá por 2005)

    Durante a segunda semana de Janeiro a capital do Reino das Espanhas recebeu os melhores cozinheiros do Mundo para que, numa coisa chamada Madrid-Fusion, os Grandes da Cozinha Desconstruída ensinassem o povão a fazer maravilhas com a varinha mágica. Hidrogénio líquido, canapés de sushi banhado em bacon caramelizado e caviar de melão, eis as propostas dos génios da comida pós-moderna para reconfortar os estômagos neste gélido Inverno polar. Por seiscentos euros o público teve direito a ser insultado por reutilizar o óleo das batatas, os donos dos restaurantes foram tratados como sopeiras por não decorarem os pratos conforme as novas leis da estética gastronómica e a plebe em geral babou-se pelas iguarias que os Mestres Masculinos das Panelas cozinharam em cima do cenário.
    Mas tenho a dizer que não pus lá os pés, fiquei-me por casa. Também não compareci à concorrida Festa da Sidra que o Javier deu em minha honra para comemorar a minha fabulosa entrada na trintena. Adeus às armas e aos copos de plástico. Porque agora sou uma mulher nova, uma Fénix renascida das cinzas dos meus cigarros, um milagre da ciência e dos cursos de auto-ajuda. Finalmente posso garantir que me transformei no que sempre sonhei ser: Xena, a Princesa do conhecimento interior!
    Claro que para chegar a esta nova etapa de férreo autocontrolo metafísico contei com a ajuda inestimável do Departamento de Recursos Humanos da minha empresa. Os funcionários dos Recursos Humanos são como o padrinho abastado que nunca tive, como a tia-avó do Brasil que faz de mim a herdeira de dois prédios restaurados e sem inquilinos na Lapa. Ralam-se de tal maneira pela minha realização pessoal, para que nada me falte no meu caminho para o êxito, que não só me negam uma subida no ordenado (com o intuito de que não o desperdice em banalidades como comprar uma casa ou beber uísque de quinze anos – ninharias, enfim…), como me inscrevem em todos os cursos de formação que aparecem no mercado. No espaço de um ano melhorei o meu inglês (finalmente falo-o tão bem como jura o meu Curriculum Vitae); decifrei os obscuros e misteriosos segredos que encerram as fórmulas de Excel; acedi ao fascinante mundo das Bases de Dados; e compreendi, depois de tantos anos, quem diria, o significado de dogmas de fé como benchmark, cost-to-income, I+D, e como estar overweight sem pesar cem quilos.
    Mas a verdadeira razão desta minha metamorfose de Peter Pan em Mary Poppins deve-se à maior invenção desde os tempos em que os romanos decidiram passar as leis civis a escrito: a derradeira Acção de Formação para o Desenvolvimento Humano. O último grito no mundo dos cursos para motivar executivos que têm medo de triunfar: porque as pessoas não sabem, mas no fundo ninguém quer ter sucesso profissional. Graças a estas magníficas sessões com direito a formador cativante, top senior e que me tratou como a uma camarada na luta contra a preguiça, fiquei a saber que a minha vida não tinha sentido.
    Andava perdida, desperdiçando os anos moços e saudáveis que Deus me deu na procura inútil da Felicidade e da Diversão. Horas de produtividade foram esbanjadas nos bares de Madrid e na cama com o meu marido, por achar que a vida era para ser gozada. Ignorava que os seres humanos estamos destinados a ganhar dinheiro para ter êxito, para que falem de nós e para influenciar. Para ter Poder. Mas claro, não tinha permitido que a minha Vontade Interior Positiva se revelasse livremente, a VIP, essa força mágica que nos faz esquecer o ócio e nos empurra para as delícias do trabalho sacrificado. Deslumbrada, jurei nunca mais me desviar dos passos da VIP, e agora os meus dias são passados no gratificador mundo da labuta árdua e da ocultação da euforia.
    Confesso que a imagem do formador cativante e top senior a passear cheio de vitalidade pelo estrado de microfone na mão e a exortar os executivos assistentes a libertar a VIP oculta de cada um, era bastante parecida à dos escritores de livros de auto-ajuda que aparecem nos filmes americanos. O top senior comportava-se como um guru da guerra anti-tabaco; como se fosse o exaltado Presidente da Associação pela Castidade e Pureza. Os lemas, os de sempre: «Tu és o teu pior inimigo», «A força vem de dentro», bla, bla, bla. Só que a nova versão ao estilo psicologia Arlequim da fórmula socrática «Conhece-te a ti mesmo» apenas serve se o fim da peregrinação interior for o Sucesso e um carro da empresa.
    Sendo sincera, ando a pensar em abandonar minha Vontade Interior Positiva, esquecer as palestras do persuasivo formador top senior e dedicar-me ao que mais prazer me dá: Viver. Porque a mim a máscara da executiva-agressiva que trabalha doze horas ao dia e que controla os instintos naturais graças a um estrito conhecimento introspectivo não me assenta bem. Falta-me sobriedade, por muito que os livros de auto-ajuda, os gurus da Felicidade de Plástico, os sermões de telepredicadores e os vendedores do Desenvolvimento Interior digam o contrário. E porque como diz o sábio escritor espanhol José Luis Sampedro «nadie me amarga a mí el placer de vivir. Esos señores de negro no me van a fastidiar». Tem 87 anos e da vida deve perceber alguma coisa.



    Por Rititi @ 2007/09/24 | 2 comentários »


    4 anos sem penis nem inveja

    4 anos Sem Pénis, nem Inveja.

    Chicos embobados, de Mario Vela, à espera que a Teresa C., vulgo Tati, apareça para festejar o quatro anos de vida do Sem Pénis, nem Inveja. As gajas boas têm destas coisas, até param o trânsito na blogosfera.


    Por Rititi @ 2007/09/24 | 1 Comentário »


    24 com minha vida condenada ao limbo

    24

    Com a minha vida condenada ao limbo dos cursos de formação compulsiva, a única coisa que me rala é que os cabrões da Antena 3 passem o novos capítulos de 24 para lá uma da madrugada. Talvez dissesse mais de mim se me inquietassem os grandes assuntos do mundo, como a gravidez exorbitante da Salma Hayek, mas depois de uma semana a ser lobotomizada com palavras de ordem como eficiência, produção, maximização dos recursos ou eficácia, já só quero aprender os truques do Jack Bauer. Se o gajo é capaz de fugir de um bunker nuclear custodiado por vinte alqaedos suicidas, esfaqueado nas costas e no peito, meio cegueta e sem telemóvel, não entendo porque razão eu nunca me consigo baldar às enxurradas maratonianas que cada dois meses me impigem lá naquela empresa que cada vez mais se parece a uma fábrica da revolução industrial. Desde este palco aviso, amados patrões, que o meu cérebro tem um limite de armazenamento. Um dia esta merda pifa, palavra de honra.


    Eu à saída da fascinante formação “Faz de ti uma mulher de jeito, caralho”, o quinto curso num mês, rodeada dos meus formadores, uns simpáticos e alegres coreanos peritos em concretização de objectivos, como não deixar ninguém chegar a casa antes das sete da tarde.



    Por Rititi @ 2007/09/20 | 2 comentários »


    querido blogue e depois se miuda morreu

    Querido Blogue,

    E depois se a miúda morreu por causas acidentais, um golpe na cabeça, overdose de barbitúricos, estupidez parental, malícia ou falta de jeito? E depois se a piquena, a quem o povão, bêbedo pela estúpida sensação de proximidade, com lagriminha pronta para o depoimento para o telejornal da noite trata por Maddie, a menina mais linda da Inglaterra, a do olho com a marca da campanha mundial onde habitam futebolistas, escritores best-sellers e até o Papa de Roma, não foi raptada, nem presa de máfias de órgãos, nem vítima de um sádico algarvio que a desfez em mil pedaços? E depois se foi a mãe, o pai ou os até os dois, que diferença haveria com outras meninas mortas, com as outras crianças afogadas com a almofada, estranguladas, envenenadas, esfaqueadas pelas mãos que as deveriam amar? Quem distingue entre uma loirinha de classe média inglesa e o piolhento do bairro da lata, entre a desaparecida num resort de luxo tudo incluído do pretenso primeiro mundo e os que nada podem meter à boca? Até quando teremos que suportar esta histeria de verão, um simples caso de polícia que, de tão manuseado pelas televisões, opinadores de meio pelo e gentalha à porta da igreja, relações públicas que engordam as contas bancárias de tanto chupar o sangue de uma criança e porta-vozes de ministérios e polícias que vociferam provas que já não o são, não passa de uma nauseabunda exposição de uma desgraça enorme mas igual a tantas outras inomináveis barbaridades que se cometem todos os dias? A estas alturas, com os media e vozes entendidas, juristas, pediatras e psicoanalistas a espalhar sem o mínimo de pudor tamanha miséria, vendo este cúmulo de desvergonha, sinto tanto asco que a minha esperança no ser humano, em geral, perde-se. Acabou-se a fé nesta merda toda. Cambada de anormais estamos feitos. Todos.



    Por Rititi @ 2007/09/19 | 5 comentários »


    leonor de aquitania leonor duquesa de

    LEONOR DE AQUITÂNIA

    Leonor, duquesa de Aquitânia, andava à solta. Talvez demais para o gosto do seu primeiro marido, o beato e centenas de vezes coroado pelas infidelidades da mulher, Luis VII, o rei com a virilidade mais questionada da história de França. E não porque fosse rabeta, mas sim pelas continuas afrontas da duquesa, que em vez de se manter discreta, no segundo plano que se pretendia para as grandes damas do Século XII, revolucionou camas, tratados de guerra e até uma Cruzada à Terra Santa só porque lhe apetecia. E porque podia: quando se é a mulher mais rica da época, herdeira de uma impressionante bagagem intelectual e senhora de meia Europa não é um marido que impõe os limites da cama nem do poder, e muito menos um homem como Luis VII, inseguro ante tanto alarde de vontade própria, independência económica e uma líbido sem obrigações conjugais.
    Em vez de se pôr à altura da franqueza física e moral de Leonor, Luis optou por se acobardar, aceitando tacitamente que a mulher procurasse nos braços de inúmeros amantes a compreensão e a felicidade que tanto o assustava dar-lhe a uma mulher sem pudores mentais. Ao pouco tempo e por exigência da própria Leonor, o Vaticano concedeu-lhes o divórcio. O resto da história já é conhecida: Leonor, de 29 anos e considerada velha, casou com um imberbe Henry II; deu-lhe oito filhos – ente eles Ricardo Coração de Leão e João Sem Terra – promoveu o estudo das artes e potenciou o amor cortesão, os trovadores e as lendas do Rei Artur numa Europa habitada por analfabrutos assustados com o Fim do Mundo; viveu como quis e morreu com mais de oitenta anos, feliz, rica e com todos os dentes na boca.
    Passaram-se oitocentos anos: Fernão de Magalhães e Camões orgulharam Portugal, Mozart compôs a Missa da Coroação, duas Guerras Mundiais assolaram o mundo contemporâneo, a democracia banalizou-se com a mini-saia, o frigorífico e a pílula, Herman José perdeu a piada e ainda assim continuam a causar consternação mulheres como Leonor de Aquitânia, independentes, valentes e com poder absoluto sobre o seu próprio destino.
    Com a Europa levantada como a civilização mais importante da História, curioso é observar como prevalece para as fêmeas um comportamento estereotipado em todos os âmbitos da sociedade, potenciado desde as tradições machistas até ao sistema de quotas que o politicamente correcto pretende perpetuar. E se uma mulher ignora olimpicamente os modelos impostos, ansiosa de ser indivíduo antes que uma “condição”, incorre no risco de ser recordada na História como a pior das Salomés, uma desvairada papa-homens ou simpaticamente “fogosa”. Ou então de encontrar um homem à altura, que é o que acontece na maioria das vezes a aquelas mulheres que não têm medo dos boatos nem das reuniões de beatas para serem felizes.


    Por Rititi @ 2007/09/18 | 1 Comentário »


    espanhol avancado la shica bien paga um

    ESPANHOL AVANÇADO


    La Shica – Bien Paga

    Um video bem merdoso para a coisa mais alucinante que hoje encontrei no iutú, La Shica, toda desatada com La Bien Pagá. Um clássico musical sobre a triste vida do putedo, hoje em versão grelame-power y a mí tú no me levantas la voz ni me preguntas de donde vengo que cojo el caminito y me voy, que una a esta edad ya no tiene el coño pá ruidos.
    Só para verdadeiros tarados da copla, da bata de cola, la Pantoja, Cine de Barrio e España Cañí!


    Por Rititi @ 2007/09/13 | 1 Comentário »


    ole ole y ole o casal ingles e me

    OLE, OLE Y OLE!

    “O casal inglês é-me manifestamente antipático. As respostas ensaiadas de ambos, o óbvio domínio exercido por ele sobre ela (embora ela aparente ser psicologicamente mais forte), o show mediático profissional que montaram e a manipulação da opinião pública, chocam-me a sensibilidade e o pudor a afastam-me do que seria o sentimento normal e previsível: a solidariedade (enquanto mãe) e uma imensa pena por um drama tão grande lhes ter caído em cima”. No Controversa Maresia (I e II).

    A única leitura sobre “a saga dos macaine” que se permite no Rosa Cueca: a da Sofia Vieira. Um must da informação em constante actualização.



    Por Rititi @ 2007/09/13 | 1 Comentário »