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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • querido blogue parida de um mes e com o

    Querido Blogue,
    Parida de um mês e com o criatura arrotada e deitada no berço de ferro forjado, sento-me, já sem pontos e com cinco quilos a mais alojados nas mamas, cintura e ancas, no terraço da casa dos meus pais, com vistas para a planície alentejana e o portátil sobre as pernas. E penso, agora que nada se me pendura da mama, que coisa, pá, esta da maternidade, que puta de volta que me deu a vida, e que bonito que me saiu o cabrão do gaiato, mas essa é outra historia. E, já agora, que engraçado, que ainda continuo à espera desse suposto halo de grandeza que dá a maternidade e que supostamente nos faz mais altas, mais espertas e até mais sensíveis e que, no tal suposto, nos eleva a uma outra categoria de gente superior, a das mães, grupo que se arroga em genérico, por causa da tal coisa da dor do parto, o amor incondicional e de ouvir o choro da criança a três quilómetros de distância e sem intercomunicador. E eu, que já passei por aí e que até tenho leite para alimentar uma escola primaria da Africa Negra e que acordo cada três horas todas as noites desde que pari, em verdade vos digo, meus irmãos, que se há um clube da maternidade a mim não me convidaram e se o fizeram eu não quero ser aceite. Porque a tão sovada maternidade é um estado de espírito, sim, mas que eu tenho só com o meu filho, que me une a ele e a mais ninguém, já seja este ninguém as leitoras da revista pais e filhos ou as senhoras que empurram carrinhos de bebé no Retiro, com quem eu, felizmente, não tenho nem quero ter nada a ver. Esta coisa da maternidade, digo, não só não me une ao resto das mulheres, nem me eleva, nem me dá direitos especiais que tantas doidas acham que têm só por ter parido, como o de dar bitaites sem autorização ou até a falar com uma estúpida e desnecessária arrogância cada vez que se dirigem ao resto das gajas que não querem, ou se calhar não podem, ter filhos, e até às que mesmo sendo mães nem sabemos tudo nem nos importamos de o dizer em público. A maternidade tira-nos todas as certezas, e maluca da gaja que disser o contrário. Que se desenganem as patetas, ser mãe não nos dá direito a escrever sobre nós em maiúsculas, mas claro, gente doida há em todo o lado.


    Por Rititi @ 2008/07/28 | 15 comentários »


    carencias muito livro do dr spock

    CARÊNCIAS




    Muito livro do Dr Spock, muitas idas à pediatra-psicopata que me odeia, muitas aulinhas de preparação para o parto, mas ninguém me explica o essencial: sou muito má pessoa e pior mãe se o que quero (não, o que quero não), se o que preciso nestes momentos da minha vida é agarrar no meu Mr. Pinheiro, ir para uma ilha no Índico (por isso da distância) e entregar-me em corpo e alma aos prazeres adultos e altamente tóxicos e drogoindependentes que matam milhões de neurónios de uma só tacada e que nos deixam à beira do encefalograma plano durante o resto da semana? Já me podem comer a orelha com essa treta do instinto maternal, pá, que a mim não me enganam: por muitas horas que se passem de perna aberta em trabalho de parto uma gaja nunca deixa de ser essa adorável urbano depressiva com leve tendência a ficar alcoolizada depois de vários e despreocupados gins tónicos à beira do bar da piscina. Sim, amigos, estou com falta de carências. É fodido passar o verão à sombra da abstinência.


    Por Rititi @ 2008/07/23 | 11 comentários »


    musicas para o rititi boy viii gilberto

    MÚSICAS PARA O RITITI-BOY (VIII)


    Gilberto Gil – Drão

    Mozart fica para quando o criaturo perceber a diferença entre nós e os animais do mundo. Enquanto o tempo dos crescidos não chega, macacamos os dois ao som do português mais bonito, mais fino, mais tudo o que nos falta deste lado agrio e tristonho do Atlântico. Drão, drão.


    Por Rititi @ 2008/07/21 | 3 comentários »


    so coisas giras para o rititi boy ii ja

    SÓ COISAS GIRAS PARA O RITITI-BOY (II)

    Já podem assar lá fora. Graças ao amor da Rititi-Family no reino Rosa-Cueca não passamos dos 25º. Depois da epidural, o ar condicionado é, sem dúvida alguma, o melhor invento da historia da Humanidade. E amém.


    Por Rititi @ 2008/07/19 | 2 comentários »


    so coisas giras para o rititi boy o

    SÓ COISAS GIRAS PARA O RITITI-BOY


    O puto não sabe, mas ele sempre quis ter um biberão da Dior. Uma must-prenda via correio certificado da Tia Sofia Vieira. Amei!


    Por Rititi @ 2008/07/18 | Sem comentários »


    momento gina maravilhas da maternidade

    MOMENTO GINA: MARAVILHAS DA MATERNIDADE


    (Maitena)

    Este blogue está a dar o peito. Ou a mudar a fralda. Ou a ver se o puto dorme. Ou porque chora. Ou a comprar cremes de cinquenta euros da Chanel para dar um bocado de bom aspecto a esta cara de quem dorme de três em três horas. Ou enfiado na pediatra (é normal? é possível? mas como?). Ou a tentar caber num vestido que no ano passado estava largo. Ou a rezar para ainda ter um amigo adulto que me queira contar o que se faz depois das onze horas da noite nos bares, esses lugares onde há fumo, e uisque, e até drogas em certas casas de banho. Ou a flipar com a possibilidade de pendurar toalhas de banho nos mamilos.



    Por Rititi @ 2008/07/17 | 6 comentários »


    manel dizemme que la fora ha um mundo

    MANEL

    Dizem–me que lá fora há um mundo que insiste em anunciar-se violento e apressado, que há notícias de resgates na selva e bombas nos mercados orientais, que os mapas climatéricos da TV prometem aumentos da temperaturas no sistema central ibérico, que há quem se reúna no Japão para fazer de conta que resolve os problemas do mundo . Dizem-me que lá fora o preço do petróleo está pelas nuvens e que as leis da UE castigam a luta dos pobres pelo pão e pela vida digna, que há um novo rei em Wimbledon e que as bolsas europeias são incapazes de resistir aos seus próprios erros especulativos. Mas não passam de minúcias, filho, quando comparadas contigo e com a excelência dos teus dedos diminutos, com as delicadas pregas das tuas pernas, com esse princípio de vida que se mexe despreocupado no fundo do berço. O que há lá fora, com os seus barulhos, conquistas e misérias, não nos incumbe, não nos importa, não nos toca; há uma muralha que nos separa dos rumores desse mundo de gente feia e desinteressante. Um paredão de palavras que não se escrevem porque ainda não houve quem inventasse uma combinação de letras para este propósito, quem descobrisse a fórmula da poesia perfeita, da canção preferida. Não há, filho, um verso acabado que resuma todo o amor que me falta por sentir, o fascínio pelas cartilagens imperfeitas e o cansaço das noites intermitentes de leite e beijos amorosos. Entretanto, vou-me consolando com espiar as tuas reviravoltas entre os lençóis bordados, as tuas caretas, as tuas tentativas de sorriso, as gracinhas dos teus olhos por enquanto azulados. Lá fora, que se caia o mundo, que rebentem as rotativas dos jornais, que a vida contamine os quotidianos dos outros. Deste lado da muralha, filho, que reine o silêncio e tudo o que não se pode escrever.



    Por Rititi @ 2008/07/08 | 27 comentários »


    este nao e um baby blog la noche de

    ESTE NÃO É UM BABY-BLOG


    (La Noche, de Antonio Lopez, em Boston)

    Tinha que dormir de lado ou de boca para cima? E o umbigo, limpava-se com ou sem sabão? E quando cair, tenho que fazer um porta-chaves, mesmo que seja o mais nojento do mundo? E compro ou não o saca-leite? E para quê? E arrotar, há truques para as três da manhã? E o peito, é à vontade do freguês ou tinha que impor horários prussianos desde antes de ontem? E como é que era, santo deus, que tudo parecia tão fácil lá no mestrado e agora não me lembro de nada? Para tão pouco s
    ão precisas tantas e tão variadas teorias? Dasse, e eu sem poder fumar um chiribitizinho, com o jeitinho que me fazia.


    Por Rititi @ 2008/07/06 | 5 comentários »


    este nao e um baby blog el dia de

    ESTE NAO É UM BABY-BLOG


    (El Día, de António López, em Boston)



    Por Rititi @ 2008/07/05 | 3 comentários »


    vida de primipara breve memoria

    VIDA DE PRIMÍPARA
    (breve memória descritiva, que ainda há muito por sarar)

    - O Rititi-Boy é… (aqui preencher com qualificativos que expressem o grau máximo de beleza, perfeição, pureza ou um infinito et ceatera para todos os atributos da graça celestial). Eu, palavra de honra, só posso dizer que estou profundamente apaixonada. E se me permitem a licença de parecer uma cabeleireira piroseca ao mais puro estilo do subúrbio com vistas para uma circular por acabar, então dou-me ao luxo de afirmar que me embargam estes vendavais de emoções que vão do pânico ao fascínio, do orgulho pelo trabalho bem feito à estafadeira emocional, do histerismo à certeza absoluta que melhor não o posso fazer e que por tanto escusam de mandar bitaites.
    - Os temas das conversas do jovem casal Pinheiro, até ontem dominadas por um controlo intelectualmente superior das artes e das literaturas modernas, estão quase limitados ao controlo horário da escatologia infantil. Mas temos fé, ainda não perdemos o hábito de comprar o jornal e ver os jogos da bola.
    - Escusam de perguntar mais por mail: nunca será de conhecimento público o novo tamanho do meu sutiã. Só uma pista: inabarcável.
    - Obrigada a todos aqueles que através de linques, mailes e comentários desejaram felicidades, beijos e amores. A blogosfera continua a ser um lugar onde se encontra muito boa gente (por razões óbvias espero que me desculpem a falta de linques).
    - Uma última nota dedicada às defensoras do parto natural, sem químicos e ajuda da medicina moderna: vão mazépaputaquevospariu, sádicas!! Repeat after me: EPIDURAL, EPIDURAL, EPIDURAL!


    Por Rititi @ 2008/07/02 | 16 comentários »