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Rititi

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INÍCIO

  • nus recostados viver em madrid alheia

    NUS RECOSTADOS

    Viver em Madrid, alheia à frenética actividade cultural portuguesa tem as suas consequências mais ou menos desastrosas: palavra de honra que não sabia quem era essa promessa das artes cinematográficas pátrias chamada Soraia Chaves até o dia em que o EL PAIS a entrevistou. Protagonista total da última página do jornal, a jovem foi retratada pelo Miguel Mora, o correspondente em Lisboa, como o requinte da sensualidade lusitana (“os olhos, a boca, as maçãs do rosto, a cabeleira, a pele branquíssima, o top, os dentes brilhantes, os saltos altos de agulha, as calças de ganga debaixo da cueca de fio dental bege…”), um ícone sexual com uma fome a roçar a lascívia (“de maneira que pede um ensopado de borrego, franze os lábios, sorri com uma excitação que parece involuntária, coloca o decote na vertical do prato e devora-o com uma curiosa mistura de glamour y apetite”) e a razão pela qual vale a pena tirar o curso de jornalismo, nem que seja só para almoçar amêijoas à bulhão pato com a mulher que encheu as salas de cinema portuguesas graças às cenas tórridas protagonizadas num filme chamado Call Girl. Nunca Shakespeare foi tão inútil para roçar os 200.000 espectadores em menos de um mês e nem falta que lhe parece fazer à moça, pois ela mesma afirma ao jornalista ao ponto do colapso cardíaco que “o meu corpo é lindo. Porque não mostrá-lo?”.
    E com estas francas afirmações ainda na retina e a verificação do meu evidente estado de prenha de sete meses e setenta (e um) quilos, meto-me no Museu Thyssen-Bornemisza em hora de ponta para ver a exposição de outros corpos nus, os pintados por Modigliani, sensualmente reclinados sobre fundos vermelhos, expoentes da sensualidade do Montparnasse do principio do século XX e o motivo da enchente do museu madrileno antes da hora de almoço. Excursões de adolescentes em pleno apogeu hormonal e senhoras reformadas com ânsias de expansão cultural quase impediam o normal visionamento dos quadros de mulheres nuas, lindas e no auge da sexualidade mais extrema, a dada pela nudez sincera das nádegas, das coxas, dos peitos que se apresentam firmes e cálidos nas paredes da minha pinacoteca favorita, a de Carmen -Tita Cervera -Thyssen, hoje digna e milionária mecenas das artes pictóricas e há três décadas atrás também ela protagonista pela nudez da capa da revista Interviu. Com um peito de fora, uma maminha discreta e sem os aditivos do látex actual, ali estava a Baronesa Thyssen em 1977, muito comedida e pacata se comparada com qualquer imagem que possamos encontrar hoje no Google da nossa bomba sexual lusa Soraia Chaves. Vendo as fotos qualquer um diria que há problema de chuva em Portugal, tal a quantidade de humidade no ar e no corpo enxuto da jovem artista, credo.
    É assim o escândalo: não é o nu que ofende, mas o olho que o procura. Que o digam aos usuários do Metro de Londres, que antes de abrir a boca já tinham sido proibidos de ver o cartaz de uma exposição de um pintor do S. XVI na Royal Academy of Arts por exibir o corpo de uma Vénus nua de gargantilha ao pescoço. “Devemos respeitar todos os viajantes e tentar não ofender ninguém”, dizem os responsáveis pelas sensibilidades suburbanas londrinas, talvez cientes dos distúrbios provocados no Paris de 1917 por uma populaça indignada pela quantidade de mulheres nuas pintadas por Modigliani como belas adormecidas após uma doce noite de haxixe e luxúria. Se eu trabalhasse no Metro também não queria ver turbas moralistas a queimarem quadros de virgens da Renascença. Pergunto-me se as autoridades metropolitanas também teriam tido tanta cautela se em vez de uma Vénus o cartaz reproduzisse o corpo de um fornido, musculoso e definido Adonis, um super-macho que espevitasse da modorra matinal as enfermeiras, as contabilistas, as antropólogas e as executivas agressivas contribuintes do PIB inglês. Questão de menor quantidade de libido na retina feminina? Talvez para os censores da moral pública as mulheres não sejamos ainda o suficientemente badalhocas para sermos susceptíveis de ofensa pela nudez. Como muito, somos um entretém para a publicidade de roupa interior da Armani com um David Beckham excessivamente recheado nas partes pudendas, motivo de reportagens “engraçadinhas” nas televisões sobre as reacções de mulheres medianamente excitadas com o potencial debaixo do boxer de uma estrela mediática.
    Remata Soraia Chaves a entrevista afirmando sabiamente que em Portugal há “muita hipocrisia camuflada, falso pudor, repressão, prejuízos, machismo, pouca liberdade”. E que agora vem viver para Espanha. Nem imagino as dificuldades pelas que deve ter passado a jovem Soraia neste país onde sobrevivem tantos preconceitos machistas, tanta ditadura pelo que dirão, tantas normas não escritas sobre o suposto comportamento da mulher, desde se deve beber em público quando o homem não o faz, interromper o chefe numa reunião com clientes ou deixar de trabalhar quando tem filhos. Mas posso dizer-lhe, amiga, que lhe vai fazer bem viver em Madrid: o que aqui não faltam são mulheres bonitas e, sobretudo, gajas realmente boas e prontas para sair à rua e lutar sem piedade e com sutiãn de recheio por uma sociedade sem
    hipocrisia camuflada, falso pudor, repressão, prejuízos e machismo à base de golpe de decote e orvalho sobre a pele húmida e turgente. Quem sabe se não estaremos perante a nova líder do post-feminismo do fio dental, vallha-nos Deus.
    (Com um grande beijo para o Paulo Pinto Mascarenhas)



    Por Rititi @ 2008/04/07 | 2 comentários »

  • Desinformador says:

    Mas tudo isto começou com o Crime do Padre Amaro versão 'tuga! Com a Soraia Chaves a derreter as salas de cinemas nacionais, enquanto punha em prática o Kama Sutra inteiro… na sacristia, no confessionário… and son on…

    Nem entendo como é que estes 'troncos' perderam uma obra prima destas! Estou por cá há um ano, e ninguém faz nenhuma ideia de quem é a Soraia Chaves!

  • Dejando huella says:

    A Soraia amiga eh uma gaja boazuda. Eh sim senhora. O problemas eh que vem viver para esta cidade em que as gajas boas sao tao boas e tantas, que devo confessar que desde que cheguei que o meu ego morreu. Ninguem me olha! Ninguem! Ah, uma vez levei um piropo de um trolha. Eh a fartura..

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