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E não, não vou dizer que nunca mais será devolvido à autora. Por uma vez sem exemplo, e com a devida autorização da Rititi, Mr. Pinheiro toma o comando deste desgoverno rosa-cueca.
O nosso Manuel – vosso Rititi-boy – nasceu na manhã de ontem, dia 26, depois de uma sólida disputa com a mãe nessa competição de “tira y afloja” que é a passagem entre ecossistemas. A gravidade venceu a gravidez.
Sai ao pai? Sai à mãe? Terá os seus dias, porque de momento parece que sai a ele mesmo – ainda que recorde vagamente o ar sério da mãe quando tem razão. Por aqui deram-lhe música, conselhos, bitaites, e aproveitaram o ensejo para mais uma vez tentar pôr os homens na ordem, mesmo à custa de deixar no ar a que categoria pertence o Elvis. Eu não vou por menos. Ofereço-te um vintage do génio da lâmpada (aprende inglês e entenderás a profundidade de “never could stand that dog”) e um desejo: oxalá possas viver em liberdade e com esse ar perguntão, afinal a maior liberdade é a de questionar e isso é melhor do que viver em verdades absolutas.
Um bocadillo de jamón ibérico e uma caña. Pronto, vá lá, e um bife de lomo argentino escorrendo sangue e molho chimi-churri. E uma sande de chouriço de Estremoz. E toucinho cru e um copinho de vinho. O importante é que venha mal passado para o prato.
No Pnet, esta semana em cheio:“… Sobre os camionistas, as greves e os colapsos, serei breve: eu quero é que vão dar graxa ao cágado, pá, que é para não os mandar levar num sítio que neste Pnet tão cor-de-rosa não assentaria nada bem. Durante esta semana ficou mais que demonstrado que se trata de um grémio egoísta e ignorante, incapaz de prever a óbvia subida dos preços dos combustíveis e por tanto impotente para resolver os pontos específicos de uma negociação privada e anterior sem chatear o governo e conjunto da sossegada sociedade. E por culpa da demagogia própria dos dirigentes da “classe operária” esta gentalha armada em defensores dos direitos dos trabalhadores não teve o mais mínimo problema em fazer refém a maioria das grandes cidades espanholas, bloqueando estradas e impedindo o abastecimento de mercados, bombas de gasolina e, o que é pior, impedindo milhares de pessoas de chegarem a horas ao trabalho, à escola, às provas de entrada na Universidade, ao médico, ao amante, à vida programada. Esta tentativa de sequestro da normalidade enoja-me e por isso felicito a actuação radical do Governo que considerou estes piquetes e bloqueios ilegais e alheios a qualquer direito à greve. Tudo preso! Bem feito, ministro Rubalcaba!… “(Se ler querem mais, já sabem!)
Madeixas em dois tons previamente testados segundo a pigmentação da pele, a idade e a estação do ano, tratamento hidratante capilar intensivo e restauração de pontas e raízes; SpaManicura à base de aloe vera, ceramidas, pantenol e vitaminas; pedicura e fricções de azeites da árvore do chá, mácaras de fango, toalhinhas quentes e masagem a nível articular com creme de arpagofito; depilação com cera quente de rosas feita à mão por criancinhas de um país remoto e terceiro-mundista; (mais outra) massagem relaxante aromaterápica com óleos essenciais, fuminhos e músicas de baleias em fornicação e, finalmente, exfoliação, tonificação e limpeza facial completa para purificar as capas superficiais da pele e tirar o stress. Dizem que lá fora há greve. E eu ralada.
E esse errrrre impossível, esse rio espelho de tardes de esplanada e imperial com caracóis, essa Lisboa cada dia mais de ontem, Lisboa de urgência de te ver como eras, cidade das memórias do amor que me pôs prenha e se mudou quando ainda faltava tanto fazer. Recordações de calçada portuguesa, o som do eléctrico preso por um carro mal estacionado no Poço dos Negros, vistas com chiribiti em Santa Luzía, um domingo de manhã na Bica e o cheiro de uma salada de pimentos bem temperada.
Lá está o triste Portugal em frente à televisão de plasma à espera dum novo D. Sebastião que expulse os malvados espanhóis, o défice orçamental, a ASAE e os donos do pérfido Euribor. Este ano a promessa de glória, progresso e orgulho nacional chama-se Cristiano Ronaldo, um rapaz sem estudos mas boas pernas e namoradas com ar de putéfias que vive num castelo construído por Souto Moura numa ilha de névoa e chuvas. Já podem ir pendurando a bandeirinha pátria com o logo do bes na janela, que começa a parvoreira.
(…)Porque a cultura, desculpem lá, precisa de respeito, de introspecção e até, imaginem que barbaridade, de silêncio. Um silêncio que a ninguém parece importar, um silêncio vilipendiado nas igrejas, museus e catedrais que só servem para armazenar excursionistas de dois em um a quem tanto faz ver a tumba de Jim Morrison em Paris ou o Mosteiro da Batalha. Visitar um museu transformou-se numa missão impossível, numa gincana que nos obriga a superar idiotas com câmara fotográfica a quem sempre se tem que chamar a atenção, recém paridas que insistem em amamentar em frente à “Mulher Barbuda” do Españoleto e turistas de sande de courato e “o Zezinho esteve aqui” escrito na casa de banho. Nem tudo vale culturalmente e muito menos o “olha, é da maneira que esta gente vê alguma coisa”, como se o sacrifício de uns poucos (realmente interessados) servisse para o bem geral (de uma maioria que se está obviamente a cagar). Mentira: os que olham quase nunca vêem, porque para isso é necessário o exercício da abstração. E toda a gente sabe que o povão é incapaz disso. (…)