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Dada a obrigatoriedade de assistir ao Festival da Eurovisão, esse sádico espectáculo de anormalidades emitido via satélite para uma Europa em expansão de subsídios e mau gosto, a TVE finalmente atreveu-se a fazer o que qualquer gestor de conteúdos de um canal de televisão sempre sonhou: demitir-se, cagar bem de alto e passar a responsabilidade de escolher o desgraçado que representará o país ao povo. Ao povão. Com a entrada do eixo báltico no concurso e com a capacidade da zona balcânica de gerar países, a Espanha percebeu que que já não havia opções de ganhar. Não vale a pena sacrificar a reputação de um artista consagrado, pensaram desde a TVE, e como escolher um ucraniano das obras para cantar sobre a triste vida do emigrante é, no mínimo, imoral, a grande Espanha optou por fazer uso da tecnologia moderna: graças ao MySpace e à pachorra de milhares de desocupados adoradores do Festival da Canção, Espanha já tem 10 candidatos a ser o palhaço do ano. Um grupo composto por uma legião de seres hipergayzados, outro que não existe, um actor de televisão metido a cantor pimba, mamalhudas desafinadas e outras subespécies vocais e siliconadas,estudos psiquiátricos,um rapper de Melilla, românticos excedidos e imitadores do ídolos de discotecas de verão, eis o voto do povo-internáutico. Triste? Bem, o representante da Irlanda é um peru.
Horror, segunda feira há outro debate Zapatero-Rajoy!
(Votante espanhola que se acaba de lembrar que ainda lhe falta mais uma semana de campanha eleitoral. Parece ser que nem todos os eleitores têm a força de espírito para suportar outra medição pública de pilinhas e concursos para ver quem mija mais longe.)
O Blogue dos Marretas (o primeiro blogue que me lincou, algures há quatro anos) está de parabéns dia 23 de Fevereiro quando fez cinco anos de blogosfera diaria. É, objectivamente, o blogue mais bem-disposto da pátria lusa, um caso único de simpatia natural e de deixar viver. Rodeados que estamos de mesquinhice e invejinha pirosa, levanto o meu copo de champanhe sem álcool em honra dos Marretas, os avózinhos da blogocoisa. Olé, guapos!
Ora, ora, mais um ano e cá estamos para celebrar as grandes cagadas estilísticas de umas estrelas de Hollywood cada vez mais desenxabidas e totalmente dependentes do critério dos estilistas, alguns, por sorte para esta crónica, nada preparados para a tarefa que lhes é encarregue. Algum dia teremos que falar sobre os estilistas, essa classe operária completamente sobrevalorizada.
Anne Hathaway
Eu também gostava de ser como a Nicole Kidman, de pairar pelo tapete vermelho, de transpirar elegância e ser a inveja de blogues e a capa da Vanity Fair. Mas não sou. E a querida da Anne também não, mas insiste em vestir-se de princesa prometida do país imaginario de Genovia, como se fosse a protagonista de um filme pasteleiro da Disney ou a Nossa Senhora de Los Angeles. Sobra-lhe vestido e falta-lhe sol. E anos de vida. E glamour, que por acaso não tem, nunca teve nem nunca terá. Anne: give up!
Tilda Swinton Queria aproveitar esta oportunidade que me ofeceço a mim mesma para agradecer à Lanvin, à tuberculose e à miopia por me porem em bandeja o Trambolhão D’Ouro.
Fabuloso o veludo, inenarrável o esqueleto andante, incríveis a maquilhagem inexistente, as olheiras e a cenoura na cabeça… Obrigada, estou emocionada.
Johnny Depp e Vanessa Paradis
Porque a vida não tem sentido sem os clássicos, porque os trambolhos também precisam de estabilidade, porque todos temos uns tios excêntricos, já nem vale a pena ficar irritados com a insistência deste dois seres por aparecerem sempre feios, como brincando a ser zombies (será que ganham um extrazinho por assustar o respeitável?). Nunca uma gala será o mesmo quando estes parecerem vivos. Paciência.
Diablo Cody
Sim, nós já sabiamos que eras gorda.
Tomiko Fraser
Quem convidou a elefanta de “Fantasy” da Disney? Só lhe falta o tutú, valha-me Deus. E eu que achava que tinha visto tudo…
Marvin Gaye & Tammi Terrell – Ain’t no Mountain High Enough
É fisicamente impossível que um homo sapiens cujo único fim do mundo é mamar e cagar prefira os moranguitos a Marvim Gaye. Outra coisa é a publicidade encapotada em programas supostamente didácticos dirigidos a chupar o sangue e o ordenado de pais recém-paridos em nome do chamanismo do desenvolvimento psicoemotivo, social e humano de minis-seres vivos. Eu sei do que falo: há uma semana que ando a ver creches pelo meu bairro madrileno. 500 Euros ao mês. Sem comida. Sem fraldas. Das 9 às 5. Vão mazépáputacuspariu. Voltarei ao tema, palavra de honra.
(Desculpem-me, mas nesta casa não entram canções de baleias em cio no Pacífico Sul, coleccionáveis de Mozart para sopeiras à venda no Continente, contos islandeses politicamente correctos sobre de anões vegetarianos. Aqui a gravidez não é uma religião new-age)
MECANO – LA FUERZA DEL DESTINO (nota iutube: não perder a evolução de Penélope Cruz)
Com 33 anos às costas desde sábado (obrigada aos leitores antigos) só se me ocorre afirmar, contemplando fotos e vídeos passados, que hoje, mesmo prenha e abstémia, sou muito mais gira, muitíssimo mais charmosa, mais sexy, mais esperta e se me apuram, até mais alta que há dez anos atrás, quando todas as calças me cabiam, a celulite era um mito criado para vender cremes e sempre, até à segunda-feira, era sábado. Sim, os dias são mais curtos e a pachorra, um bem escasso em perigo extinção e a pele, ai a pele, que pele, o que se esconde debaixo dos litros de base? Mas nunca antes estive tão segura de mim, do meu sex-power e a verdade é que me estou bem cagando se vou sobrada de bóia abdominal ou se a moda (que é esse invento de quatro paneleiras bulímicas que odeiam as mulheres que apanham autocarros, mijam e têm calos, ou seja todas) me quer ver morta de fome, esmifradinha e vestida com trapos inúteis, caros e manifestamente ridículos. Sim, sábado fiz 33 anos, estou mais fácida, tenho mais olheiras e menos paciência, mas cada dia estou mais perto do meu ideal de beleza. ou seja, eu.
Para todos aqueles que acham que a música é estática, imelhorável, coisa quieta, que não aceita misturas, que não pode viajar, que só respeita a história quem repete o antigo. Don Paco, Dios lo bendiga.